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Do sonho de criança à profissão: o ex-jogador Fabiano Diniz e a Formação Joga Bonito

25/10/2016
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Seleção 77 do Internacional / Foto: Arquivo pessoal

Juliana Brites Lima
julianaedebrites@gmail.com

O Brasil é conhecido como o país de futebol. Desde cedo, a maioria dos meninos aprendem com seus pais qual time devem amar e o futebol faz parte de sua rotina semanal através da tela da televisão. Fazer a bola rolar é a grande diversão dos garotos e foi assim que Fabiano aprendeu a amar o esporte. Aos 39 anos, Fabiano Diniz conta novamente sua história de amor pelo futebol, seu tempo no Sport Club Internacional, a passagem por outros clubes do país e suas viagens ao exterior para jogar em outros times. Embora tenha vestido muitas camisas, ele confessa que o Internacional sempre foi o time do seu coração. Hoje, sua nova aventura é ensinar o futebol para os meninos da Formação Joga Bonito.

Quando que o futebol deixou de ser um sonho de menino pra começar a se tornar realidade como profissão?

A paixão pelo esporte era grande desde guri. Assistia pela televisão, batia bola na rua, até que, com 9 anos, entrei na escolinha do Inter. Foi aí que começou minha história no time e no esporte. Os anos passavam e a coisa ia ficando mais séria e, quando percebi, já estava lá há bastante tempo, jogando e viajando vestindo a camisa vermelha. Na época, optei por parar de estudar por um tempo pra me dedicar só ao futebol e não me arrependi, pois fiz minha carreira e conheci muitos lugares. Fiquei na escolinha do Inter dos 9 aos 20 anos, algo que não é muito comum de acontecer. Conforme o tempo foi passando, fui evoluindo, conforme a idade passava, aumentava o nível também, até me tornar jogador profissional.

Depois desses 11 anos no Internacional, como continuou a carreira de jogador?

Fiquei no Inter até os 20 anos e saí do clube para rodar o Brasil, ir jogar em outros clubes, conhecer outros estados. A partir daí, fui pro Sampaio Correa Futebol Clube, no Maranhão, para Botafogo de Ribeirão Preto, em São Paulo, onde fiquei 3 anos, e também joguei no Mato Grosso, pelo Sorriso Esporte Clube.

Como foi a experiência jogando fora do Brasil?

Minha primeira experiência jogando fora do Brasil foi no Independiente Medellín, na Colômbia, e também passei pela Venezuela, em Patch. Depois desse período no exterior, voltei para o Brasil e joguei em times do interior do nosso estado, em Pelotas e Passo Fundo, e, de volta à capital, joguei no Porto Alegre Futebol Clube por um ano.

Qual foi tua experiência mais marcante jogando no exterior?

São várias, não consigo falar só de uma. Depois de jogar no Porto Alegre Futebol Clube, fui para a China, em Hong Kong, e o choque cultural foi muito grande. As pessoas e a cultura são muito diferentes e a experiência foi um grande aprendizado pra mim, mais como pessoa do que como jogador. Fiquei encantado pelo país. Já no Independiente Medellín, os torcedores eram bastante fanáticos pelo time. Nos tratavam como celebridades, queriam tocar na gente, na nossa camisa, tirar foto, era algo um pouco mais intenso do que aqui. Em outros lugares, fiz parte de times que incentivaram muito as pessoas a gostar do futebol, a aprender a se interessar por esse exporte, através das nossas vitórias e títulos que conquistamos.

E quando eu ainda estava jogando pelo Internacional, vencemos um campeonato no Japão, na categoria júnior. Foi uma experiência maravilhosa, sem igual! Anos depois, a seleção principal do Inter se tornaria campeã do mundo na mesma cidade. Quem diria que a gente foi preparar o campo, né? (risos).

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Algumas das diferentes camisas que Fabiano já vestiu / Foto: Arquivo pessoal

 

Quem era o jogador que tu mais admirava e tinha como exemplo no começo da carreira?

Na minha época, tinha muitos jogadores considerados bons e que se destacavam pelo seu futebol. Mas alguém que eu admirava bastante, e acho que tínhamos uma semelhança como jogadores, era o Marcelinho Carioca (conhecido como Pé-de-Anjo, um dos ídolos da história do Corinthians). Ele foi um grande jogador, um dos maiores batedores de falta da história do futebol brasileiro. Ele tinha um jeito de bater, mas um jeito tão absurdamente bom, que a bola era obrigada a entrar no gol. Ele tinha talento, algo que um jogador pode até treinar e aperfeiçoar, mas que ele fazia naturalmente. Já no Internacional, quando comecei, o clube não era a potência que é hoje, então não tinha jogadores que eu admirava tanto quanto o Marcelinho, mas tinha consideração e carinho por muitos. Tinha, por exemplo, o Tafarel, que eu tive a oportunidade de reencontrar depois. A gente entrava no campo de mão dada com eles quando criança, eu adorava estar lá.

Apesar das dificuldades naturais da profissão, o que mais te motivou a continuar a carreira?

O prazer e o amor pelo futebol. Muitas pessoas acham que alguns jogadores se tornam profissionais pelo dinheiro, para enriquecer, mas isso nem sempre é verdade. Existe um amor sincero pelo futebol, afinal, em qualquer campinho que a gente passar numa tarde de sol, vai ter alguém jogando. Quando eu comecei, tinha só 9 anos, na minha época nem ganhávamos nada para jogar. O que me motivava era jogar pelo time do meu coração, o Inter. O dinheiro nunca me motivou a jogar futebol, sempre foi o amor pelo esporte.

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Fabiano e os meninos da escolinha / Foto: Arquivo pessoal

Hoje, teu novo projeto e aventura é ensinar os meninos da Formação Joga Bonito a jogar futebol e, um dia, se tornarem profissionais também. Como é ensinar o esporte e passar o amor pelo futebol para os meninos da escolinha? Você deve lembrar de como era você nessa época, né?

É muito bom, fico feliz em passar para eles o que um dia alguém passou para mim. É uma terapia trabalhar com crianças e um aprendizado pra mim também, porque aprendi a ensinar, a ter mais paciência e até me conheci mais. Eu entendo eles porque também comecei a jogar nessa idade, sei que o guri é meio teimoso nessa idade, quer fazer as coisas do jeito dele. Então eu tenho que ter paciência e jeito pra explicar que o jeito que ele quer jogar não está errado, mas que tem uma maneira melhor que ele precisa aprender. Sei porque eu fui assim, né (risos). Algo muito legal também é trabalhar a personalidade de alguns que são muito tímidos. De repente tem um grande craque dentro deles, mas têm vergonha de chamar atenção, pedir a bola, mas que no jogo isso é necessário. Até nisso o futebol ajuda eles, além de ser uma ocupação saudável para quando eles não estão na escola.

Os meninos devem admirar muito tua carreira e querer seguir os mesmos passos. O que tu diz aos meninos que querem ser jogadores profissionais?

Sempre digo pra eles que não é fácil, mas também não é impossível. É preciso muito treino, vontade e perseverança, não desistir do que quer. O guri pode não ter nascido um craque, mas se ele treinar, se esforçar e aprender o que ele ainda não sabe, ele vai ser um grande jogador e alcançar o sonho de ser jogador profissional. E também alerto eles sobre o perigo da ganância. Para que eles não sejam gananciosos, não se preocupem com o dinheiro, e tenham cuidado com empresários ou diretores que seja gananciosos e queira ganhar em cima deles, ou tenham outros interesses que prejudiquem ele no clube.

Com três meses de funcionamento, a escolinha tem 25 meninos e está ampliando o atendimento para, a partir de fevereiro, atender mais garotos que tenham vontade de aprender a jogar bola. Após o preparo dos jovens jogadores, eles são indicados para integrarem clubes profissionais de futebol. A Formação Joga Bonito localiza-se na Rua Atílio Superti, 1089, no bairro Vila Nova de Porto Alegre. Para entrar em contato, envie e-mail para fabianodiniz07@yahoo.com.br.

 

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