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Saúde pós-Copa

13/02/2017

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Novas UPAs e o aumento de leitos no SUS foram promessas para a realização da Copa do Mundo em Porto Alegre (Foto: Nândria Oliveira / Secretaria Estadual da Saúde)

Luiza Fritzen
luizafritzen@hotmail.com

Três anos após a realização da Copa do Mundo no Brasil, ainda não foram finalizadas as obras propostas para o evento em Porto Alegre, cidade-sede dos jogos. Além das adequações e melhorias em mobilidade urbana, outro item que não foi devidamente concluído foram os reparos na saúde. Os dados revelados pelo relatório após a realização do evento mostram que os atendimentos seguiram o padrão prometido para a data, mas o legado ainda é de déficit na área.

Responsável pelo planejamento e controle dos projetos desenvolvidos para a realização do mundial em Porto Alegre, a Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa) tinha como meta contemplar as exigências da FIFA em relação às cidades-sede. Dentre elas, ampliar o número de leitos hospitalares no SUS, otimizar as instalações já existentes em hospitais públicos e privados, reformar o Hospital de Pronto Socorro (HPS) e implementar novas Unidades de Pronto Atendimento, as UPAs, como são conhecidas.

Apesar de a organização ter iniciado em 2011 com a criação da Câmara Temática da Saúde, muitos dos projetos sequer saíram do papel. O objetivo do órgão era contemplar e organizar serviços de urgência e emergência em atendimentos hospitalares e nas Unidades de Pronto Atendimento, as chamadas UPA’s.

Em Porto Alegre foram prometidas mais cinco dessas Unidades até o segundo semestre de 2014, o que incluía o Hospital da Restinga, o Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul, a transformação dos Prontos Atendimentos Bom Jesus e Lomba do Pinheiro em UPAs e a construção da UPA do Partenon-Bento Gonçalves, que segue hoje como obra fantasma. Ainda que construídas, as outras unidades de UPAs não estão funcionando ao nível padrão FIFA.

O Hospital da Restinga foi construído, mas o atendimento à população é precário. A falta de recursos tanto do Município, Estado e Governo, acarreta em superlotação e baixa estrutura para atender casos graves. Um exemplo disso é a ausência de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e do Centro Cirúrgico. O Hospital até mesmo já sofreu com a falta de profissionais para trabalhar na região.

Outro posto de saúde que enfrenta dificuldades é o Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul, situado na Vila Cruzeiro, Zona Sul de Porto Alegre. No entanto, a falta de recursos não é a principal causa que acarreta o fechamento do local e a suspensão de atendimentos. É devido a forte onda de violência do bairro que o posto fecha suas portas. No entanto, o problema é recorrente em outras zonas da cidade e interrompe consultas realizadas no posto da Bom Jesus. Logo, o que se percebe é que a iniciativa que deveria desafogar os grandes hospitais do município não cumpre seu objetivo mesmo após mais de trinta meses após os jogos da Copa.

Outra promessa, a ampliação do número de leitos no SUS não configura com a realidade gaúcha. Até janeiro de 2012, 133 leitos hospitalares adicionais seriam incorporados ao sistema dos hospitais Vila Nova, Beneficência Portuguesa e Luterano. Além disso, havia sido estipulado um aumento de mais de 800 leitos na Capital em até três anos.

De acordo com o site da Secretaria de Atenção à saúde, em fevereiro de 2012 havia 5.302 leitos em Porto Alegre, número que passou para 5.548 em junho de 2014, mês da Copa do Mundo. Contudo, em dezembro de 2016, o sistema registra uma queda que chega aos 5.290 leitos. Essa diminuição de deve a restrição de atendimentos oferecidos em santas casas e hospitais filantrópicos em todo o estado do Rio Grande do Sul devido aos cortes de verbas destinadas ao setor feito pelo governador do Estado, José Ivo Sartori.

Prioridade para o Mundial Fifa, a modernização do Hospital Pronto Socorro também não foi concluída. A obra, iniciada em 2010, teve problemas devido à empresa responsável pela construção, que alegou dificuldades ao contratar mão de obra especializada para alguns serviços do setor, o que teria afetado o andamento da obra.

Além disso, a falta de pagamento e o atraso do salário dos operários impediu que o hospital ficasse pronto a tempo dos jogos. O setor mais atrasado foi o da recepção do hospital, o que acarretou transtorno na região. Localizado entre as avenidas Osvaldo Aranha e Venâncio Aires, tanto pacientes como quem circulava pela região se viam impedidos de transitar pelo local graças aos materiais e a estrutura da obra.

Divididas em várias etapas, as obras do HPS têm previsão de conclusão total para o segundo semestre de 2018. Ao todo, serão investidos cerca de cerca de R$ 60 milhões, dos quais 85% serão bancados pela Prefeitura e o restante pela União. O custo elevado se deve ao fato de que todas as unidades estão sendo modernizadas, o que inclui novas estruturas de água e esgoto, rede elétrica e de dados, bem como sistema de ar-condicionado e a reforma de portas, janelas, móveis, elevadores e a pintura do prédio.

O que fica evidente é que os aspectos e medidas que, de fato, funcionaram para a Copa do Mundo 2014 foram os atendimentos prestados a quem veio visitar assistir aos jogos e conhecer a cidade. Durante os jogos, mais de 350 mil turistas passaram pela Capital gaúcha. Para a ocasião, foi estipulado que os estrangeiros que necessitassem de atendimento deveriam ser encaminhados para duas unidades: o Hospital Pronto Socorro (HPS) e Presidente Vargas.

A medida foi articulada para atender desde os casos mais simples até emergências, de forma que não afetassem os atendimentos de rotina. Ao HPS, coube ser a unidade referência para atendimentos de traumas, ferimentos graves, dentre outros, e ao Hospital Materno-Infantil Presidente Vargas servir como referência para atendimento pediátrico.

Também foram previstas dez unidades a mais de ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), com equipes completas durante os cinco dias de jogos em Porto Alegre e quatro unidades nos demais dias, o que envolveu 400 profissionais da área.

A ideia inicial era montar uma estrutura que fosse capaz de promover até 30 mil atendimentos emergenciais de saúde, assegurando não só o atendimento aos visitantes como também reforçar a assistência médica aos moradores da região.

Segundo dados do site da Secretaria da Saúde do Estado, até o dia 29 de junho de 2014, foram realizados 665 atendimentos. Destes 206 foram feitos no Estádio Beira-Rio, 310 na Fanfest, 149 no Centro de Saúde Modelo. Além disso, foram registradas 34 remoções com o uso de ambulâncias. Segundo o site, ainda, a maior parte dos atendimentos foi relacionada a queixas clínicas.

Para o governo do Estado, o que a copa deixa como legado na área da saúde é o trabalho conjunto dos gestores públicos municipais, estadual e federal e o trabalho interfederativo do Sistema Único de Saúde (SUS) no âmbito da Vigilância Sanitária. Relatórios técnicos apontam que foram realizadas 600 inspeções sanitárias durante os jogos em serviços de alimentação, serviços de saúde, ambulâncias, instalações sanitárias e serviços de abastecimento de água.

Mas a realidade de quem depende de postos de saúde vai além dos dados e, após o congelamento dos investimentos com saúde e educação aprovados a nível federal, as perspectivas sobre a saúde, tanto no país como no estado, não são positivas.

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