Skip to content

Mazarópi: o goleiro recordista mundial de invencibilidade

14/10/2016
gremio-time-poster-mundial

Time do Grêmio campeão do mundo, em 1983 (Foto: Esquadrão Imortal)

Lysiane Hargreaves Munhoz
lysi.munhoz@gmail.com

Se perguntarem numa roda de amigos “qual foi um dos goleiros mais importantes da história do Grêmio?”, por exemplo, ninguém lembrará de Geraldo Pereira de Matos Filho, mas se responderem por Mazarópi, logo, acompanhado deste apelido virá a lembrança de um dos maiores títulos conquistados pelo tricolor: a Libertadores da América de 1983 e o Mundial Interclubes do mesmo ano. O goleiro nasceu na cidade de Além Paraíba, no interior de Minas Gerais, no dia 27 de janeiro de 1953.

O jovem Geraldo foi para o Rio de Janeiro com 16 anos para participar da “peneira” do Vasco da Gama. Ele passou e a partir deste marco começou a sua trajetória no futebol brasileiro. Em seus 19 anos de carreira, Mazarópi conquistou 18 títulos entre esses os principais são a Taça Libertadores de Américas e o Mundial Interclubes no ano de 1983. Outra marca do goleiro é seu recorde mundial, até hoje nenhum outro defensor ficou durante uma mesma competição sem tomar gols. Foi no Campeonato Carioca de 1977, entre o dia 25 de maio a 28 de setembro, por 1816 minutos.

Como tu te tornaste jogador? Como começou a tua história com esse esporte?

Começou quando guri com 15 anos. Com 15 para 16 anos, eu jogava futebol, na minha cidade, mais amador, pois eu sempre gostei de futebol. E eu recebi um convite do treinador das categorias de base do Vasco da Gama. Minha cidade era próxima ao Rio, é na divisa de Minas (Gerais) com o Rio de Janeiro. Recebi um convite para que eu fizesse o teste no Vasco da Gama. Cheguei em casa, no dia seguinte, conversei com meu pai e também se encontrou com meu pai. E aí marcou para que eu fosse no Vasco da Gama fazer o teste. Mas coisa de gente do interior, eu era muito apegado a minha família, especialmente, a minha mãe. Eu fui, eles marcaram no início de janeiro para eu me apresentar. Eu trabalhava e estudava em uma escola que era para filhos de ferroviários, eu estava de férias. Eu fui para o Rio fazer esse teste no Vasco da Gama, só que na véspera, eu fui para a casa da minha tia e o meu irmão já morava na cidade.

Eu tinha o hábito de ficar ouvindo a Ave Maria, às 18h, e ouvindo bateu a saudade da minha mãe. Virei para meu pai e disse: “Eu não vou me apresentar no Vasco, não. Eu vou voltar para casa, porque já tô com saudade da minha mãe”. Meu pai insistiu comigo, mas continuei negando. Mais tarde, meu irmão chega e os dois vieram conversar comigo, insistiram comigo para eu ir lá. Eu resolvi ir e quando eu cheguei no Vasco da Gama recebi o apelido de Mazaropi. Na época o ator estava com os filmes dele em evidência, como nós somos do interior de Minas e somos tidos como caipiras, o apelido ficou.

Eu fiz o teste, fiquei ali e faltando uma semana para terminar minhas férias eu fui falar com o treinador pedir a despensa, porque eu queria voltar para minha cidade. E ele disse: “você vai, mas volta.” E eu “como assim?” “Dos treze goleiros que temos, você foi aprovado” e continuei “Mas você deve estar enganado. Tem treze goleiros ai, você vai escolher a mim?”. E ele chamou meu pai, conversou com ele e eu fui para o Vasco da Gama. Aí começou toda a minha trajetória. Tive muitas dificuldades nas categorias de base, sofri muito, inclusive com o próprio treinador que me levou. Pensei até em desistir no meio do caminho. Sabe aqueles momentos que você é obrigado a dar um passo atrás para não sentir vergonha, não sentir nenhum constrangimento em fazer isso? Eu fiz para poder provar para ele que eu tinha condições e que venceria ali dentro.

 Tu te identificas mais com o teu nome ou com Mazaropi?

Às vezes, quando as pessoas me perguntam o meu nome eu tenho que parar e pensar. Porque se torna uma rotina e ninguém me chama pelo meu nome ninguém sabe quem é. Eu falo o apelido e as pessoas criam o vínculo. É bem complicado, só me chamam de Mazaropi, meu nome mesmo fica esquecido. Mas eu sinto orgulho disso, é um nome que marcou a minha carreira. Eu construí minha história profissional, minha trajetória no futebol com o apelido de Mazaropi. Até uma certa vez, no Vasco da Gama, queria trocar o meu nome para eu poder ser convocado para a seleção brasileira e eu não quis. Porque se eu tiver que ser convocado pela seleção brasileira, eu vou ser convocado como Mazaropi. Se eles entenderem que não para me convocar, o importante é eu fazer o meu trabalho pelo meu clube, porque eu sempre tive o futebol, eu fiz o futebol a minha profissão.

Nunca me preocupei em me tornar uma celebridade, ter o reconhecimento que tenho. Eu fazia o meu trabalho e procurava fazer da melhor maneira possível, porque eu acho que é obrigação de qualquer profissional. Não só no futebol, mas em qualquer segmento você tem obrigação de buscar sempre o melhor. Surgiu justamente por isso: por eu ser do interior, de ser de uma família humilde. Eu conto história que eu cheguei aquela malinha quadradinha igual a do (personagem) Mazzaropi, a calça pescando siri, de bota. E esse nome dentro da minha carreira trouxe muita sorte, muita felicidade, porque fui profissional por 19 anos. E tem uma marca que também me honra muito de ser o recordista mundial de tempo sem tomar gol. Foram 20 jogos oficiais consecutivos sem levar gol, foram 1816 minutos e tudo isso marca a nossa trajetória.

Pra ti, o que falta nos goleiros para quebrarem essa marca?

As coisas acontecem ao natural. Isso aconteceu quando eu jogava no Vasco da Gama e eu não ficava preocupado com aquilo. Isso acaba te levando a cometer erros, porque você começa a se preocupar muito em não levar o gol e aí você acaba levando o gol. Você tem que se preparar tanto para o momento de ficar sem levar gol como levar o gol dentro da partida. Se você perguntar, claro, que goleiro nenhum gosta de tomar o gol, isso é o óbvio! Mas eu nunca fiquei com aquela ansiedade: “Não posso tomar o gol”. Eu nunca criei essa ansiedade, eu deixei a coisa acontecer ao natural e foi assim que conquistei essa marca. Hoje se fala muito e, às vezes, se cobra muito. Eu acho errado isso, eu acho que deixar isso acontecer naturalmente no dia a dia, no trabalho. Buscar fazer o melhor sempre e esses fatos vão acontecendo por aquilo que você vai desenvolvendo no dia a dia e nas partidas.

Tu começaste no Vasco, o que ele significa para ti na tua carreira?

Se eu disser para você que eu não tenho um carinho, que não sou grato ao Vasco da Gama eu seria injusto. Até porque dos 19 anos, dez foram dentro do Vasco como profissional e cinco anos nas categorias de base. Quer dizer, foram 15 anos no Vasco da Gama e foi o time me projetou para o futebol. No Rio, eu sou vascaíno. Então, o Vasco tem muito a ver com minha história, porque 15 é, praticamente, uma vida. Eu cheguei lá guri e me projetei profissionalmente. Então, o Vasco, queira ou não, é um clube que está marcado na minha trajetória profissional.

E como começou tua história com o Grêmio?

A minha história no Grêmio começou em 1983. Na verdade, tenho um amigo que foi criado junto comigo nas categorias de base do Vasco da Gama e depois jogamos profissionalmente. É o Gaúcho, inclusive, a família dele é aqui da [bairro] Tristeza em Porto Alegre. Ele sempre falava muito do Grêmio e aquilo foi despertando um interesse ainda na minha época de juvenil, nem sonhava em ser profissional. E quando me profissionalizei, esse interesse aumentou: um dia eu quero vestir essa camisa, quero conhecer esse clube, quero fazer parte desse clube, por tudo aquilo que ouvia do Gaúcho. Naquela época, as pessoas, os repórteres do campo e aqueles que cobriam o dia a dia do clube, sempre perguntavam aos jogadores “se você não jogasse no Vasco da Gama, qual clube você gostaria de jogar?”.

Bom, a maioria dos jogadores dizia que queriam jogar no Flamengo ou no Corinthians. Eu dizia que queria jogar no Grêmio e ninguém entendia nada. “Mas por que no Grêmio?” “Porque eu simpatizo com o Grêmio”. Foi uma coisa que foi acontecendo, essa simpatia pelo clube e um dia que eu tiver oportunidade eu acho que vou está realizando um sonho. Eu cheguei em 1983 no Grêmio, fui contratado para disputar a Libertadores. Cheguei, justamente, num ano, onde clube conquistou as suas duas maiores conquistas, as suas duas maiores glórias que foi a Libertadores e o Mundial. Quer dizer realizando um sonho e tendo o privilégio de fazer parte de um grupo que levou para o clube a suas maiores conquistas.

E o que significou o dia 6 de julho de 1983?

Esse jogo marcou minha chegada no Grêmio e foi a partida, onde eu tive a oportunidade de dar minha parcela de contribuição no momento que o clube mais precisava. Era uma semifinal da Libertadores, e nós vencíamos o [time] América [de Cali da Colômbia] no Olímpico por 2×1. Aos 38 minutos do segundo tempo houve uma penalidade. O empate tirava toda e qualquer possibilidade do Grêmio ser finalista da Libertadores e eu, naquele momento, tive a felicidade de fazer a defesa da penalidade. Assim garantir a vitória do Grêmio e, consequentemente, a condição de finalista da Libertadores. Então, esse jogo ficou marcado, tá vivo na minha retina, no meu coração, porque marcou minha chegada e foi um lance decisivo que proporcionou ao Grêmio, no ano de 1983, ter realizado um dos seus maiores objetivos que era a conquista da Libertadores e do Mundial.

Qual o significado da Libertadores e o Mundial?

Isso fica marcado pelo resto da vida, você chegou no ponto mais alto da sua profissão. É gratificando e isso eu agradeço ao Grêmio que me deu essa oportunidade de realizar o meu sonho e, justamente, num ano em que ele atingiu o maior patamar.

Tu nasceste em Minas gerais, fizeste história tanto no Rio de Janeiro quanto aqui no Rio Grande do Sul. Onde tu dirias que é tu casa, teu lar? Qual local tu te identificas?

A minha cidade faz divisa com o Rio, eu iniciei minha trajetória toda no Rio de Janeiro. Eu tenho o esteio da minha vida que é carioca, que é minha esposa, tenho dois filhos cariocas e meu terceiro filho é gaúcho. Eu brinco com as pessoas (e esse é meu sentimento) de que acho que nasci no estado errado. Eu amo minha cidade que eu nasci, sou natural, de Além Paraíba, Minas Gerais, mas acho que nasci no estado errado. Porque eu sou um mineiro que não canta o hino mineiro, mas canto o hino rio-grandense e me emociono. Sou grato ao Rio Grande do Sul por tudo aquilo que recebi nesses anos todos.

No período que participei foram seis anos e meio como atleta do Grêmio, depois mais quatro anos como preparador de goleiros do Grêmio, fui vereador em Porto Alegre. Eu parei faz 25 anos e até hoje, onde a gente chega é recebido com reconhecimento, com carinho, com respeito e eu sou muito grato. E eu diria que minha segunda casa é o Rio Grande do Sul até porque o povo gaúcho se assemelha muito com povo mineiro. Essa hospitalidade, essa cordialidade, esse companheirismo, essa amizade, porque o povo mineiro é assim também. Acho que o mineiro e gaúcho estão bem próximos.

De que formas tu vês o futebol hoje? Fazendo uma avaliação da seleção brasileira, os próprios times do Brasil e, também comparar com a tua época.

As mudanças foram muitas. Hoje, você tem os melhores campos, naquela época não se tinha. Hoje, você tem os melhores materiais, naquela época não se tinha. Você tem todos os equipamentos para recuperar o jogador, naquela época era muito difícil. Só há uma diferença que em vez de evoluir, ela regrediu: é a qualidade técnica com atleta. Porque hoje se busca muita força, naquela época, se tinha muita técnica, muita qualidade em uma época em que os campos não eram como são hoje. Hoje, você rola a bola e parece uma mesa de sinuca. Até os campos de treinamento, no nosso tempo era, praticamente, “areiam”. A própria mídia também tem toda uma tecnologia e, hoje, tem recursos para você estar avaliando os jogadores e naquela época se jogava mais jogos do que hoje.

Se diz para poupar o jogador, naquele tempo não se tinha isso, porque era complicado você ser poupado e dar chance para o outro, porque a qualidade era parelha, você não podia sair. Às vezes, a gente jogava machucado, porque se você sai e dá oportunidade para o outro, depois você levaria tempo para recuperar a sua posição, porque o que tava entrando era bom quanto, ou até melhor que você. Era bem diferente. Você conquistava mais títulos do que ganhava dinheiro, hoje é o inverso. Hoje, você ganha muito dinheiro e ganha poucos títulos e a qualidade do futebol baixou bastante. Acho que precisamos fazer uma reciclagem, uma reflexão quanto ao conceito do futebol brasileiro, porque ele ainda é o melhor futebol jogado no mundo desde que a gente faça uma reciclagem, faça uma reflexão e, principalmente, nas categorias de base. Deixar a questão da força, buscar a qualidade, buscar aliar a qualidade com a força. Esse foi o exemplo da Alemanha, era tida como um futebol de força e eles entenderam isso e fizeram toda uma reformulação na concepção deles na questão do futebol. Tanto que a própria Federação Alemã criou centros de treinamentos e formação de atletas aliando força e qualidade (a técnica). Tem o exemplo do Mundial de 2014.

A gente não pode ter vergonha de copiar aquilo que bom, as coisas, acho, que temos que assimilar, além de adaptar. Não podemos ter vergonha! Vergonha de dar um passo atrás, reconhecer que estamos numa um pouco distorcida do que é a realidade do futebol brasileiro, do que e a essência para você buscar esse caminho diferente e voltar a conquistar títulos novamente.

Como tu avalias a situação da dupla Gre-Nal hoje?

Aqui é muito cíclico. São momentos que todas as equipes passam. Você no dia a dia é mais fácil de avaliar, porque está vivendo aquele momento ali dentro. De fora, nós temos a visão, porque sabemos o que é um vestiário, o que e o trabalho dia a dia, geralmente, nem sempre, os treinadores são os responsáveis, muito se vai do que está acontecendo dentro do vestiário. Isso o torcedor não tem essa informação. Nós que vivemos isso, percebemos e vemos no desenvolvimento de uma equipe dentro do campo, no comportamento que os jogadores estão tendo se se tem problema dentro de um grupo, ou seja, se se tem problema dentro do vestiário que é a linguagem do futebol. Ele não acontece só no jogo, lá por trás tem alguma coisa ocorrendo…

Tem a disputa de beleza, há uma disparidade muito grande de salários e isso gera também um desconforto, porque tem jogador que ganha muito, produz pouco e o que ganha menos está produzindo mais. Começa a criar aquela areazinha de atrito, não é fácil. São cabeças diferentes, é muito difícil você tratar com um gruo de pessoas. Você tem que ser observador, tem que ter uma sensibilidade muito apurada para poder sentir esses detalhezinhos quando você trabalha com uma coletividade, quando você tem um grupo de pessoas que você tem que estar comandando, coordenando. Por isso, muitas vezes, a gente diz que o treinador é também psicólogo, pai, é o amigo mais próximo…

E o treinador também precisa ter essa percepção, lidar com a cabeça das pessoas é muito difícil, cada um tem uma maneira de pensar, cada um tem uma visão. E também a transferência de responsabilidade, você sabe que não vive um bom momento, mas você não quer admitir e começa a transferir os problemas para outras situações. Isso acaba gerando um desconforto que no final prejudica o todo.

Tu fizeste parte de um Grêmio vencedor. Faz 15 anos que o time não ganha um título. Agora voltou o Renato, que trabalhou contigo nesse Grêmio vitorioso. O que falta no Grêmio?

Vou dizer que a questão começa lá embaixo. Cada clube tem a sua característica, por isso eles construíram a história deles com essa característica. Você não pode fugir disso. O Grêmio teve muitos momentos que oscilou muito, teve muitos treinadores que tinham concepções diferentes, às vezes, tinham pouco conhecimento do que e a história do futebol gaúcho: qual é a história do Grêmio, qual a história do Inter. E tentava mudar um pouco esse conceito e isso, às vezes, prejudicava.

O Grêmio sempre teve a característica de ser um time copeiro, um clube competitivo, um clube aguerrido ao longo desses anos se tentou mudar muito isso. Tentar transformar o Grêmio em um time técnico que não é característica dele e que não é característica do futebol gaúcho. Isso se aplica nos times do Rio, de São Paulo e de Minas que buscam mais essa característica. Isso prejudica um pouco, porque você não da certo com um treinador que e sai vem outro com outra  filosofia e tem todo aquele processo de reciclagem e adaptação do jogador com o novo projeto, às vezes, a falta de convicção dos dirigentes. No momento, que você inicia uma temporada, você escolhe e define o perfil de comissão técnica e treinador, tem que ter a convicção que aquilo ali é o correto, você tem insistir com aquilo ali.

Nós temos tido exemplos por ai da manutenção do treinador, tem o momento que você tem o retorno dos resultados, Vou te dar um exemplo de um time do interior nosso aqui: o Rogério Zimmermann está cinco anos no Brasil de Pelotas. E nós temos acompanhado o crescimento do Brasil, porque ele começa a conhecer os jogadores, ele começa a conhecer a história do clube, ele começa a montar a equipe, dar o formato e colocar o time do jeito que ele quer. De um ano para outro você sabe os atletas, as contrações serão pontuais, quer dizer, você começa dando corpo a equipe. Ele tem um projeto que não é de subir, mas permanecer no G4. O projeto do Brasil é se manter na série B para ano que vem buscar o acesso à série A. Ele tem um projeto e tem a convicção que aquela comissão vai levar e conduzir o clube àquele objetivo.

Muitas vezes, o dirigente é o grande responsável por não ter essa convicção e você perde um jogo, perde dois. Acha que tudo tá errado, tem que mudar tudo e as coisas não são bem assim. Você tem que dar o tempo necessário, você tem que ter a certeza que o trabalho está sendo dentro do planejamento. No Brasil, no futebol eles querem resultados imediatos e isso acaba atrapalhando também.

Tu foste preparador de goleiros e técnico. Como é trabalhar do outro lado do campo?

É um pouco diferente, mas o que facilita, às vezes, é que você conhece o vestiário, porque você viveu ali. Você conhece a linguagem dos jogadores, você percebe quando ele tá bem quando ele não está. Se ele chega com problema, se ele não chega e isso facilita. Às vezes, a dificuldade maior é você pegar o ponto certo de você passar para os jogadores o conceito que você tem, aquilo que você quer para sua equipe para que eles entendam de uma maneira mais objetiva. Você viveu lá dentro e aí qual é a sua atitude junto com eles, se eles vão perceber isso.

O resultado é a sequência, quer dizer, é o dia a dia, a repetição, porque nada mais é do que a repetição de movimentos, até a gente prescrever, falar. Se você tem dificuldade no início, no momento que você começa a desenvolver todo o dia, você começa se soltando e encontrando maneiras, inclusive, mais fáceis até, caminhos mais fáceis para passar aquilo que você deseja. E no futebol não é diferente é repetição de movimentos, é você mostrar o caminho mais curto, a jogada está desenvolvendo lá, mas pode acontecer outra coisa. E você tem que ter essa leitura, porque isso facilita para gente por ter vivido tudo isso.

Você também que trabalhar o seu poder de observação e a sua maneira de transmitir isso para eles, porque é diferente de você estar lá dentro de estar aqui fora. Lá dentro você está no mesmo nível deles, da visão deles e você precisa aguçar esse poder de observação, esse poder de percepção de você buscar a orientação certa para eles na leitura e na linguagem para que possam entender.

Quais são os teus planos para o futuro?

Hoje, eu tenha minha vida, praticamente, definida. Eu sou diretor de esportes no município de Esteio, é a maneira que eu encontro de estar retribuindo ao povo gaúcho tudo aquilo que recebi em uma área que a gente tem um pouco de conhecimento, porque nunca temos o conhecimento total. Continuamos aprendendo muitas coisas e eu acho que posso oferecer muitas oportunidades, ações voltadas para o bem-estar da comunidade na área esportiva. E também trabalho como comentarista na rádio do clube (Rádio do Grêmio), e isso me honra muito. Não tenho nenhuma pretensão (mas não posso dizer para você que não posso fazer isso), mas não tenho nenhuma pretensão de ser apresentador de programa ou um locutor de noticiários.

Acho que é importante a participação que estou tendo nesse curso (de Locução para Rádio e TV) pela qualificação, é mais uma para o seu currículo, mas também pela necessidade e obrigação de estar exercendo a função de comentarista na Rádio do grêmio. A minha ideia é continuar lá. Tá legal o trabalho, estou gostando bastante e dentro de uma coisa que a gente tem conhecimento. Tô falando de futebol, tô falando da questão tática de posicionamento de jogadores, e é aquilo que eu disse: facilita para gente, porque já tivemos ali dentro. E falar para o próprio torcedor, é um estilo de rádio diferente. Ela não é uma rádio comercial, é uma rádio que é do clube, você fala para o seu torcedor e a gente tem que ter cuidado de que maneira você vai colocar.

A maneira como você faz a sua colocação para que você também não agrida o torcedor que é a razão maior do clube. Essa é minha vontade é continuar fazendo o que me sinto feliz. Dizem que felicidade é momento, eu vivo um momento feliz, porque no município de Esteio faço aquilo que gosto, no Grêmio também, então sou uma pessoa feliz.

Anúncios
No comments yet

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: