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Diva Santiago: uma vida dedicada ao esporte

05/10/2016

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A atleta foi uma das escolhidas pela Prefeitura de Porto Alegre para carregar a Tocha Olímpica

Carolina Trindade
carolina.ctrindade@outlook.com

Natação, voleibol, basquete, tênis e dança são os esportes praticados por Diva Santiago Corrêa, uma senhora de 78 anos que ainda avisa: “aos 105, quero ser campeã de atletismo”.

Diva foi uma das escolhidas pela Prefeitura de Porto Alegre para carregar a Tocha Olímpica na cidade. Nada mais justo, além de ter sido campeã sul-americana e campeã universitária de voleibol, tem títulos gaúchos de natação de quando era criança e agora compete nas categorias Master no tênis e no voleibol. Foi esse espírito que lhe rendeu o título de Grande Laureada do clube Grêmio Náutico União.

De uma família de atletas, Diva iniciou na natação com nove anos, a partir da insistência do irmão mais velho. “Meu irmão que trabalhava dizia para meus pais que eles tinham que botar a gente no esporte”. A partir daí, o pai se tornou sócio do GNU, onde Diva e sua irmã Diná começaram a treinar e nunca mais pararam. A família acompanhava e torcia. “Minha mãe chegava a brigar na torcida se falavam mal de nós”, completa.

Entretanto, a mãe foi um dos motivos pelo qual Diva escolheu a Seleção Brasileira de Voleibol Feminino no lugar da de basquete. Convocada para as duas equipes em 1962, conta que a mãe não a deixou ir jogar com a Seleção de Basquete. De qualquer maneira, Diva explica que seu segundo esporte foi o voleibol. Sem conseguir se destacar nas competições nacionais de natação, mesmo com os diversos títulos estaduais, a atleta voltou suas expectativas para o vôlei. Começou a participar de campeonatos brasileiros no esporte em 1954, em em 1962 foi levantadora da Seleção e jogou o sul-americano em Santiago do Chile. “Quando chegou [a convocação para a seleção de] vôlei eu disse [para minha família] ‘agora eu vou’”.

A viagem até o Chile contou com a ajuda de um piloto e um avião da Força Aérea Brasileira. Mas quando chegaram no destino, o comandante avisou que não conseguiria levar o time de volta. “O avião estava todo furado, porque a neve estraga tudo, era 1962, então imagina.” Tendo que ficar mais uma semana no país até conseguirem passagens de volta, Diva aproveitou para acompanhar o time masculino de futebol, na corrida para o seu segundo título (na Copa do Mundo de 1962 o time garantiu o bicampeonato mundial após jogo contra a Tchecoslováquia).

Hoje, com marido, filho e neto, todos apoiam Diva nas suas investidas esportivas. Foi o filho, funcionário do União, que a inscreveu na lista para carregar a Tocha Olímpica para a Olimpíada 2016. A atleta conta que uma das ex-alunas, do tempo que dava aula na UFRGS, que a entrevistou para ser indicada pela Prefeitura. Mesmo com esta ajuda, não tem dúvidas que a escolha foi muito merecida, para quem viveu para o esporte. “As pessoas sempre diziam que eu tinha que levar a Tocha, porque eu ‘tô’ metida nisso há 69 anos.” Até o fotógrafo responsável chamou atenção, “ele disse assim para mim”, conta Diva, “tirei fotos de vários que carregaram a Tocha, mas igual as tuas não há”.

Não seria justo chamar Diva Santiago de ex-esportista, já que depois dos 50 anos ela começou a investir nas categorias Master. Jogando tênis, já foi em três World Master Games, que acontecem de quatro em quatro anos. No último campeonato, em Turim, ela e a dupla Vanísia ficaram com o segundo lugar. Aqui no Brasil, seu grupo de amigas iniciou o Campeonato Master de Voleibol Brasileiro, em 1992. “Sou da equipe de vôlei do Rio de Janeiro – gosto muito delas e as daqui do Rio Grande do Sul nem participam -, joguei com elas e nós fomos campeãs da categoria 70 anos”.

Quando mais nova, Diva também teve a oportunidade de participar e ganhar a Universíade, um mundial universitário, que em 1963 foi sediado em Porto Alegre. Na equipe brasileira de vôlei faziam parte cinco jogadoras gaúchas, entre elas Diva e a irmã, Diná. Modesta, já avisa logo que muitos times europeus não estavam presentes. “Tudo sai do bolso do atleta”, ressalta como motivo para a pouca adesão. Segundo ela, a competição mesmo era contra o Chile e o Paraguai, grandes adversários sul-americanos.

Os jogos da Universíade foram no próprio Grêmio Náutico União, onde treinava, e o desfile foi no Estádio Olímpico. “Foi uma festa linda, muito bonito, que nem agora na Olimpíada e na Paralimpíada”. Além do título no vôlei, Diva também competiu pela natação, mas não se classificou.

A atleta conta que sempre foi muito competitiva, que fica com raiva quando perde, mas que o mais importante é estar jogando. “Se eu puder, estou sempre pensando na medalha.” Nos três últimos Master Games, competiu e perdeu para mesma adversária. “Quando chegou na última eu disse assim – ela não entendia nada do que eu dizia, nem ela o que ela dizia -, eu disse assim ‘na próxima, eu vou te ganhar’, e ela (sem entender nada) só ria.”

Além das medalhas, Diva foi professora na Escola de Educação Física na UFRGS e é conhecida pela “Quadra da Diva” na praia de Tramandaí. Os dois postes e a rede de vôlei que se encontram no final da Rua 12 de Abril, viraram sensação no veraneio da cidade. Por lá passaram jogadores como Tafarel, Renan, Bernardinho, Marcos Vinícius e Joca. Segundo a atleta, o campo já foi mais famoso, mas continua firme e forte. Este ano será o 47º ano de quadra, que fica montada de janeiro a março.

Com todos estes títulos e oportunidades, em frente a uma mulher que diz que está para “qualquer negócio”, não foi possível deixar de perguntar qual seu maior mérito. Diva responde: “jogar na Seleção Brasileira sempre é uma virtude, porque nem sempre a gente consegue. Quanta gente que joga durante anos e não é convocada, mas eu consegui jogar”. E ainda completa que considera que nunca jogou profissionalmente, já que “nunca se ganhou nada [de dinheiro], é tudo no amor”.

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