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Empoderamento na ponta do pé

27/10/2016

Vitória Lemos
vitoriacassola@gmail.com

 

Ela começou a se interessar por futebol ainda na infância – vizinha do craque Valdomiro, do Internacional, Duda Luizelli praticou o esporte como diversão até ser chamada pelo Milan. Mudou-se para a Itália, onde jogou também no Verona, defendeu a Seleção Brasileira e, quando voltou ao Brasil, decidiu continuar a trabalhar no ramo: a ex-atleta fundou a escolinha de futebol feminino do Inter e hoje é dona de uma rede que ate

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Duda durante a época de atleta (Foto: Divulgação)

nde crianças interessadas no esporte. Uma das maiores referências na categoria no Rio Grande do Sul, Eduarda está há quase 30 anos na luta pelo reconhecimento do futebol feminino.

Como você começou a se interessar por futebol?

Eu era vizinha do Valdomiro, que foi o grande craque do Inter na década de 1970. E aí surgiu a minha paixão pelo Internacional e, consequentemente, pelo futebol.

Em que momento da tua carreira o futebol deixou de ser encarado como brincadeira e passou a ser encarado como profissão?

Ah, acho que tudo foi se encaminhando conforme o vento levava, né? Mas eu resolvi mesmo jogar quando eu recebi o convite para jogar na Itália, e aí acabei jogando no Milan, por uma temporada, e uma temporada no Verona. No meio desse caminho fui convocada várias vezes para a Seleção Brasileira, enfim. E aí eu resolvi fazer do futebol feminino, na verdade, a minha profissão. Porque daí que veio a ideia de formar uma escolinha de futebol, e hoje são várias escolas da Duda – não só femininas, né, femininas e masculinas.

Foi você que implantou a escolinha feminina no Inter depois de voltar da Itália, não?

Isso. A gente colocou a escolinha no Inter e foram nove anos de escolinha de futebol feminino dentro do Internacional.

Você tem uma escolinha de futebol, a rede Duda. Como trabalha a questão do incentivo às meninas?

Hoje, um dos principais ganhos da escolinha, um dos principais incentivos da escolinha para as meninas que jogam futebol é um link que a gente tem com os Estados Unidos, de as meninas acabarem indo jogar lá, fazer intercâmbios [de futebol], de repente ir estudar em uma universidade americana.

Quais são as dificuldades enfrentadas pelas meninas que sonham em ser jogadoras de futebol?

A grande dificuldade é o fato de que não existem campeonatos de base de futebol feminino. Então a menina não tem onde jogar campeonatos, não existe, a CBF não faz um campeonato brasileiro, sei lá, sub 15, sub 17, para que essas meninas tenham ao menos algum objetivo em jogar, participar de uma competição. Elas simplesmente fazem escolinha, e aí na escolinha a gente tem que achar times para elas jogarem. [O problema] é a falta de calendário no futebol feminino, principalmente nas categorias de base.

Como poderiam se dar as iniciativas de incentivo?

Deveria existir uma política do futebol feminino, para ser organizado em todo o Brasil. Essa política poderia partir lá desde a CBF, com o apoio do Ministério do Esporte, e aí viesse englobando os Estados, as prefeituras, enfim, que tivesse uma política mesmo, do futebol feminino, para que a gente conseguisse desenvolver a modalidade no Brasil.

Como você avalia a situação do futebol feminino no Brasil?

O futebol feminino praticamente não existe no Brasil. Não existem campeonatos, não existe nada, apenas dois campeonatos brasileiros realizados pela CBF, de categoria adulto, e ponto. E as seleções que a CBF desenvolve, mas não existe nada voltado para as categorias de base, realmente. Então como é que a gente quer resultado de uma Seleção Brasileira que joga contra uma Alemanha, uma Suécia, contra os Estados Unidos, que tem quatro divisões de futebol? É surreal a gente exigir alguma coisa da Seleção de futebol feminino. Como não existe mídia – quer dizer, não existe campeonato, não existe mídia, não existe patrocínio –,  então não existe público. Agora, o Ministério do Esporte instituiu o ProFut, ao qual todos os clubes de série A aderiram, e uma das coisas é esses clubes, como contrapartida, terem futebol feminino. A lei já existe, mas não existe ninguém que cumpra. Ela já está sendo aplicada, mas ninguém fiscaliza, então os clubes continuam sem futebol feminino. Isso é uma pena.

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