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Harmonia 合, energia 気, caminho 道: conheça a história da arte da paz.

17/07/2019

Por Andielli Silveira

 

Já pensou em um esporte sem competitividade ou que não busque a vitória? Pois esses são alguns dos princípios do Aikido, arte marcial japonesa que chegou ao Brasil em 1963. No período pós-Segunda Guerra, o Aikido foi concebido a partir da união entre estudos marciais e técnicas espirituais desenvolvidas através da meditação, com o objetivo de se diferenciar das lutas criadas por Samurais, cujo objetivo era destruir o oponente. No Aikido, a harmonia é o propósito. 

Os praticantes, chamados de aikidokas, buscam a não-agressão a fim de resolver o conflito. Um aikidoka nunca se opõe ao golpe de outro, e sim absorve o movimento do oponente para controlar suas ações com o mínimo esforço, neutralizando-o. Como não há uma relação de vitória entre os participantes, o Aikido não promove torneios ou competições. A prática visa apenas o resultado pacífico e a superação das dificuldades e dos medos dos participantes. Não há combates: a arte foi criada apenas para ser utilizada como recurso de defesa pessoal. E como filosofia de vida. 

O compromisso com a resolução pacífica de conflitos e com o autocontrole físico e mental através da dedicação ao treino, com o objetivo de autoconhecimento, são as duas regras basilares da prática. Nela, são trabalhadas questões como a atenção, a respiração, o olhar e a atitude. O aikidoka aprende a controlar sua agressividade, em busca de um equilíbrio entre corpo e mente, de autoconfiança, de serenidade e de bem-estar. 

Fisicamente, o Aikido melhora a capacidade aeróbica, a flexibilidade, a resistência dos músculos e a coordenação motora. Já psicologicamente, diminui o nível de estresse, melhora a concentração, a disciplina e a intuição. Além disso, é visto como uma arte de aprimoramento do espírito, através do refinamento da técnica, pois, para os antigos guerreiros, não havia diferença entre o mundo físico e espiritual. Para o psicólogo e professor de Aikido, Francisco Trindade, a prática pode ser grande aliada na melhoria da saúde mental, a partir das relações que são estabelecidas e do desenvolvimento de um autocuidado. 

 

Algumas regras

  • Os alunos devem seguir os ensinamentos do seu Sensei (mestre) e não devem competir entre si para saber quem é o mais forte.  Segundo o fundador do Aikido, Morihei Ueshiba, “a vitória verdadeira é a vitória sobre si mesmo”. 
  • Quando alguém entra ou sai do Dojo (local onde se pratica o Aikido) e do Tatami (piso do Dojo que absorve o impacto das quedas) deve fazer uma reverência em direção ao Kamiza (local onde se encontra o Kami, o Deus). A saudação ao mestre também é necessária no começo e no final dos treinos, dessa vez ajoelhado.
  • Não se deve exigir de um parceiro de luta mais do que ele pode aguentar. A consciência de suas limitações e das limitações dos adversários faz parte do Aikido. 
  • O Dogi (uniforme) é um símbolo de disciplina e portanto deve estar sempre limpo. Nunca se deve cruzar os braços nem dobrar as mangas do seu Dogi, pois isso é sinônimo de desavenças. 

 

andielli

Seminário Internacional de Aikido com Seki Sihan Set em Porto Alegre, 2017. 
Créditos: Acervo do Instituto Sul-Brasileiro de Aikido

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