Skip to content

Vivendo pelo esporte

04/01/2017

 

foto0001-page-001

Eduardo no primeiro lugar em torneio realizado pela Ulbra (Foto: arquivo pessoal)

Gabriela Gil
gabrielagilsilveira@gmail.com

 

O judô é uma arte marcial esportiva, que se originou no Japão em 1882.  Quando foi criada pelo professor de Educação Física, Jigoro Kano, tinha como objetivo elaborar uma técnica de defesa pessoal, envolvendo não só o físico, mas também o espírito e a mente. No Brasil, a arte marcial chegou no ano de 1922, época em que Eduardo Soares ainda nem era nascido e nem imaginava que o esporte o mudaria por completo.

Início no judô e a paixão pelo esporte

Com 34 anos, atualmente Eduardo é personal trainer, mas o esporte sempre esteve presente na sua vida desde cedo. Começou a praticar com seis anos de idade, na escola onde estudava. “Eles fizeram uns testes com os alunos, então o professor, que iria se tornar meu professor durante o tempo todo, viu que eu tinha uma capacidade de assimilação de golpes numa peneira e acabei começando a praticar o esporte”, ele conta.

Sempre muito esportista, já se mostrava interessado pelo judô ainda quando criança. “Sempre fui bastante esportista, sempre gostei de esporte e ligado em tudo que é esporte. Comecei a praticar o judô logo quando o Aurélio Miguel foi campeão olímpico. E eu achava muito diferente porque parecia um xadrez, as coisas tinham que ser estudadas, aí me interessei. Sempre gostei de lutas japonesas, essas coisas”, relembra. O que também influenciou sua escolha pelo esporte foi o fato do judô não ser tão violento, e sim uma filosofia.

Lembranças da época de atleta

Muitas lembranças são guardadas, desde viagens para competições, amizades de quando começou no esporte e colegas do judô que também se tornaram professores de Educação Física, que Eduardo acaba encontrando nos congressos que vai.

A paixão pelo judô foi o grande incentivador na sua escolha profissional. “O judô ajudou a escolher minha profissão. Então, diante de tudo o que eu aprendi, no que eu vi os outros professores passar, tudo foi uma carga de conhecimento que veio junto comigo, em toda minha vida, na realidade. Influenciou muito na minha carreira e incentiva até hoje. Porque, como eu digo para os meus alunos: ‘eu só sei fazer isso’. Só sei fazer coisas ligadas ao esporte, vivo o esporte 24 horas do meu dia, sabe. Isso influenciou muito no meu desenvolvimento pessoal”.

As competições já participadas são muitas: “Sul-Americano, Brasileiro, Campeonato Citadino, Estadual, Copa Rio, Copa Petrobras, Circuito Litoral, Torneio Periquito, campeonatos bem grandes”, relembra Eduardo. São guardadas só boas lembranças, boas lembranças de amigos, boas lembranças de vitórias e também de derrotas.

Dificuldades e o fim da carreira como atleta

Adversidades também fizeram parte da vida do ex judoca. Eduardo chegou a ficar seis anos sem competir, por problemas no joelho e no ombro além de uma lesão que acabaram fazendo-o largar a vida de atleta.

Além dos problemas físicos, conciliar os treinos com os estudos também era outra complicação. “Nesse período de seis anos em que eu parei de competir era muito porque estava puxado. No início estava terminando o segundo grau, depois pegou uma ponta da faculdade. Aí foi logo quando eu era adolescente, comecei a sair e tudo mais, então dava uma diminuída na competição”, relembra Eduardo.

Ainda que tenha voltado para o judô quando estava terminando a faculdade, os problemas físicos foram os principais adversários do ex atleta. “Pra começar, muita lesão! E como eu trabalho com o corpo tenho que estar preparado, pelo menos um pouco inteiro para poder dar aula”, ele conta aos risos. “Então eu optei por parar de competir, também porque estava passando da idade. E até a idade que eu tinha era o limite para competir. Já tinha conseguido quase todas as competições, competido em quase tudo para o limite da minha idade. Depois daquilo, só se começasse a fazer competições para fora. Aí eu tinha que começar a trabalhar e começar a dar aula para exercer minha profissão. E como tive uma lesão no ombro na última competição, uma ruptura de ligamento parcial, optei por parar para não me machucar mais”.

Mesmo com todo amor pelo esporte, Eduardo não chegou a pensar em se tornar unicamente atleta. “É muito difícil, sabe. Porque o judô é um esporte caro, tu precisa ter um bom patrocínio ou alguma coisa que consiga te dar sustentabilidade fora do tatame. Não tinha isso na minha época. Começou a ter depois quando veio o Grand Prix, quando veio muito apoio da Petrobras, principalmente. Aqui no Rio Grande do Sul teve a fundação dos esportes que também começou a investir no judô porque viram que aqui era um foco muito grande”, ele conta. O investimento no esporte veio tardio e naquela época, Eduardo já tinha parado de competir a alto nível.

Incentivo do esporte e eventos olímpicos no Brasil

Eduardo percebe que hoje há um incentivo muito maior no judô. Tanto que a seleção fixa do esporte é patrocinada pelo governo. “É um foco muito grande de judô, então eles investem nessa categoria, neste esporte para o desenvolvimento. Tanto que é o esporte que mais traz medalhas a nível olímpico porque tem essa estrutura”. Uma estrutura que passou a se desenvolver de uns quinze anos para cá, segundo o ex judoca.

Para Eduardo, os eventos olímpicos ocorridos no Brasil vão influenciar e incentivar o aumento no esporte: “vai influenciar muito mais porque as pessoas tiveram contato com o esporte, sabe. Tiveram contato com esportes que nunca tinham visto na vida, e isso pega na cabeça da criançada principalmente”. Isso passa a incentivar as crianças a fazerem uma atividade, a participarem de competições, o que acaba mudando totalmente a cabeça e o desenvolvimento dessas crianças.

Mas há muito a ser trabalhado, principalmente nas escolas: “Eu, como professor de Educação Física, acho que o maior defeito da gente dentro das escolas é só querer proporcionar aos alunos jogarem bola. Quando eu trabalhei com crianças, fazia eles vivenciarem outros tipos de esportes dentro da escola. Porque não é só o futebol, tem outros esportes que têm que ser trabalhados. É dentro da escola que tu vai trazer os alunos ao atletismo, para o judô, para o tênis de mesa, para outros esportes que sejam olímpicos. A gente tem capacidade mas não tem incentivo. Porque, na escola, o esporte é um segundo caminho. Primeiro tu vai ali aprender Matemática, Geografia, Português, Ciências, etc., aí a Educação Física passa a ser um ‘momento de recreação’, e não é bem assim. A gente tem que trabalhar dentro da escola para poder desenvolver as crianças a terem contato com outros tipos de esportes que não sejam só futebol, vôlei e basquete”.

O esporte é visto apenas como segundo plano nas escolas e sempre há uma resistência quando pretendem mudar. “Tem que ser trabalhada dentro das escolas essas atividades físicas, esses esportes para poder aumentar a capacidade esportiva. A capacidade das crianças saírem lá de dentro, assim como eu saí de dentro do esporte. Saí de dentro de um colégio, em que um cara fez uma peneira e viu que tínhamos capacidade de ser atleta”. O questionamento que deve ser pensado é:  “Quantos outros alunos já passaram por outras escolas e não passaram por essa peneira, por esse trabalho? Quantos talentos a gente já perdeu aí dentro do Brasil?”.

Anúncios
No comments yet

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: