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Sporting/Konzen vence Ferro Carril e se sagra campeão da Série Ouro da 20ª Taça de Futsal do Clube do Comércio de São Jerônimo

27/01/2017
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Equipes de Sporting/Konzen e Ferro Carril em momento de oração para o atleta Edson, antes do início da final da 20ª Taça de Futsal do Clube do Comércio (Foto: Facebook)

João Campos Lima
joaocamposlima@hotmail.com

Há 20 anos mobilizando a cidade de São Jerônimo, a Taça de Futsal do Clube do Comércio conheceu os campeões da edição de 2016 no dia 18 de dezembro. Pela Série Ouro, a equipe Sporting/Konzen conquistou o título ao vencer o Ferro Carril por 5 a 3. No dia 11 de dezembro ocorreu a primeira partida da final, que terminou empatada em 3 a 3. Pela Série Prata, o Atlético se sagrou campeão ao vencer o UJF Juniors por 10 a 4. A equipe já havia goleado por 7 a 0 na primeira partida da final. No mesmo dia ocorreram as decisões de terceiro lugar da Série Ouro e Prata.

Na final da Série Ouro, o jogo foi muito disputado, do primeiro ao último minuto. A equipe do Sporting/Konzen mostrou-se muito madura para construir a vitória, diante de um adversário qualificado, que contou inclusive com atletas vindos de fora da Região Carbonífera, que disputam campeonatos estaduais de futsal. O Sporting/Konzen, com todos os seus atletas da Região Carbonífera, abriu o placar, ampliou para 2 a 0, mas o Ferro Carril buscou o empate, 2 a 2. O Sporting/Konzen retomou a frente, mas o Ferro Carril novamente conseguiu o empate. O quarto gol encaminhou o título do Sporting/Konzen: no final do segundo tempo, em um lance polêmico, pois alguns atletas do Ferro Carril pararam convictos que a bola havia saído, os árbitros deram prosseguimento à jogada e o Sporting/Konzen marcou o gol. Em seguida, o goleiro Renato, do Ferro Carril, partiu para cima dos árbitros, revoltado com o lance, e foi expulso. Com goleiro linha, a equipe do Ferro Carril não resistiu e ainda levou o quinto gol, que que decretou a vitória por 5 a 3 e o título do Sporting/Konzen. Os gols do Sporting/Konzen foram marcados por “Amarelo” (3 vezes), Bochecha e Renan Bala. Os gols do Ferro Carril foram marcados por Bruno “Chicão”, Castor e Mateus.

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Ginásio lotado acompanhando a final (Foto: Facebook)

 

Com a vitória, o Sporting/Konzen conquistou seu segundo título da Taça do Clube do Comércio de São Jerônimo. A primeira conquista ocorreu em 2014. Antes de iniciar a partida, houve um momento de comoção para todos os presentes no ginásio: fazendo uma roda no meio da quadra, os atletas das duas equipes finalistas unidos fizeram orações ao Edson Trindade, atleta da competição, que sofreu um grave acidente automobilístico no dia 11 de dezembro. Jackson, irmão de Edson, emocionou-se com a homenagem e esteve em quadra ajudando a sua equipe do Sporting a conquistar o bicampeonato da competição. Além do título, Jackson ganhou o prêmio de destaque do campeonato.

A 20ª edição da Taça de Futsal do Clube do Comércio contou com 10 equipes participantes na Série Ouro e 10 equipes na Série Prata, que disputaram a competição no segundo semestre de 2016. No primeiro semestre, ocorreu a Série Bronze da competição, que foi conquistada pela equipe UJF Juniors, que com o título assegurou vaga para disputar a Série Prata em 2016, tornando-se vice-campeã nesta categoria.

Grêmio é pentacampeão da Copa do Brasil e acaba com jejum de 15 anos

25/01/2017
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Grêmio conquista o quinto título da Copa do Brasil (Foto: Divulgação/Gremio.net)

James Mello Rodrigues
jamesmello@outlook.com

O dia sete de dezembro de 2016 ficará marcado na história de todos os gremistas. A partida entre o Grêmio e Atlético-Mineiro, realizada na Arena do Tricolor, terminou empatada em 1 a 1, porém encerrou o jejum de quinze anos sem título do time gaúcho.

Antes da partida, uma bela homenagem aos atletas, comissão técnica e jornalistas mortos no voo da Chapecoense. Este foi o primeiro jogo com times da série A brasileira após o acidente aéreo. Com a bola rolando, o Atlético pressionou a saída de bola e partiu para o ataque, afinal precisava descontar a diferença de dois gols obtida pelo Grêmio na primeira partida.

No entanto, o Galo só teve uma oportunidade em uma cabeçada do meio-campista Júnior Urso que passou por cima do gol. A defesa gremista comandada por Pedro Geromel jogava com tranquilidade e soube suportar bem a pressão inicial dos mineiros.

Passados quinze minutos da primeira etapa, o Grêmio se encontrou em campo e começou a explorar os contra-ataques rápidos. A disputa se deu, na maior parte do tempo, no meio-de-campo. Contudo, no final do primeiro tempo, Douglas deu um passe magistral para Éverton que invadiu a área mineira e chutou na saída do goleiro Victor, que fez uma grande defesa. Foi a melhor chance de toda a primeira etapa.

No segundo tempo, o jogo continuou bem disputado. Porém, com uma leve vantagem do Grêmio que procurou manter uma maior posse de bola e, em determinados momentos, avançou a marcação pressionando a saída de bola do adversário. O jogo continuou no mesmo ritmo do primeiro tempo, nem mesmo a entrada de Cazares no Atlético tornou o time mineiro mais efetivo.

Quando o jogo parecia praticamente definido, aos 42 minutos Geromel deu um chutão afastando a bola da área gremista, Bolaños, que havia entrado a pouco, dominou a bola próximo à linha lateral, passou para Luan, que avançava pelo meio, o atacante gremista abriu para Éverton que corria pelo outro lado. O atacante gremista driblou o zagueiro e cruzou na pequena área. A zaga do Galo bateu cabeça e Bolaños, oportunista, só teve o trabalho de empurrar a bola para o gol. A maior contratação do Grêmio no ano e que ainda não havia mostrado a que veio, marcou o gol do título.

Aos 46 minutos de jogo, uma pintura de gol. Cazares chutou antes do meio-de-campo e pegou o goleiro Marcelo Grohe, que havia acabado de cobrar uma falta, fora do gol. Arriscou e acertou. Golaço! Ainda houve tempo para uma discussão entre os jogadores. A bola ainda rolou, mas não havia tempo para mais nada. O jejum de quinze anos sem títulos havia acabado.

O Grêmio é o time que mais vezes conquistou a Copa do Brasil, cinco vezes. Foi o início da festa que ganhou as ruas de Porto Alegre. Com o título, o Tricolor ganha acesso a fase de grupos da Libertadores e ânimo renovado para a competição.

 

Poa Kids Run

18/01/2017
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O aquecimento dos pequenos acontecia na cama elástica e nos brinquedos infláveis.

Carolina Carvalho Trindade
carolina.ctrindade@outlook.com

Para quem é adulto e não gosta de esporte pode parecer um esforço impossível acordar cedo no sábado de manhã para passar o dia fazendo exercícios. Mas para as crianças inscritas na Poa Kids Run, que aconteceu dia 20 de novembro nas pistas do Parque Marinha, a corrida significa muitas coisas. Além de saúde e diversão, é uma oportunidade de fazer companhia para os adultos esportistas.

A Poa Kids Run estava marcada para às 10h de sábado, duas horas depois da largada dos adultos, que participavam da terceira etapa da Poa Day Run. Entre uma competição e outra, os pequenos se aquecem com a ajuda dos familiares. No lounge reservado para os corredores, algumas diferenças: brinquedos infláveis e cama elástica ajudavam no aquecimento. Pais e mães viraram personal trainers ensinando alongamentos para as crianças de 3 a 12 anos.

Com uma volta pelo espaço é possível encontrar os pequenos atletas se preparando. A dificuldade de prender os números no peito é explicada pela ansiedade de quem está apenas começando. Inspirados pela mãe corredora, Maria Luiza, de 7 anos, e o irmão Miguel, de 4, participam da primeira corrida. “Eles só treinaram correndo ao redor do pátio”, a mãe Marina explica rindo.

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Miguel e Maria Luiza acompanhados da mãe Marina na preparação da corrida.

Apesar da brincadeira, existe algo muito mais importante envolvendo a corrida infantil. As crianças são inspiradas a correr pelos adultos na suas vidas. Maria Luiza e Miguel nunca acompanharam a mãe nas competições, mas admiravam a felicidade dela quando voltava para casa depois dos dias de corridas. “Vi a oportunidade de eles virem junto e correrem também”, completa.

Mas nem só de iniciantes vive a Poa Kids Run. Luiza, por exemplo, foi campeã em duas baterias nas corridas que aconteceram no Canoas Shopping em março de 2016. A dinda Viviane é a inspiração, participando da equipe Touro Bonorino. Com oito anos, Luiza já tem até grupo de corrida.

Perto das 10 horas da manhã o movimento começa a aumentar no pórtico inflável destinado para a corrida infantil. As distâncias já estão marcadas na pista e a ansiedade surge também nos adultos. “       De onde será que vai ser a largada?”. Com uma faixa etária bastante extensa, a dúvida é compreensível. As crianças são divididas em quatro categorias: entre três e quatro anos, correm 50m; dos cinco aos seis, 100m; sete e oito, 300m; e dos nove até os doze anos, 400m.

As corridas dos mais novos, de 50 e 100 metros, iniciavam na pista e iam em direção ao pórtico. Já para os mais velhos a largada e a chegada eram no pórtico inflável. Para não confundir, cada faixa etária corre em um momento diferente. Durante a corrida ainda, as largadas foram divididas em grupos de 10 crianças.

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Meninas de 3 e 4 anos correm na Poa Kids Run

Eram quase 10h15 quando organizaram a primeira bateria dos 50m. Os dez primeiros meninos de três e quatro anos foram postos em linha. Como eram os menores, os pais foram convidados a acompanhar. Foi dada a largada. Em menos de cinco minutos, muitas fotos, sorrisos, torcidas e, infelizmente, alguns tombos. Nos 50 metros, saíram ainda mais uma bateria de meninos e uma de meninas. Conforme as idades aumentam, as corridas ficam mais competitivas. Mas não importa quem cruza a linha de chegada primeiro: no fim, todos ganham uma medalha de participação.

Depois de ganhar a sua, Miguel se organizou para olhar a irmã mais velha correndo. Maria Luiza foi veloz nos 300m e a família toda, pai, mãe, tia e irmão acompanharam emocionados. No final das corridas, Miguel conta o que achou mais legal do momento. “Que eu ganhei”, diz exibindo a medalha de participação com um enorme sorriso. Ele ainda não sabe, mas nessa corrida, todo mundo ganhou.

Na saída, ainda é possível ouvir algumas conversas interessantes: “Mãe, posso levar minha medalha para a aula amanhã?”

No ritmo da ex-ginasta

04/01/2017
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(Foto: arquivo pessoal)

Isadora Aires
isadoragaires@gmail.com

Natália Scherer Eidt começou a praticar a Ginástica Rítmica com cinco anos em sua cidade natal, Santa Cruz do Sul. Com catorze, foi convocada e competiu pela Seleção Brasileira nos Jogos Olímpicos de Sydney. Hoje, com trinta, ela vive em São Paulo, cursa Educação Física e relembra sua trajetória, entre percalços e vitórias.

Como foi a tua trajetória na Ginástica Rítmica?

A minha trajetória foi longa, foram 13 anos na modalidade. Durante a Seleção Brasileira foi bastante conturbada, devido as muitas lesões que eu tive e ao problema de peso, já no final da minha carreira.

Como era a rotina e a dinâmica dos treinos?

Quando eu treinava em Santa Cruz do Sul, a minha rotina era de quatro a cinco horas por dia de treino, cinco vezes por semana. Depois, na Seleção, eram seis treinos por semana, de oito a dez horas de treino por dia. A gente começava com aquecimento breve e depois vinha a preparação física. Essa preparação era feita de formas diferentes, cada dia tinha um tipo diferente, a gente usava balé, força e flexibilidade e durava em média duas horas. Depois disso, a gente fazia a parte coreográfica, que ia de duas a três horas de treino. Então eram repetições das coreografias.

Quais as principais dificuldades que você enfrentou e quais foram as coisas boas que a Ginástica te trouxe?

As maiores dificuldades foram as minhas lesões, tive várias lesões enquanto eu treinava. Uma deixou sequelas, que foi a lesão na coluna que eu tenho que saber lidar até hoje, já que ela progrediu bastante. As outras lesões, na verdade, não refletem muito no dia a dia. A coisa boa foi o sucesso pessoal mesmo, de eu ter sonhos e ter atingido eles, ter conquistado o que eu conquistei. Eu considero que tive uma carreira muito bem sucedida, porque quando eu colocava uma meta eu a alcançava. Eu alcancei todas as metas que eu coloquei na minha vida, menos a de ir pra Olímpiadas de Atenas.

Quais diferenças que você vê no cenário da Ginástica no Brasil entre quando você começou a praticar e agora?

As diferenças pra mim são muito nítidas: começa pelo investimento. Hoje em dia, se tem muito mais investimento na Ginástica Rítmica, tanto em salário quanto em infraestrutura de treino. A equipe da Comissão Técnica hoje tem médico, fisioterapeuta e na minha época não tinha. Inclusive, na época que eu fui pra Olímpiadas, nem salário eu recebia, então tudo dependia dos meus pais. Tiveram competições internacionais que eu tive que pagar o agasalho da Seleção pra participar, além das passagens. Hoje não existe mais isso, é tudo pago, existe o mínimo de infraestrutura para a pessoa poder praticar a Ginástica na Seleção.

Sei que você participou dos Jogos Olímpicos de Sydney, na Austrália. Como você descreve essa experiência?

Sydney foi a realização do maior sonho que eu já tive na minha vida. Desde que eu entrei na modalidade era o meu sonho participar de uma Olímpiada. Eu sabia que aquilo era o ápice da carreira de um atleta. Sydney foi isso, eu vivi um sonho, desde a climatização em Camberra até a abertura dos jogos, foi tudo um sonho. Eu sempre fui uma atleta extremamente focada, então, pra mim, era uma competição como qualquer outra na hora de entrar na quadra. Mas quando a gente não estava no tablado, treinando ou competindo, tudo aquilo era uma coisa surreal. Foi uma experiência única, acho que nada na minha vida vai se comparar ao que foi participar dos Jogos Olímpicos. Foi único, foi ímpar, foi incrível.

O fato de o Brasil não estar entre as seleções mais tradicionais te desanimava ou motivava ainda mais?

Essa realidade continua até hoje, o Brasil não é um país tradicional na Ginástica Rítmica. Eu nunca percebi que isso tenha me desmotivado, de forma alguma, eu acho que sempre me motivou a treinar mais e a melhorar essa imagem do Brasil em competições internacionais.

Como é a tua vida depois da Ginástica Rítmica?

A minha vida é tranquila, na medida do possível. Eu tô em São Paulo, moro aqui fazem mais de sete anos e estudo na USP. Não trabalho com Ginástica, o legado que a Ginástica deixou em relação ao que eu faço hoje é trabalhar com melhoria de qualidade de vida [Natália é personal trainer]. Todos os meus alunos sofrem de alguma patologia. Eu optei por isso devido a minha dor na coluna. Quando eu comecei a estudar a dor, vi que era uma área que eu gostava muito, então hoje eu trabalho com pessoas que vem da área da dor, geralmente são de indicações médicas ou de fisioterapeutas e eu adoro o que eu faço. Mantenho contato com algumas meninas da Ginástica, tenho muitas saudades delas, mas não pretendo trabalhar com isso na minha vida mais adiante.

Qual foi a maior lição que você aprendeu nessa trajetória?

Eu acho que a maior lição que eu aprendi foi que a Ginástica envolve disciplina, respeito e valores e foi esse o legado que ela deixou na minha vida. Eu considero que eu tive uma base muito boa de estudo, de educação, de formação como indivíduo e a Ginástica só complementou essa base boa que eu tive da minha escola. Então, acho que não foi só a Ginástica, mas ela complementou a base que eu já tinha. Fora a experiência de vida, de morar longe dos pais, de conhecer o mundo, de trabalhar em equipe, todas essas coisas que no esporte de alto rendimento se tornam muito maçantes, né? A convivência, as lesões, enfim, a pressão. Acho que a Ginástica trouxe de bom essa experiência de vida em todos esses sentidos.

Vivendo pelo esporte

04/01/2017

 

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Eduardo no primeiro lugar em torneio realizado pela Ulbra (Foto: arquivo pessoal)

Gabriela Gil
gabrielagilsilveira@gmail.com

 

O judô é uma arte marcial esportiva, que se originou no Japão em 1882.  Quando foi criada pelo professor de Educação Física, Jigoro Kano, tinha como objetivo elaborar uma técnica de defesa pessoal, envolvendo não só o físico, mas também o espírito e a mente. No Brasil, a arte marcial chegou no ano de 1922, época em que Eduardo Soares ainda nem era nascido e nem imaginava que o esporte o mudaria por completo.

Início no judô e a paixão pelo esporte

Com 34 anos, atualmente Eduardo é personal trainer, mas o esporte sempre esteve presente na sua vida desde cedo. Começou a praticar com seis anos de idade, na escola onde estudava. “Eles fizeram uns testes com os alunos, então o professor, que iria se tornar meu professor durante o tempo todo, viu que eu tinha uma capacidade de assimilação de golpes numa peneira e acabei começando a praticar o esporte”, ele conta.

Sempre muito esportista, já se mostrava interessado pelo judô ainda quando criança. “Sempre fui bastante esportista, sempre gostei de esporte e ligado em tudo que é esporte. Comecei a praticar o judô logo quando o Aurélio Miguel foi campeão olímpico. E eu achava muito diferente porque parecia um xadrez, as coisas tinham que ser estudadas, aí me interessei. Sempre gostei de lutas japonesas, essas coisas”, relembra. O que também influenciou sua escolha pelo esporte foi o fato do judô não ser tão violento, e sim uma filosofia.

Lembranças da época de atleta

Muitas lembranças são guardadas, desde viagens para competições, amizades de quando começou no esporte e colegas do judô que também se tornaram professores de Educação Física, que Eduardo acaba encontrando nos congressos que vai.

A paixão pelo judô foi o grande incentivador na sua escolha profissional. “O judô ajudou a escolher minha profissão. Então, diante de tudo o que eu aprendi, no que eu vi os outros professores passar, tudo foi uma carga de conhecimento que veio junto comigo, em toda minha vida, na realidade. Influenciou muito na minha carreira e incentiva até hoje. Porque, como eu digo para os meus alunos: ‘eu só sei fazer isso’. Só sei fazer coisas ligadas ao esporte, vivo o esporte 24 horas do meu dia, sabe. Isso influenciou muito no meu desenvolvimento pessoal”.

As competições já participadas são muitas: “Sul-Americano, Brasileiro, Campeonato Citadino, Estadual, Copa Rio, Copa Petrobras, Circuito Litoral, Torneio Periquito, campeonatos bem grandes”, relembra Eduardo. São guardadas só boas lembranças, boas lembranças de amigos, boas lembranças de vitórias e também de derrotas.

Dificuldades e o fim da carreira como atleta

Adversidades também fizeram parte da vida do ex judoca. Eduardo chegou a ficar seis anos sem competir, por problemas no joelho e no ombro além de uma lesão que acabaram fazendo-o largar a vida de atleta.

Além dos problemas físicos, conciliar os treinos com os estudos também era outra complicação. “Nesse período de seis anos em que eu parei de competir era muito porque estava puxado. No início estava terminando o segundo grau, depois pegou uma ponta da faculdade. Aí foi logo quando eu era adolescente, comecei a sair e tudo mais, então dava uma diminuída na competição”, relembra Eduardo.

Ainda que tenha voltado para o judô quando estava terminando a faculdade, os problemas físicos foram os principais adversários do ex atleta. “Pra começar, muita lesão! E como eu trabalho com o corpo tenho que estar preparado, pelo menos um pouco inteiro para poder dar aula”, ele conta aos risos. “Então eu optei por parar de competir, também porque estava passando da idade. E até a idade que eu tinha era o limite para competir. Já tinha conseguido quase todas as competições, competido em quase tudo para o limite da minha idade. Depois daquilo, só se começasse a fazer competições para fora. Aí eu tinha que começar a trabalhar e começar a dar aula para exercer minha profissão. E como tive uma lesão no ombro na última competição, uma ruptura de ligamento parcial, optei por parar para não me machucar mais”.

Mesmo com todo amor pelo esporte, Eduardo não chegou a pensar em se tornar unicamente atleta. “É muito difícil, sabe. Porque o judô é um esporte caro, tu precisa ter um bom patrocínio ou alguma coisa que consiga te dar sustentabilidade fora do tatame. Não tinha isso na minha época. Começou a ter depois quando veio o Grand Prix, quando veio muito apoio da Petrobras, principalmente. Aqui no Rio Grande do Sul teve a fundação dos esportes que também começou a investir no judô porque viram que aqui era um foco muito grande”, ele conta. O investimento no esporte veio tardio e naquela época, Eduardo já tinha parado de competir a alto nível.

Incentivo do esporte e eventos olímpicos no Brasil

Eduardo percebe que hoje há um incentivo muito maior no judô. Tanto que a seleção fixa do esporte é patrocinada pelo governo. “É um foco muito grande de judô, então eles investem nessa categoria, neste esporte para o desenvolvimento. Tanto que é o esporte que mais traz medalhas a nível olímpico porque tem essa estrutura”. Uma estrutura que passou a se desenvolver de uns quinze anos para cá, segundo o ex judoca.

Para Eduardo, os eventos olímpicos ocorridos no Brasil vão influenciar e incentivar o aumento no esporte: “vai influenciar muito mais porque as pessoas tiveram contato com o esporte, sabe. Tiveram contato com esportes que nunca tinham visto na vida, e isso pega na cabeça da criançada principalmente”. Isso passa a incentivar as crianças a fazerem uma atividade, a participarem de competições, o que acaba mudando totalmente a cabeça e o desenvolvimento dessas crianças.

Mas há muito a ser trabalhado, principalmente nas escolas: “Eu, como professor de Educação Física, acho que o maior defeito da gente dentro das escolas é só querer proporcionar aos alunos jogarem bola. Quando eu trabalhei com crianças, fazia eles vivenciarem outros tipos de esportes dentro da escola. Porque não é só o futebol, tem outros esportes que têm que ser trabalhados. É dentro da escola que tu vai trazer os alunos ao atletismo, para o judô, para o tênis de mesa, para outros esportes que sejam olímpicos. A gente tem capacidade mas não tem incentivo. Porque, na escola, o esporte é um segundo caminho. Primeiro tu vai ali aprender Matemática, Geografia, Português, Ciências, etc., aí a Educação Física passa a ser um ‘momento de recreação’, e não é bem assim. A gente tem que trabalhar dentro da escola para poder desenvolver as crianças a terem contato com outros tipos de esportes que não sejam só futebol, vôlei e basquete”.

O esporte é visto apenas como segundo plano nas escolas e sempre há uma resistência quando pretendem mudar. “Tem que ser trabalhada dentro das escolas essas atividades físicas, esses esportes para poder aumentar a capacidade esportiva. A capacidade das crianças saírem lá de dentro, assim como eu saí de dentro do esporte. Saí de dentro de um colégio, em que um cara fez uma peneira e viu que tínhamos capacidade de ser atleta”. O questionamento que deve ser pensado é:  “Quantos outros alunos já passaram por outras escolas e não passaram por essa peneira, por esse trabalho? Quantos talentos a gente já perdeu aí dentro do Brasil?”.

Das quadras para o ambulatório

05/11/2016
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Matheus com a Seleção Paranaense de Handebol, quando foram campeões dos Jogos da Juventude Brasileiros (Foto: Matheus Golenia Passos/Arquivo Pessoal)

Carolina Golenia
carol.golenia@hotmail.com

Matheus Golenia dos Passos começou a jogar handebol com 11 anos de idade pela equipe de seu colégio. Quando fez parte da Seleção de Cascavel (no Paraná), ele se destacou na posição de goleiro e, aos 15 anos, foi convocado para a Seleção Paranaense Cadete sub 16, onde permaneceu por dois anos, sendo que no segundo ano, Matheus foi capitão da equipe. Posteriormente, foi chamado para a Seleção Brasileira Cadete. Entre as suas competições, sua equipe disputou a final do Campeonato Sul Americano, perdendo pra seleção da Argentina nas duas finais, “isso eu ainda tenho encucado”, comenta aos risos.

Ele começou treinando na linha, como armador esquerdo, pois era alto e conseguia arremesso de 9 metros. Seu treinador o incentivou, aos 11 anos, a seguir uma dieta para não ter problemas no joelho, pois o atleta estava acima do peso. Matheus jogou handebol durante 8 anos.

O handebol foi escolhido pois seus amigos que já treinavam o atraíram para o esporte, além de que ele não possuía tanta habilidade com os pés. “Eu acabava achando o handebol e o basquete mais positivo na vida do ex-atleta foi a convivência em grupo, aprender a lidar com pessoas diferentes e a respeitá-las. “Não adiantava cada um jogar da maneira que queria se a equipe toda não trabalhasse junta e não conseguisse chegar ao resultado que, no caso, era vencer a partida”, salienta.

O ex-atleta coleciona experiências de viajar para os jogos, um dos fatores mais positivos em sua carreira, que trouxe inúmeras amizades novas e contribuiu para seu crescimento pessoal. Outro aspecto importante foi o constante incentivo do seu treinador, César Casagrande, de ter boas notas no colégio. “Inclusive, os atletas que não tinham notas boas ou tinham algum problema dentro da sala de aula acabavam não indo para as competições”, comenta.

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Matheus formou-se em Medicina, na Universidade Federal de Pelotas, UFPel (Foto: Matheus Golenia dos Passos/Arquivo Pessoal)

Matheus salienta que as dificuldades enfrentadas no esporte foram a falta de incentivo e de patrocínio, até mesmo da prefeitura e do Estado. “Não só no handebol, mas no esporte como um todo. Muitas vezes, quando precisávamos ir para as competições, não tinha dinheiro para pagar o transporte ou para pagar a inscrição de um time inteiro. Quando comecei a chegar perto dos 18 anos, a perspectiva de ter um salário apenas do esporte era muito pequena”, afirma o ex-goleiro.

Quando evoluiu para a categoria Juvenil, o vestibular já estava se aproximando e o goleiro passou a se dedicar intensamente aos estudos, diminuindo a frequência nos treinos. “O ponto crucial foi quando eu estava no início do terceiro ano do ensino médio, em que eu teria que decidir o que fazer no vestibular e qual seria a minha carreira, que foi ao mesmo tempo em que recebi uma proposta de ir jogar handebol em São Paulo, que sempre foi o estado que tinha as melhores equipes. Só que isso ia acabar prejudicando meus estudos, até porque a perspectiva de salário nessa época era menor ainda do que se tem hoje em dia, que não é boa”, conta. Matheus deixou o handebol ao entrar para a faculdade de medicina, na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Rio Grande do Sul, com 18 anos de idade.

“Mas o principal motivo de eu ter parado de jogar foi não ter seguimento de esporte universitário, de não ter esse incentivo em instituição particular e menos ainda em instituição pública. Aí eu optei por fazer medicina e não tive a continuidade no esporte”. O ex-atleta comenta sobre, no Brasil, a universidade não ter um incentivo no esporte, diferentemente do que vemos nos Estados Unidos e em demais países.

O que Matheus mais sente falta é da emoção do esporte, da adrenalina das competições, da disposição física que se tem ao ser atleta e da convivência com os amigos que jogavam junto. Matheus enfatiza, para quem está iniciando no esporte, sobre a importância de conciliar com os estudos, porque a vida ativa no esporte acaba sendo muito curta. A mensagem que ele deixa é que o atleta se dedique, que dê o seu melhor. “O handebol vem crescendo no Brasil, têm atletas que estão indo para a Europa. Recentemente, nas Olimpíadas do Rio, as equipes feminina e masculina tiveram um bom desempenho”, ressalta.

Um gigante no vôlei

04/11/2016
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(Foto: Paulo André Jukoski/Arquivo Pessoal)

Luiza Fritzen
luizafritzen@hotmail.com

Com 2,01 m de altura, Paulo André Jukoski, ficou conhecido como Paulão. Nascido em Porto Alegre em dezembro de 1963, Paulão viveu em Gravataí até despontar como atleta. O ex-meio de rede iniciou sua história no vôlei ao acaso. Praticante de handebol, Paulão foi convidado pelo professor para integrar a equipe de vôlei quando o jogador titular desfalcou o time devido a uma lesão. Graças ao seu desempenho, Paulão foi convidado a fazer um teste no Sogipa, clube da capital gaúcha, dando início à carreira profissional.

Sua primeira Olimpíada foi em Seul, em 1988, como reserva, na qual o Brasil ficou com a quarta colocação após ser eliminado na semifinal pelo ouro daquele ano, o Estados Unidos. Após a derrota, Paulão esteve presente nos jogos de Barcelona, em 1992, que consagraram o Brasil como campão olímpico e a seleção masculina de vôlei como a “Geração de Ouro”. A partir desse título, o país passou a olhar ainda mais para o voleibol e investir em seus atletas e times. O jogador gaúcho ainda participou, em 1996, da olimpíada de Atlanta, onde o Brasil foi eliminado nas quartas-de-final pela antiga Iugoslávia em 3 sets a 2.

Após aposentar-se das quadras, foi deputado federal, fez parte do Ministério dos Esportes durante o segundo mandato do ex-presidente FHC e foi secretário de Esportes de Gravataí. Atualmente, é treinador do Bento Vôlei, que disputa a Superliga Masculina.

Quem é Paulo André Jukoski da Silva (como tu te defines para além do jogador de vôlei)?

Gosto muito dos amigos, principalmente os de Gravataí. Sou apaixonado pela natureza e muito sonhador, sempre procurando algo de muito bom para fazer. Também gosto muito de trabalhar com pessoas, acho muito bom!

Como começou a tua relação com o vôlei?

Começou em Gravataí, primeiro no polivalente com o Prof. Julião, depois vim para Gensa e ali comecei com o vôlei com o Prof. Paulo Mathias, depois veio o convite para teste na Sogipa e aí não parei mais.

Como se deu a tua chegada até a Seleção Brasileira?

Fui jogar em Chapecó, Santa Catarina, e fui para o meu primeiro campeonato brasileiro, me destaquei e fui chamado para seleção.

Quem te inspirou a jogar vôlei?

Foi por acaso, faltou atletas da equipe de vôlei da escola e o professor Mathias me convidou para ir como reserva para ajudar.

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(Foto: Paulo André Jukoski/Arquivo Pessoal)

Quem é teu/tua ídolo/a?

Seleção campeã olímpica de 1992, admiro muito o José Roberto Guimaraes.

O que o vôlei representa na tua vida?

Tudo! Aprendi muito no esporte, trabalhar em equipe, ganhar e perder, ter respeito pela derrota e a vitória, vôlei faz parte do meu dia a dia, da minha vida.

Ao todo, foram três Olimpíadas (Seul, Barcelona e Atlanta). Como foi participar tantas vezes de um evento dessa grandeza?

Tenho orgulho de ter defendido o meu país em uma competição tão importante, subir ao pódio e cantar o hino nacional é espetacular e é inesquecível.

Quais os melhores momentos da tua carreira?

No esporte a medalha de ouro em Barcelona. Depois Dos jogos de Barcelona o esporte nacional mudou porque acreditamos que podíamos conquistar mais. O jogo mais importante foi a final contra a Holanda, mas o jogo que eu tomo como referência foi na edição de Seul contra a Rússia. Na época eu ainda era reserva e estava na minha primeira olimpíada. Entrei ao lado de Carlão, Pampa e Maurício e juntos viramos o jogo para 3 sets a 2. Essa partida foi muito marcante pra mim porque fiz 15 pontos de bloqueio. Na vida, meus melhores momentos foram o nascimento dos meus filhos, Pedro e Pietra.

Se não jogasse vôlei, faria outro esporte?

Com certeza! Adoro este meio competitivo! Mas não saberia dizer qual! Oportunidades acontecem!

Como foi encerrar a carreira?

Muito dolorido! Mas as dores estavam muito fortes.

Depois de encerrar a carreira, tu mantiveste a prática do vôlei?

Não muito! Mas gosto de correr e malhar, fazer musculação.

Qual a importância do esporte na transformação de realidades, pessoas, vidas?

Não sei como é ficar sem! E acredito muito no esporte como ferramenta de educação e qualidade de vida! Realmente uma das ferramentas mais importantes para aprender os valores da competição da vida do dia a dia!!! É muito lindo.

Como começou a tua carreira política? O que te motivou a ingressar nesse meio?

Não sou político de carteirinha! Mas a motivação foi tentar mostrar esta importância da educação e da competição e como excelente negócio também!

Como foi a tua experiência como gerente do escritório do Comitê Organizador Local em Porto Alegre para a Copa do Mundo?

Surpreendente, maravilhoso! Trabalhar com profissionais de muita qualidade e do mundo todo! Aprendizado espetacular, os detalhes, o negócio as transmissões e todo seu processo de equipes, é um universo espetacular.

Como tu percebes o apoio e incentivo ao esporte hoje, no Brasil?

Ainda é muito fraco, acredito em potência esportiva quando começarem a investir nas escolas e respeitarem profissionalmente os professores, não só os de educação física, e que conciliem a educação com o esporte.

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(Foto: Paulo André Jukoski/Arquivo Pessoal)

Como está sendo a tua experiência como técnico?

Vivenciar a quadra é reviver minhas emoções, é muito bom, este meio e me dá a condição de mostrar o que aprendi na minha vida esportiva dentro e fora das quadras.

Que característica é essencial a um jogador de vôlei?

Não só no vôlei, mas determinação e persistência são fundamentais! Mas sem inspiração de fazer com o coração não caiu a lugar algum

Qual a tua opinião sobre a atual seleção masculina de vôlei?

Vôlei é referência para outros esportes. Tanto pelas conquistas como pela maneira profissional apaixonada da maioria dos envolvidos. Isso nos dá referência para continuarmos em busca do nosso melhor!

Um sonho.

Ainda, um dia, gostaria de ser um mágico na minha cidade, só por um tempo, para realizar o sonho de incluir espaços esportivos adequados, e não depender de um único ginásio na minha cidade! Trazer esta alegria é um sonho, e, como nos sonhos, correremos atrás!