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No ritmo da ex-ginasta

04/01/2017
natalia-acervo-pessoal

(Foto: arquivo pessoal)

Isadora Aires
isadoragaires@gmail.com

Natália Scherer Eidt começou a praticar a Ginástica Rítmica com cinco anos em sua cidade natal, Santa Cruz do Sul. Com catorze, foi convocada e competiu pela Seleção Brasileira nos Jogos Olímpicos de Sydney. Hoje, com trinta, ela vive em São Paulo, cursa Educação Física e relembra sua trajetória, entre percalços e vitórias.

Como foi a tua trajetória na Ginástica Rítmica?

A minha trajetória foi longa, foram 13 anos na modalidade. Durante a Seleção Brasileira foi bastante conturbada, devido as muitas lesões que eu tive e ao problema de peso, já no final da minha carreira.

Como era a rotina e a dinâmica dos treinos?

Quando eu treinava em Santa Cruz do Sul, a minha rotina era de quatro a cinco horas por dia de treino, cinco vezes por semana. Depois, na Seleção, eram seis treinos por semana, de oito a dez horas de treino por dia. A gente começava com aquecimento breve e depois vinha a preparação física. Essa preparação era feita de formas diferentes, cada dia tinha um tipo diferente, a gente usava balé, força e flexibilidade e durava em média duas horas. Depois disso, a gente fazia a parte coreográfica, que ia de duas a três horas de treino. Então eram repetições das coreografias.

Quais as principais dificuldades que você enfrentou e quais foram as coisas boas que a Ginástica te trouxe?

As maiores dificuldades foram as minhas lesões, tive várias lesões enquanto eu treinava. Uma deixou sequelas, que foi a lesão na coluna que eu tenho que saber lidar até hoje, já que ela progrediu bastante. As outras lesões, na verdade, não refletem muito no dia a dia. A coisa boa foi o sucesso pessoal mesmo, de eu ter sonhos e ter atingido eles, ter conquistado o que eu conquistei. Eu considero que tive uma carreira muito bem sucedida, porque quando eu colocava uma meta eu a alcançava. Eu alcancei todas as metas que eu coloquei na minha vida, menos a de ir pra Olímpiadas de Atenas.

Quais diferenças que você vê no cenário da Ginástica no Brasil entre quando você começou a praticar e agora?

As diferenças pra mim são muito nítidas: começa pelo investimento. Hoje em dia, se tem muito mais investimento na Ginástica Rítmica, tanto em salário quanto em infraestrutura de treino. A equipe da Comissão Técnica hoje tem médico, fisioterapeuta e na minha época não tinha. Inclusive, na época que eu fui pra Olímpiadas, nem salário eu recebia, então tudo dependia dos meus pais. Tiveram competições internacionais que eu tive que pagar o agasalho da Seleção pra participar, além das passagens. Hoje não existe mais isso, é tudo pago, existe o mínimo de infraestrutura para a pessoa poder praticar a Ginástica na Seleção.

Sei que você participou dos Jogos Olímpicos de Sydney, na Austrália. Como você descreve essa experiência?

Sydney foi a realização do maior sonho que eu já tive na minha vida. Desde que eu entrei na modalidade era o meu sonho participar de uma Olímpiada. Eu sabia que aquilo era o ápice da carreira de um atleta. Sydney foi isso, eu vivi um sonho, desde a climatização em Camberra até a abertura dos jogos, foi tudo um sonho. Eu sempre fui uma atleta extremamente focada, então, pra mim, era uma competição como qualquer outra na hora de entrar na quadra. Mas quando a gente não estava no tablado, treinando ou competindo, tudo aquilo era uma coisa surreal. Foi uma experiência única, acho que nada na minha vida vai se comparar ao que foi participar dos Jogos Olímpicos. Foi único, foi ímpar, foi incrível.

O fato de o Brasil não estar entre as seleções mais tradicionais te desanimava ou motivava ainda mais?

Essa realidade continua até hoje, o Brasil não é um país tradicional na Ginástica Rítmica. Eu nunca percebi que isso tenha me desmotivado, de forma alguma, eu acho que sempre me motivou a treinar mais e a melhorar essa imagem do Brasil em competições internacionais.

Como é a tua vida depois da Ginástica Rítmica?

A minha vida é tranquila, na medida do possível. Eu tô em São Paulo, moro aqui fazem mais de sete anos e estudo na USP. Não trabalho com Ginástica, o legado que a Ginástica deixou em relação ao que eu faço hoje é trabalhar com melhoria de qualidade de vida [Natália é personal trainer]. Todos os meus alunos sofrem de alguma patologia. Eu optei por isso devido a minha dor na coluna. Quando eu comecei a estudar a dor, vi que era uma área que eu gostava muito, então hoje eu trabalho com pessoas que vem da área da dor, geralmente são de indicações médicas ou de fisioterapeutas e eu adoro o que eu faço. Mantenho contato com algumas meninas da Ginástica, tenho muitas saudades delas, mas não pretendo trabalhar com isso na minha vida mais adiante.

Qual foi a maior lição que você aprendeu nessa trajetória?

Eu acho que a maior lição que eu aprendi foi que a Ginástica envolve disciplina, respeito e valores e foi esse o legado que ela deixou na minha vida. Eu considero que eu tive uma base muito boa de estudo, de educação, de formação como indivíduo e a Ginástica só complementou essa base boa que eu tive da minha escola. Então, acho que não foi só a Ginástica, mas ela complementou a base que eu já tinha. Fora a experiência de vida, de morar longe dos pais, de conhecer o mundo, de trabalhar em equipe, todas essas coisas que no esporte de alto rendimento se tornam muito maçantes, né? A convivência, as lesões, enfim, a pressão. Acho que a Ginástica trouxe de bom essa experiência de vida em todos esses sentidos.

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