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Das quadras para o ambulatório

05/11/2016
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Matheus com a Seleção Paranaense de Handebol, quando foram campeões dos Jogos da Juventude Brasileiros (Foto: Matheus Golenia Passos/Arquivo Pessoal)

Carolina Golenia
carol.golenia@hotmail.com

Matheus Golenia dos Passos começou a jogar handebol com 11 anos de idade pela equipe de seu colégio. Quando fez parte da Seleção de Cascavel (no Paraná), ele se destacou na posição de goleiro e, aos 15 anos, foi convocado para a Seleção Paranaense Cadete sub 16, onde permaneceu por dois anos, sendo que no segundo ano, Matheus foi capitão da equipe. Posteriormente, foi chamado para a Seleção Brasileira Cadete. Entre as suas competições, sua equipe disputou a final do Campeonato Sul Americano, perdendo pra seleção da Argentina nas duas finais, “isso eu ainda tenho encucado”, comenta aos risos.

Ele começou treinando na linha, como armador esquerdo, pois era alto e conseguia arremesso de 9 metros. Seu treinador o incentivou, aos 11 anos, a seguir uma dieta para não ter problemas no joelho, pois o atleta estava acima do peso. Matheus jogou handebol durante 8 anos.

O handebol foi escolhido pois seus amigos que já treinavam o atraíram para o esporte, além de que ele não possuía tanta habilidade com os pés. “Eu acabava achando o handebol e o basquete mais positivo na vida do ex-atleta foi a convivência em grupo, aprender a lidar com pessoas diferentes e a respeitá-las. “Não adiantava cada um jogar da maneira que queria se a equipe toda não trabalhasse junta e não conseguisse chegar ao resultado que, no caso, era vencer a partida”, salienta.

O ex-atleta coleciona experiências de viajar para os jogos, um dos fatores mais positivos em sua carreira, que trouxe inúmeras amizades novas e contribuiu para seu crescimento pessoal. Outro aspecto importante foi o constante incentivo do seu treinador, César Casagrande, de ter boas notas no colégio. “Inclusive, os atletas que não tinham notas boas ou tinham algum problema dentro da sala de aula acabavam não indo para as competições”, comenta.

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Matheus formou-se em Medicina, na Universidade Federal de Pelotas, UFPel (Foto: Matheus Golenia dos Passos/Arquivo Pessoal)

Matheus salienta que as dificuldades enfrentadas no esporte foram a falta de incentivo e de patrocínio, até mesmo da prefeitura e do Estado. “Não só no handebol, mas no esporte como um todo. Muitas vezes, quando precisávamos ir para as competições, não tinha dinheiro para pagar o transporte ou para pagar a inscrição de um time inteiro. Quando comecei a chegar perto dos 18 anos, a perspectiva de ter um salário apenas do esporte era muito pequena”, afirma o ex-goleiro.

Quando evoluiu para a categoria Juvenil, o vestibular já estava se aproximando e o goleiro passou a se dedicar intensamente aos estudos, diminuindo a frequência nos treinos. “O ponto crucial foi quando eu estava no início do terceiro ano do ensino médio, em que eu teria que decidir o que fazer no vestibular e qual seria a minha carreira, que foi ao mesmo tempo em que recebi uma proposta de ir jogar handebol em São Paulo, que sempre foi o estado que tinha as melhores equipes. Só que isso ia acabar prejudicando meus estudos, até porque a perspectiva de salário nessa época era menor ainda do que se tem hoje em dia, que não é boa”, conta. Matheus deixou o handebol ao entrar para a faculdade de medicina, na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Rio Grande do Sul, com 18 anos de idade.

“Mas o principal motivo de eu ter parado de jogar foi não ter seguimento de esporte universitário, de não ter esse incentivo em instituição particular e menos ainda em instituição pública. Aí eu optei por fazer medicina e não tive a continuidade no esporte”. O ex-atleta comenta sobre, no Brasil, a universidade não ter um incentivo no esporte, diferentemente do que vemos nos Estados Unidos e em demais países.

O que Matheus mais sente falta é da emoção do esporte, da adrenalina das competições, da disposição física que se tem ao ser atleta e da convivência com os amigos que jogavam junto. Matheus enfatiza, para quem está iniciando no esporte, sobre a importância de conciliar com os estudos, porque a vida ativa no esporte acaba sendo muito curta. A mensagem que ele deixa é que o atleta se dedique, que dê o seu melhor. “O handebol vem crescendo no Brasil, têm atletas que estão indo para a Europa. Recentemente, nas Olimpíadas do Rio, as equipes feminina e masculina tiveram um bom desempenho”, ressalta.

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