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Rueda lamenta derrota para o Grêmio

07/11/2017

Erick Gomes da Silveira        

Reynaldo Rueda, técnico do Flamengo assumiu a responsabilidade pela derrota contra o time gaúcho, por 3 a 1, na Arena. O Flamengo abriu o jogo com um gol de Éverton Ribeiro, nos minutos iniciais do segundo tempo, mas não conseguiu segurar o placar. “O jogo, até o 1 a 0 pra nós, foi um jogo muito controlado, muito correto, também vou dizer que o Flamengo foi agressivo, e foi com grande disposição até marcar o 1 a 0, depois foi uma situação desafortunada pra nós”, declarou Rueda. O técnico do Flamengo também afirmou que o 1 a 1 não era o resultado que o time desejava, mas era melhor do que perder o controle do jogo.

Segundo Rueda, foi logo depois do empate com o grêmio que o time carioca perdeu a agressividade, disposição e ordem no jogo. “Era preciso aceitar esse 1 a 1, trabalhar e manter a partida controlada. Mas, depois se engana o Rene, se engana o Pará para controlar uma bola, aí teve um jogador que entrou tranquilo, dominou o jogo e teve a sorte de decidir bem, e finalizar e fazer o gol”, explica Rueda, falando sobre o jogador Éverton, do Grêmio, que substituiu Jael no segundo tempo e foi o responsável pelos dois primeiros gols do time gaúcho.

Questionado sobre a possível falta de preparação e desgaste físico depois do jogo contra o Fluminense na Copa Sul Americana, Rueda disse que isso não é argumento, pois o Grêmio está na mesma situação que o time carioca por estar disputando a Copa Libertadores da América, e que o time rival deveria ter ficado desesperado, não o Flamengo. Sobre o posicionamento mais retraído e focado durante o jogo, o técnico do Flamengo afirmou que isso não é um hábito, é uma situação secundária à situação do jogo, que não tem nada a ver com o jogo, nem com o resultado.

Depois da notícia do dopping de Paolo Guerreiro, Rueda preferiu não falar com o jogador, respeitando que essa é uma situação difícil para ele e para o clube carioca. Sobre os jogadores ausentes na escalação do time, como Diego Ribas, Réver, Berrío e Juan, além de Paolo Guerreiro, o técnico afirmou que o Flamengo estava fazendo um grande jogo com os que estavam ali, mesmo com a ausência 5 jogadores titulares.

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Marcação e Tranquilidade

07/11/2017

Christopher Sant’Anna Wilbert

Em menos de 5 minutos após a entrada de Everton na partida, o Flamengo perdeu não só o controle do jogo como a liderança no placar. Com dois gols de Everton e um de Luan alguns minutos depois, o rubro-negro deixou passar todas as chances de se manter à frente ou retomar a vantagem no jogo. Com o placar final de 3 a 1, o time carioca ficou com a sétima posição do brasileirão, e deixa seus torcedores e jogadores insatisfeitos com o jogo defensivo do clube.

Sem Paolo Guerrero, suspenso por suspeita de uso de substâncias ilegais, o Flamengo entrou em campo sem seu principal centro avante. “A gente fica triste pelo que aconteceu. É um cara que a gente depende muito, faz falta sempre que não joga” disse Rhodolfo, zagueiro do Flamengo, antes da partida. “Vaiser um jogo difícil, é uma equipe muito difícil de ser batida em casa, mas a gente vai pra cima deles”, acrescentou.

E realmente, durante todo o primeiro tempo, nenhum dos times abriu o placar. Apenas aos 2 minutos do segundo tempo, Everton Ribeiro marca 1 a 0 para o clube carioca. Após obter a vantagem, o Flamengo deixou de partir para o ataque, optando por fechar o seu lado do campo o máximo possível, e dando espaço para o grêmio criar jogadas. A estratégia parecia sólida até os 23 minutos, quando Renato Gaúcho substitui Fernandinho por Everton no ataque. Em minutos, o Grêmio vira o jogo com dois gols do atacante em meio a uma defesa frágil do rubro-negro, e Luan marca o seu antes do jogo acabar. Final, 3 a 1 para o time da casa.

“A gente fez o gol, saímos na frente, mas acabamos pecando na marcação como um time” disse o autor do gol do Flamengo, Everton Ribeiro. “Temos que aprender a jogar fora de casa, manter o placar. Foram dois gols muito rápidos, não deu pra gente se organizar, e o resultado era muito importante pra gente mas, infelizmente, deixamos passar”, completou o atacante. Já o volante do time, Márcio Araújo, disse que o time se deixou empurrar. “A gente acabou dando muito mole, principalmente contra um grande adversário. Não seguramos a bola lá adiante, é óbvio que uma hora iriam furar nossa defesa”.

Em coletiva, o técnico Reinaldo Rueda admitiu que faltou tranquilidade do time. “São circunstâncias do jogo. Até o 1 a 0, a disposição, o posicionamento e a agressividade do Flamengo estava boa e quase levou ao 2 a 0. Foi essa tranquilidade que faltou para assimilar o 1 a 1, pra jogar e administrar esse placar”. Disse Rueda. “Não podemos tomar dois gols tão rápido quando há jogadores experientes e maduros no time.”

Com esse resultado, o Flamengo manteve-se com 47 pontos na tabela e enfrenta o Cruzeiro, no Rio, na próxima quarta-feira (8) às 21h45. Já o Grêmio, agora com 54 pontos e no terceiro lugar do campeonato, encara a Ponte Preta em Campinas, também na quarta-feira, às 19h30.

Talismã de Renato brilha e Grêmio vence Flamengo de virada

07/11/2017

gremio fbpa

Grêmio venceu o Flamengo por 3×1 na Arena  Foto: Divulgação Grêmio FBPA

Rene da Silva Almeida

renealmeida.jornal@gmail.com

Grêmio e Flamengo fizeram um jogo não mais do que morno na tarde de domingo na Arena. Diante de um público muito aquém da grandeza do clássico, o tricolor venceu por 3 a 1 num dia iluminado de Everton, o talismã de Renato Portaluppi.

Classificados nas competições continentais que disputam, tanto Renato como o colombiano Reynaldo Rueda optaram por escalar times predominantemente titulares no duelo válido pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro. Apenas Marcelo Grohe, Cortez e Lucas Barrios pelo lado gremista, e Guerreiro, Diego, Berrio, Juan e Réver, do lado carioca, ficaram de fora da partida. Mesmo assim, não é todo dia que Everton Ribeiro, melhor jogador do bicampeão Brasileirão Cruzeiro (2013 e 2014), e Luan, apontado como o melhor jogador do Brasil na atualidade, se enfrentam. Exatamente por isso a expectativa era de um bom espetáculo na zona norte de Porto Alegre.

Primeiro tempo burocrático

Pelo menos no primeiro o espetáculo ficou só na expectativa mesmo. O que mais se viu foram passes burocráticos na intermediária e poucas jogadas de qualidade. Luan foi o primeiro a arriscar chutando de longe o obrigando Diego Alves a fazer boa defesa. Mas foram os Cariocas que mais chegaram perto de abrir o placar na primeira etapa. Renê e Felipe Vizeu dispararam dois chutes de longe e assustaram Paulo Victor. Já Everton Ribeiro teve a chance da marca do pênalti e, mesmo desequilibrado, finalizou a esquerda da meta gremista. No final da primeira parte, Ramiro ainda obrigou o arqueiro flamenguista a fazer boa defesa em uma das raras chances de gol do jogo até então. No geral o que se viu foram dois times de ressaca pelas classificações obtidas no meio de semana e satisfeitos com o empate.

Se antes do intervalo os times estavam um tanto preguiçosos, no segundo tempo Grêmio e Flamengo fizeram um bom espetáculo. Logo a dois minutos, Everton Ribeiro tabelou com seu chará Everton e recebeu cruzamento na área. Fugindo da sua característica, o camisa 7 infiltrou no meio da defesa e testou firme para o gol, sem chances para Paulo Victor: 1 a 0 Flamengo. Para evitar a segunda derrota consecutiva em casa – a sexta na competição – o tricolor foi ao ataque e passou a dominar a posse de bola. Aos 7 minutos, Fernandinho recebeu dentro da área e bateu cruzado para fora.

Brilha a estrela de Renato

Sem profundidade, com um Fernandinho apagado e um Jael escondido por entre os zagueiros rubro-negros, o Grêmio era inofensivo e pouco finalizava. Ainda por cima via, Marcelo Oliveira salvar de cabeça chute forte de Cuellar que tinha o endereço das redes. Foi então que mais uma vez brilhou a estrela de Renato Portaluppi. Aos 23 minutos, o ídolo gremista saca Jael e Fernandinho e lança a campo os jovens Everton e Beto da Silva. Um minuto depois, Michel faz lançamento despretensioso para área e Ramiro escora para o meio. A bola passa por Rafael Vaz e Rhodolfo e encontra o pé de Everton, que tem o trabalho de desviar de Diego Alves e correr para o abraço dos companheiros: 1 a 1.

Mas o destino guardava algo ainda mais especial para o garoto de 21 anos formado nas categorias de base do tricolor. Dois minutos depois, Edilson lança Everton no lado esquerdo. Pará erra o tempo de bola e deixa o “cebolinha” na cara do gol. Ele avança e chuta entre Diego Alves e a trave: 2 a 1 para o Grêmio e festa na Arena. Vendo sua vantagem ruir em apenas 3 minutos, Reynaldo Rueda usa sua arma secreta. A entrada de Vinícius Junior no lugar do lateral Renê pretendia dar mais agressividade ao mengão. Só pretendia. Na prática, foi o Grêmio que continuou a controlar a posse de bola não deu chances ao adversário.

Para completar a tarde perfeita, a estrela de Renato brilhou de novo, dessa vez com Beto da Silva. O jovem peruano roubou a bola de Rafael Vaz na ponta direita, ganhou no corpo de Márcio Araújo e cruzou para Luan empurrar para as redes. Terceiro gol do jogador depois de voltar de uma lesão muscular. Ainda deu tempo do próprio Luan cabecear nas mãos do goleiro e de Lucas Paquetá finalizar na trave. Mas ficou nisso mesmo: 3 a 1.

A dúvida

O saldo da vitória mais importante que os três pontos foi a volta da dúvida no time titular entre Everton e Fernandinho. Apesar de ser o artilheiro gremista no Brasileirão, Fernandinho vem sendo criticado pela torcida por sua participação discreta nos jogos. Everton pede passagem pelos seguidos jogos em que entra dando mais movimentação ao setor ofensivo. Beto da Silva é outro que mostra em campo que merece uma sequência de jogos. Contra o Fluminense fez o gol da vitória e domingo deu uma assistência decisiva. Diante de um ineficiente Jael que possui 11 jogos e nenhum gol com camiseta tricolor, não é absurdo reivindicar uma sequência de jogos ao peruano de 20 anos.

Até a final da Libertadores serão mais quatro jogos. Quatro jogos para azeitar o time e testar alternativas para prováveis dificuldades diante dos argentinos do Lanús. No primeiro treinamento de luxo, o coelho na cartola de Renato atende pelo nome de Everton.

Tabela

Com a vitória o Grêmio subiu para o terceiro lugar com 54 pontos. Já o Flamengo fica na sétima colocação com 47. Na próxima rodada, o tricolor viaja a Campinas para enfrentar a Ponte Preta, na quarta-feira (8), às 19h30min. Já o Flamengo recebe o Cruzeiro no Rio de Janeiro também na próxima quarta, às 21h45min.

Saúde pós-Copa

13/02/2017

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Novas UPAs e o aumento de leitos no SUS foram promessas para a realização da Copa do Mundo em Porto Alegre (Foto: Nândria Oliveira / Secretaria Estadual da Saúde)

Luiza Fritzen
luizafritzen@hotmail.com

Três anos após a realização da Copa do Mundo no Brasil, ainda não foram finalizadas as obras propostas para o evento em Porto Alegre, cidade-sede dos jogos. Além das adequações e melhorias em mobilidade urbana, outro item que não foi devidamente concluído foram os reparos na saúde. Os dados revelados pelo relatório após a realização do evento mostram que os atendimentos seguiram o padrão prometido para a data, mas o legado ainda é de déficit na área.

Responsável pelo planejamento e controle dos projetos desenvolvidos para a realização do mundial em Porto Alegre, a Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa) tinha como meta contemplar as exigências da FIFA em relação às cidades-sede. Dentre elas, ampliar o número de leitos hospitalares no SUS, otimizar as instalações já existentes em hospitais públicos e privados, reformar o Hospital de Pronto Socorro (HPS) e implementar novas Unidades de Pronto Atendimento, as UPAs, como são conhecidas.

Apesar de a organização ter iniciado em 2011 com a criação da Câmara Temática da Saúde, muitos dos projetos sequer saíram do papel. O objetivo do órgão era contemplar e organizar serviços de urgência e emergência em atendimentos hospitalares e nas Unidades de Pronto Atendimento, as chamadas UPA’s.

Em Porto Alegre foram prometidas mais cinco dessas Unidades até o segundo semestre de 2014, o que incluía o Hospital da Restinga, o Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul, a transformação dos Prontos Atendimentos Bom Jesus e Lomba do Pinheiro em UPAs e a construção da UPA do Partenon-Bento Gonçalves, que segue hoje como obra fantasma. Ainda que construídas, as outras unidades de UPAs não estão funcionando ao nível padrão FIFA.

O Hospital da Restinga foi construído, mas o atendimento à população é precário. A falta de recursos tanto do Município, Estado e Governo, acarreta em superlotação e baixa estrutura para atender casos graves. Um exemplo disso é a ausência de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e do Centro Cirúrgico. O Hospital até mesmo já sofreu com a falta de profissionais para trabalhar na região.

Outro posto de saúde que enfrenta dificuldades é o Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul, situado na Vila Cruzeiro, Zona Sul de Porto Alegre. No entanto, a falta de recursos não é a principal causa que acarreta o fechamento do local e a suspensão de atendimentos. É devido a forte onda de violência do bairro que o posto fecha suas portas. No entanto, o problema é recorrente em outras zonas da cidade e interrompe consultas realizadas no posto da Bom Jesus. Logo, o que se percebe é que a iniciativa que deveria desafogar os grandes hospitais do município não cumpre seu objetivo mesmo após mais de trinta meses após os jogos da Copa.

Outra promessa, a ampliação do número de leitos no SUS não configura com a realidade gaúcha. Até janeiro de 2012, 133 leitos hospitalares adicionais seriam incorporados ao sistema dos hospitais Vila Nova, Beneficência Portuguesa e Luterano. Além disso, havia sido estipulado um aumento de mais de 800 leitos na Capital em até três anos.

De acordo com o site da Secretaria de Atenção à saúde, em fevereiro de 2012 havia 5.302 leitos em Porto Alegre, número que passou para 5.548 em junho de 2014, mês da Copa do Mundo. Contudo, em dezembro de 2016, o sistema registra uma queda que chega aos 5.290 leitos. Essa diminuição de deve a restrição de atendimentos oferecidos em santas casas e hospitais filantrópicos em todo o estado do Rio Grande do Sul devido aos cortes de verbas destinadas ao setor feito pelo governador do Estado, José Ivo Sartori.

Prioridade para o Mundial Fifa, a modernização do Hospital Pronto Socorro também não foi concluída. A obra, iniciada em 2010, teve problemas devido à empresa responsável pela construção, que alegou dificuldades ao contratar mão de obra especializada para alguns serviços do setor, o que teria afetado o andamento da obra.

Além disso, a falta de pagamento e o atraso do salário dos operários impediu que o hospital ficasse pronto a tempo dos jogos. O setor mais atrasado foi o da recepção do hospital, o que acarretou transtorno na região. Localizado entre as avenidas Osvaldo Aranha e Venâncio Aires, tanto pacientes como quem circulava pela região se viam impedidos de transitar pelo local graças aos materiais e a estrutura da obra.

Divididas em várias etapas, as obras do HPS têm previsão de conclusão total para o segundo semestre de 2018. Ao todo, serão investidos cerca de cerca de R$ 60 milhões, dos quais 85% serão bancados pela Prefeitura e o restante pela União. O custo elevado se deve ao fato de que todas as unidades estão sendo modernizadas, o que inclui novas estruturas de água e esgoto, rede elétrica e de dados, bem como sistema de ar-condicionado e a reforma de portas, janelas, móveis, elevadores e a pintura do prédio.

O que fica evidente é que os aspectos e medidas que, de fato, funcionaram para a Copa do Mundo 2014 foram os atendimentos prestados a quem veio visitar assistir aos jogos e conhecer a cidade. Durante os jogos, mais de 350 mil turistas passaram pela Capital gaúcha. Para a ocasião, foi estipulado que os estrangeiros que necessitassem de atendimento deveriam ser encaminhados para duas unidades: o Hospital Pronto Socorro (HPS) e Presidente Vargas.

A medida foi articulada para atender desde os casos mais simples até emergências, de forma que não afetassem os atendimentos de rotina. Ao HPS, coube ser a unidade referência para atendimentos de traumas, ferimentos graves, dentre outros, e ao Hospital Materno-Infantil Presidente Vargas servir como referência para atendimento pediátrico.

Também foram previstas dez unidades a mais de ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), com equipes completas durante os cinco dias de jogos em Porto Alegre e quatro unidades nos demais dias, o que envolveu 400 profissionais da área.

A ideia inicial era montar uma estrutura que fosse capaz de promover até 30 mil atendimentos emergenciais de saúde, assegurando não só o atendimento aos visitantes como também reforçar a assistência médica aos moradores da região.

Segundo dados do site da Secretaria da Saúde do Estado, até o dia 29 de junho de 2014, foram realizados 665 atendimentos. Destes 206 foram feitos no Estádio Beira-Rio, 310 na Fanfest, 149 no Centro de Saúde Modelo. Além disso, foram registradas 34 remoções com o uso de ambulâncias. Segundo o site, ainda, a maior parte dos atendimentos foi relacionada a queixas clínicas.

Para o governo do Estado, o que a copa deixa como legado na área da saúde é o trabalho conjunto dos gestores públicos municipais, estadual e federal e o trabalho interfederativo do Sistema Único de Saúde (SUS) no âmbito da Vigilância Sanitária. Relatórios técnicos apontam que foram realizadas 600 inspeções sanitárias durante os jogos em serviços de alimentação, serviços de saúde, ambulâncias, instalações sanitárias e serviços de abastecimento de água.

Mas a realidade de quem depende de postos de saúde vai além dos dados e, após o congelamento dos investimentos com saúde e educação aprovados a nível federal, as perspectivas sobre a saúde, tanto no país como no estado, não são positivas.

Brasil, tetracampeão no futebol de cinco

13/02/2017
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Time comemora após vitória contra China na semifinal (Foto: Agência Brasil)

Juliana de Brites Lima
julianaedebrites@gmail.com

No dia 17 de setembro de 2016, o Brasil confirmou mais uma vez sua hegemonia no futebol paralímpico, quando venceu a final contra o Irã e conquistou mais uma medalha de ouro. Na jornada paralímpica até o ouro, a seleção venceu o Marrocos por 3×1, a Turquia por 2×0 e já havia enfrentado o Irã, numa partida empatada sem gols. Na semifinal, o Brasil enfrentou a China e venceu por 2×1, com o gol de virada marcado por Jefinho. A final do futebol de cinco quase foi o clássico sul-americano contra a Argentina, mas o time iraniano venceu os argentinos marcando dois gols.

O time árabe foi um adversário difícil, pois tinha uma defesa firme e bem postada, não tenho sofrido nenhum gol durante os jogos, até a final contra o time brasileiro, com um gol marcado por Ricardinho aos 12 minutos do primeiro tempo. Para marcar, Ricardinho avançou pela esquerda, avançou pela defesa em diagonal e chutou forte e rasteiro para marcar.

O técnico Fábio Vasconcelos já havia orientado o time que o goleiro iraniano, Meysam Ojaeiyan, é alto e bom defensor, e que deveriam chutar baixo para ter mais chances de marcar. Obediente, foi assim que Ricardinho marcou e garantiu a vitória para o Brasil. Após o gol, o Irã tentou investir mais no ataque, mas não conseguiu jogadas de efeito, e o Brasil continuou dominando a partida. Ao conseguirem apenas uma boa finalização, o goleiro Luan evitou um empate aos nove minutos do segundo tempo.

Com a vitória certa e faltando apenas um minuto para o fim da partida, a torcida brasileira já gritava “é campeão!” nas arquibancadas. No pódio, ao lado do Brasil, o Irã conquistou a prata e a Argentina, o bronze. “É um detalhe, são jogadores que decidem. E hoje a humildade. Fizemos o gol e fomos lá para trás. O que vale é o campeonato”, declarou o técnico Fábio Vasconcelos após a vitória.

Hegemonia brasileira

Podemos dizer que a seleção do futebol de cinco, composta por Ricardinho, Jefinho, Cássio, Nonato e Luan, é o “Dream Team” paralímpico. Desde que o esporte foi incluído nos Jogos Paralímpicos, em Atenas-2004, o Brasil acumula 15 vitórias, seis empates, 41 gols e apenas quatro sofridos, e nunca teve uma derrota. Em Londres-2012, após ganhar o terceiro ouro consecutivo, a seleção paralímpica recebeu o prêmio do Paralympic Sports Awards, do Comitê Paralímpico Internacional.

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Seleção paralímpica no pódio, em Londres, em 2012 (Foto: Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais)

Conheça o futebol de cinco

O esporte é praticado por atletas cegos ou com a visão parcialmente debilitada e, segundo os primeiros registros dessa modalidade, surgiu na Espanha, por volta de 1920. No Brasil, é praticado desde os anos 1950. Os atletas são classificados em B1 (cegos totais ou com percepção de luz), B2 (com percepção de vultos) e B3 (conseguem definir imagens). O futebol de cinco é modalidade paralímpica desde 2004 e o time brasileiro é o único campeão.

Os jogos são disputados em quadras com as medidas de quadras de futsal. Os atletas usam vendas, para garantir igualdade de condições de disputa a todos, e o goleiro é o único que enxerga normalmente. As partidas têm dois tempos de 25 minutos, com 10 minutos de intervalo. E a bola do futebol de cinco tem um guiso no seu interior, para guiar os jogadores, e, para isso, é necessário silêncio nas arquibancadas.

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(Foto: Brasil 2016)

Mobilidade urbana: uma realidade possível graças à Copa do Mundo de 2014

05/02/2017
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Acima, ilustração de como seria a Avenida Padre Cacique; abaixo, obra finalizada (Foto: PMPA)

Marihá Gonçalves
mariha_tk@hotmail.com

Há sete anos, quando Porto Alegre foi uma das doze escolhidas para sediar a Copa do Mundo de 2014, começava uma batalha contra o tempo para cumprir os cronogramas estabelecidos pela Fifa para a cidade receber os jogos. Entre as exigências, dez grandes obras de mobilidade urbana estavam previstas, entre elas a construção do Viaduto sobre a Avenida Bento Gonçalves, a duplicação da Avenida Tronco e o Viaduto sobre as avenidas Padre Cacique e Edvaldo Pereira Paiva. Hoje, estas são algumas das obras prometidas e algumas concluídas que fazem do legado da Copa uma realidade possível.

O secretário da gestão de José Fortunati, Urbano Schmitt, viu a oportunidade de a administração municipal obter recursos do Governo Federal e com isso trazer mais infraestrutura para a cidade. Em janeiro de 2010, as verbas conquistadas somaram R$ 423,7 milhões. Já em 2012, em novo acordo com o Governo Federal os valores foram fechados em aproximadamente R$ 888 milhões, destinados às obras de mobilidade urbana.

Iniciadas em julho de 2010, as obras do entorno do Beira Rio, contemplam as Avenidas Padre Cacique e Edvaldo Pereira Paiva, caminho que constitui uma das principais alternativas para ligar a Zona Sul ao Centro da cidade. Na tentativa de desafogar o tráfego nos dias de jogos, criou-se o Viaduto Pinheiro Borba. O resultado positivo são os 5,8 km de pistas duplicadas, no trecho entre a Usina do Gasômetro e a Rótula das Cuias que facilitam o trânsito nos horários de pico naquela área.

Com um mês de atraso, as obras no entorno do Beira Rio foram concluídas antes dos primeiros jogos.

Dois anos à frente, iniciou-se em 2012 e teve conclusão prevista para maio de 2014 o Viaduto sobre a Avenida Bento Gonçalves foi entregue só em Junho de 2016. Segundo a Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov), as obras do viaduto que liga as avenidas Salvador França e Coronel Aparício Borges tiveram investimento no valor de R$ 69,6 milhões. Foram construídas seis faixas de tráfego, que somam uma extensão total de 540 metros.

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Acima, obra da Av. Bento Gonçalves em fase de construção; abaixo, ilustração da obra finalizada (Foto: G1 RS e PMPA)

Outra obra que iniciou em 2012, mas que ainda não teve conclusão, é a duplicação da Avenida Tronco. O processo desta obra envolve o reassentamento de 1.550 famílias de três bairros e cinco comunidades da cidade.

Segundo a Prefeitura Municipal de Porto Alegre, 1.324 famílias acertaram a construção da nova moradia pelo programa Minha Casa, Minha Vida, ou optaram pelo aluguel social, na mesma região. Schimitt ressalta que a prioridade da prefeitura é solucionar e dar segurança aos moradores da região.

O maior problema para as famílias é a necessidade de reassentamento sem as condições apropriadas. Nem todas conseguiram obter um imóvel na região com o valor de R$ 52 mil que foi disponibilizado, por isso, muitas delas acabaram migrando para outras cidades.

Aos que optam pelo aluguel social, os entraves são outros, como colocar a residência locada no próprio nome, obter fiador e pagar cauções. Mas o valor repassado pela prefeitura, muitas vezes, não cobre o novo aluguel.

O planejamento da capital para receber a Copa previa que as obras feitas na Tronco facilitariam o desvio de fluxo de veículos nas áreas fechadas em volta do estádio Beira-Rio nos dias dos cinco jogos do mundial em Porto Alegre. A rota alternativa entre Norte e Sul de Porto Alegre pretende ligar a Terceira Perimetral ao Hipódromo do Cristal.

A Prefeitura informou que a conclusão das obras na Avenida Tronco está prevista para o final de 2017.

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Avenida Tronco finalizada (Foto: PMPA)

Não há como não perceber os frutos que a Copa do Mundo de 2014 trouxe para Porto Alegre, os bons e os ruins. Os ganhos de mobilidade urbana a cada dia aparecem em um canto da cidade. A maioria das obras previstas para a Copa só ficou pronta depois do mundial, refletindo o nome que tem: legado, algo que foi deixado de herança.

Uma noite de sonho

05/02/2017
Grêmio é penta campeão da Copa do Brasil |

Festa na Avenida Goethe (Foto: Emmanuel Denaui)

Rafael Sant’Anna Conceição
santanna.raf@gmail.com

No dia 7 de dezembro de 2016, o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense deu fim ao jejum de 15 anos sem títulos nacionais, após empatar em 1 a 1 com o Clube Atlético Mineiro e sagrar-se pentacampeão da Copa do Brasil.

Iniciada às 21h45, a final disputada na Arena do Grêmio, em Porto Alegre, contou com o maior público na história do estádio: 55.337 mil torcedores. A Brigada Militar estimou que cerca de 20 mil pessoas acompanharam a decisão nos arredores da Arena. Na avenida Goethe, aproximadamente 85 mil gremistas assistiram ao jogo em telões instalados na via. Naquela noite, a capital registrou 29ºC e tempo seco. A pouca incidência de nuvens evidenciava o céu estrelado.

A torcida

As vias que cercam a Arena do Grêmio começaram a receber torcedores durante a madrugada de quarta-feira – muitos vindos do interior gaúcho. O movimento começou a se intensificar a partir do meio-dia, com a chegada das torcidas organizadas.

Bumbo preso no peito, uma baqueta em cada mão, camiseta do Grêmio amarrada na cabeça, corpo encharcado de suor e forte hálito de cerveja. Este é o farmacêutico Pedro Guimarães Zanotto, de 28 anos, integrante da Geral do Grêmio e um dos milhares de gremistas que aguardavam ansiosamente para entrar na Arena.

“Tô aqui desde às nove da manhã e vou ficar acordado até às nove da manhã de sexta-feira se o Grêmio for campeão”, prometeu, corajosamente, às 15h de quarta-feira.

No fim das contas, o Tricolor foi campeão, porém, infelizmente, a promessa não pôde ser cumprida. Na manhã de quinta-feira, Pedro foi internado no Hospital de Pronto Socorro com suspeita de coma alcoólico. Ele sobreviveu.

“Não me arrependo de nada”, me disse no WhatsApp, alguns minutos após acordar no seu leito.

Pedro tinha apenas 13 anos quando o Grêmio conquistou seu último título de expressão – justamente a Copa do Brasil de 2001, após vitória por 3 a 1 sobre os Corinthians, no Morumbi. Comemorar um título após 15 anos tem suas desvantagens.

O verdadeiro significado desta final, porém, só era encontrado nos olhos de dois tipos de torcedores: os antigos, que acompanharam e lembram vividamente dos períodos de glória do clube, e os jovens, que nunca viram o Grêmio conquistar uma taça significativa.

Fora do estádio, Maria Clara Ribeiro, nove anos, cantava a plenos pulmões o hino do Grêmio, enquanto aguardava para presenciar a primeira final do time que colore o seu pequeno coração. Dentro, o aposentado Ricardo Souza, 73 anos, chorava, emocionado pela atmosfera do palco tricolor.

“Confesso, achei que não viveria para ver o Grêmio campeão novamente”, declara.

Assim como Maria Clara, milhares de jovens gremistas presentes à Arena tiveram, ontem, sua primeira alegria no futebol. Torcedores como os irmãos Ricardo e Fernanda Ritter, de 15 e 13 anos, respectivamente. Estes que fazem parte da geração de tricolores que nunca haviam visto o Grêmio erguer uma taça digna de sua grandeza. Para eles, a noite foi ainda mais especial.

“Eu não sei descrever o que estou sentindo agora. Acho que eu nunca estive tão feliz na minha vida”, diz Ricardo, poucos minutos após o apito final.

Conforme a partida se aproximava do desfecho, todos os gremistas que estavam na Arena se uniram em uma só voz, um só sentimento.

“Se emoção e nervosismo matassem, eu já estaria morto”, confessa Ricardo, o velho gremista.

Mas Ricardo viveu, aguentou até o apito final e voltou a ver o Grêmio ser Grêmio.

Quando a Copa do Brasil encontrou seu fim, os limites da Arena transbordaram lágrimas de alegria, sorrisos largos e cânticos ensurdecedores. Após 15 anos de (não tão) paciente espera, o Grêmio voltou. Aquele Grêmio dos jovens e velhos, daqueles que tinham saudades de uma volta olímpica e de quem nunca viu um capitão gremista erguer uma taça nacional. O Grêmio dos azuis, dos pretos e dos brancos.

O jogo

Gremio x Atletico-MG

Pré-jogo na Arena do Grêmio (Foto: Rafael Sant’Anna Conceição)

A final foi regada por lágrimas do início ao fim. Primeiro, de tristeza, Depois, da mais pura alegria. Na Arena, o mar azul, preto e branco só era navegado por mais uma cor: o verde da Chapecoense. Por respeito ao time catarinense, milhares de torcedores foram ao jogo com a camisa da Chape. Nenhum caixão vermelho entrou no estádio e o minuto de silêncio foi respeitado por todos os presentes.

Antes de o jogo começar, todos se comoveram com as homenagens aos mortos na tragédia da Chapecoense. Em cada canto da Arena, era vista uma referência àqueles que perderam a vida.

Em campo, o Grêmio mostrou que seu principal interesse era manter o Galo sob controle. E conseguiu. No primeiro tempo, o ótimo setor ofensivo dos mineiros só foi capaz de acumular duas cabeçadas para fora, além de alguns chutes de média e longa distância – todos sem perigo.

O Grêmio se ateve a conter o adversário – para conservar a enorme vantagem conquistada no primeiro jogo, vitória por 3 a 1 em pleno Mineirão – e aguardar pela oportunidade de matar o jogo. E ela veio.

Aos 35 minutos, Douglas, de letra, deu um passe magistral para Everton, colocando o jovem atacante gremista frente a frente com o goleiro Victor. Por pura falta de experiência, o garoto concluiu na direção do experiente arqueiro, que defendeu. Porém pouco importou. Naquela altura, o jogo já estava absolutamente sob o controle dos comandados de Renato Portaluppi.

No segundo tempo, aumentava gradativamente o desespero dos atleticanos, que se jogaram ao ataque e passaram a deixar espaços colossais no setor defensivo. Cada contra-ataque gremista era uma chance de gol. Nas arquibancadas, todos estavam de pé, como se pressentissem a iminência do gol do título. Ramiro chegou a marcar, mas teve seu gol anulado por impedimento. Não fez falta.

Aos 44 minutos, nada foi capaz de parar o contra-ataque puxado por Miller Bolaños. Ele arrancou pela direita e tocou para Luan, que lançou Everton no lado esquerdo. Desta vez, o garoto foi perfeito. Arrancou em velocidade, driblou o zagueiro Gabriel e cruzou rasteiro para dentro da grande área. A bola encontrou o pé esquerdo de Miller, que estufou a rede. No placar agregado, 4 a 1. Acabou.

Pouco depois, o equatoriano Cazares empatou a partida com um gol antológico, chutando antes da divisa do meio-campo e encobrindo Marcelo Grohe. Mas poucos foram os torcedores presentes que repararam essa pintura. Nada mais importava. O Grêmio era campeão.

Foi uma noite de sonho, esta vivida pelos azuis, pretos e brancos, na noite quente do dia 7 de dezembro de 2016.