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eSports conquistam maior reconhecimento como atividades esportivas profissionais no Brasil

21/12/2017

Erick Gomes

Com cyberatletas ranqueados entre os melhores do mundo e o surgimento de novos profissionais especializados, diferentes modalidades de esportes eletrônicos vão ganhando cada vez mais espaço na mídia.

Times organizados, com uniformes e vários patrocinadores de peso. Treinamentos intensos, que compõem quase o dia inteiro da rotina de atletas. Centenas de campeonatos anuais ao redor do mundo, com altas premiações. Estas são só algumas das características de uma das modalidades esportivas que mais cresce no Brasil e no mundo: os eSports.

Quem acredita que passar horas na frente de um computador ou de um console de jogos é apenas um divertimento para jovens nerds está enganado. O mercado dos esportes eletrônicos nos últimos anos tem tido um enorme crescimento rapidamente, trazendo consigo não só a profissionalização dos cyberatletas, como também a criação de novas profissões. Streamers, managers e donos de organizações, além de produtores de vídeos e jornalistas especializados são alguns dos novos profissionais que estão surgindo neste ramo, muito por conta do grande número de pessoas que procuram informações sobre o mundo dos games.

Entretanto, ainda existe um receio por parte das pessoas em considerar os tipos de eSports como práticas esportivas. A streamer iniciante e estudante de enfermagem Ana “LaDiva” Vieira comenta que isso existe pois os jogos eletrônicos sempre foram considerados coisas de criança, mas os adultos de hoje que são Pro Players eram as crianças de décadas passadas, que continuaram jogando. “Sempre vai ter aquela história que joguinho não é profissão, mas está circulando muita grana e empregos nisso com patrocínio, com montagens de eventos e campeonatos, transmissões pela televisão e prêmios nos torneios”, explica Ana.

O streaming como diversão e fonte de renda

A estudante começou a fazer transmissões de diversos jogos em agosto deste ano. Os streamings de campeonatos e partidas de jogos são feitos através da plataforma Twitch, principal site utilizado pelos esportes eletrônicos. Com a maioria dos seus streams sendo sobre League of Legends e Counter Strike: Global Offensive, Ana não começou o trabalho buscando renda, mas sim por gostar de jogar e da interação com a audiência. As transmissões são realizadas através da criação de uma conta no Twitch e a instalação do software de transmissão, e ocorrem quando o streamer está jogando. O público que se interessar pelo stream verá a partida e, a partir disso, começará a comentar o jogo. A audiência das transmissões pode ser formada por seguidores ou por assinantes – subscribers, que pagam R$4,99 por mês -, que podem doar qualquer valor para o streamer, além de receber vantagens, como jogar junto e participar de sorteios de itens de jogos.

Existem também os chamados hosts ou ganks, que acontecem quando streamers com maior público transmite a live de um streamer iniciante como forma de divulgação e popularização. “A comunidade da Twitch é bem assim, pessoal tá sempre ajudando quem tá começando”, comenta Ana. LaDiva conta que já fez streaming pra mais de 300 pessoas com o host que recebeu, mas normalmente a sua média é de 10 a 40 pessoas, considerando o ideal atingir pelo menos 100 seguidores. O tempo de duração das transmissões normalmente dura entre 4 a 8 horas, sendo comum entre streamers profissionais passar de 8 horas quase diariamente. A remuneração destes profissionais, além de vir das doações e inscrições, é feita a partir dos patrocínios e propagandas que passam durante a stream. Existem também aqueles que fazem 24 horas de transmissão uma vez por mês, contando com conversas e brincadeiras além das partidas dos jogos.

Bruno Eugênio também viu uma oportunidade de trabalho no streaming. Conhecido principalmente pelo seu apelido “Amarelito”, Bruno é produtor de conteúdo sobre games e humor desde 2007, e em 2012 surgiu a oportunidade de trabalhar como editor no blog LeNinja, um dos nomes mais populares da blogosfera. Começou a fazer lives em agosto de 2015, inicialmente com jogos de terror. Em seguida, passou a se dedicar exclusivamente a transmissão de League of Legends. “Foi questão de começar, receber as críticas nos vídeos e ir buscando uma interação maior com o público que comecei a fazer lives. Acabei conhecendo a comunidade e mergulhei de cabeça. Posso ficar um tempo sem fazer lives, masquando volto, a recepção do público é sempre uma coisa única”, explica Amarelito. Seus streams atingem entre 1200 e 1500 viewers.

Mais espaço na mídia e reconhecimento

Apesar da cobertura dos jogos eletrônicos ser feita principalmente pela internet, os principais canais de televisão dedicados a esportes já transmitiram grandes campeonatos de eSports, e estão abrindo mais espaço para os games na sua programação. Atualmente, o canal ESPN+ conta com três programas semanais dedicados ao segmento e transmite a ESL Brasil Premier League – competição com equipes brasileiras de diferentes modalidades -, o canal Esporte Interativo transmite os torneios de Counter Strike: Global Offensive, e o canal SporTV traz em sua programação os principais campeonatos de League of Legends. Os dois jogos são considerados os mais populares no universo gamer, cada um movimentando mais de 4 milhões de dólares em premiações para os campeões das suas mais de 200 competições profissionais. LoL e CS:GO, como são popularmente conhecidos, possuem, respectivamente, 1616 e 2114 jogadores profissionais ativos e extremamente dedicados, dentre os quais os brasileiros se destacam. De acordo com o ranking de 2017 da HLTV.org – a classificação mais respeitada de eSports -, a equipe brasileira SK Gaming é considerada atualmente o melhor time do mundo de CS:GO.

O Brasil também já foi sede de importantes competições de modalidades de esportes eletrônicos. No dia 21 de maio de 2017, a cidade do Rio de Janeiro foi escolhida pela Riot Games para sediar a final do Mid-Season Invitational, torneio mundial de League of Legends. No Rio Grande do Sul, Porto Alegre já foi sede da Série dos Campeões da Liga Brasileira de League of Legends, nos dias 26 e 27 de abril de 2015.

A atenção que o eSport está ganhando chegou ao ponto de o co-presidente do comitê das Olimpíadas de 2024, Tony Estanguet, admitir ter o interesse de trazer os jogos para o evento, que ocorrerá em Paris. Em entrevista na China em agosto deste ano, o presidente do Comitê Olímpico Internacional, Thomas Bach, declarou que os eSports serão bem vindos nos Jogos Olímpicos, mas para isso será necessário a criação de regras para que a modalidade possa seguir os padrões olímpicos. Bach ainda deixou bem claro que os jogos violentos não terão vez no evento.

Primeira premiação de e-Sport do Brasil acontece na próxima segunda

A empresa de negócios esportivos GO4It, em parceria com o Grupo Globo e a Claro, lançou em novembro o Prêmio eSports Brasil, primeira premiação dedicada ao segmento dos esportes digitais no país. Com 4 categorias decididas pelo voto do público e 11 categorias técnicas, escolhidas por um júri composto por 34 especialistas, o evento será transmitido pela SporTV na próxima segunda, dia 19 de dezembro.

O ex Pro Player de Smite e estudante de geografia, Gianlucca “qe3q” Severo, considera a premiação muito importante pelo reconhecimento que traz ao e-Sport. Gianlucca, que atuou nas posições de caçador e Mid pela organização INTZ de 2014 a 2017, parou de jogar após o mundial de janeiro para se dedicar aos estudos. Já Bruno Eugênio, editor do LeNinja, vê o prêmio como uma apresentação deste segmento recente, fazendo com que as grandes marcas passem a conhecer mais o universo dos jogos. “Tendo um prêmio que mostre a importância dos jogadores e outras personalidades, facilita essa aceitação. Consequentemente, todos ganham dinheiro para investir e fazer o cenário ficar ainda mais forte”, explica Bruno.

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