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A realidade de um sonho

18/07/2016

por Filipe Kunrath

Seis horas e dez minutos, toca o despertador. Já está na hora de acordar? Para André Pereira, nadador gaúcho classificado para às Olimpíadas do Rio de Janeiro, sim. A rotina de um atleta de alto rendimento não é fácil, 7h30 é preciso já estar na água. Às 10h, uma pausa para um lance, 10h30, mais treino, dessa vez musculação. Depois do almoço a boa e velha fisioterapia, para depois, cair no seu habitat, a água, por mais 2h. Tudo isso, para representar o Brasil no revezamento 4 x 200m, nos Jogos Rio 2016.

Quem disse que seria fácil disputar os uma Olimpíada? Ninguém, e André sabe bem disso.Desde pequeno o André Pereira tinha simpatia pela água, talvez influência da mãe, nadadora, e do irmão, surfista. “Já tinha tentado futebol e eu era um perna de pau, era sempre o último a ser escolhido. Vôlei eu até jogava bem, mas a natação foi o que me despertou para o esporte”, conta o atleta.

Muito cedo, aos 9 anos, começou a frequentar a Peixinho Azul, escola de natação de Osório. Uma criança ainda, é claro, mas que demostrava certo talento dentro da água. “Na primeira competição que teve na Peixinho Azul, eu estava de brincadeira, atravessei a piscina e parei do outro lado e esperei. Vi o pessoal todo  virando e voltando, aí sai depois, e mesmo assim ganhei com folga”, lembra André.

O tempo passou e os resultados continuaram a aparecer. Nadar era o que queria fazer para o resto da vida. Em 2007, um novo desafio: a cidade grande.Com 13 anos de idade, André Pereira decidiu dar uma braçada em direção ao profissionalismo e veio treinar em Porto Alegre, no Grêmio Náutico União.

No primeiro ano, 100km separavam a casa e a escola do novo clube. Oitava série, adolescência, amigos, mudança de ciclo, tudo isso junto com o treinamento e as solitárias viagens diárias. “Foi um aprendizado bem grande, em 3 meses eu já recebia a recompensa deste trabalho, com resultados dentro da piscina. E isso que vai motivando a minha vida”, comenta André sobre o período. Aos 14 anos, a puberdade aflorando no corpo. Ensino médio começando, uma época de mudanças. Foi no mesmo momento em que André Pereira veio definitivamente morar em Porto Alegre. “Eu vim sozinho. Meus pais fizeram um esforço para alugar um apartamento próximo do União. O ensino médio já estudei aqui no Unificado com uma bolsa do clube. Morei sozinho, a janta era aquela história, massa com algum molho qualquer que eu fazia, era miojo, sanduíche. Era só treino e escola, aprendi muita coisa. Com 14 anos já tive que criar uma maturidade grande”, conta o atleta.

Mesmo com as dificuldades de morar sozinho, muito jovem, o que motivava o nadador eram as consequências dos treinamentos:  “Logo eu comecei a ganhar competições nacionais, aí os resultados foram consolidando o trabalho. A competição acaba nos motivando, o treino é importante, mas é massante. É o que te dá o retorno, te dá a emoção”.

Em 2013, já com 19 anos, André fez outra mudança que literalmente, mudaria sua vida. Junto com seus técnicos, decidiu trocar de prova: dos 50 para os 200m. E o resultado veio de forma quase que imediata: “Na última Olimpíada eu entraria já no revezamento. Eu fiz um ano depois dos Jogos, mas o meu tempo me classificaria”, lembra. No dia 31 de maio deste ano, veio a confirmação: André se classificou para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. “Estou vivendo meu sonho. Meu sonho de criança, desde que comecei a nadar era entrar em uma Olimpíada”, afirma.

Esta Olimpíada por si só é histórica para o nadador, já que é a primeira que participa. Contudo, as braçadas serão dadas em território brasileiro:  “É um orgulho grande, uma satisfação competir em casa. Eu acho que esse ambiente vai me ajudar bastante. ter o pessoal que eu conheço e que sempre me apoiou tá ali pertinho, me ajudando em cada braçada”. Sempre que se começa em um esporte, os jovens procuram referências, alguém para se espelhar. No caso de André Pereira, foi o também brasileiro César Cielo, campeão Olímpico nos 50m rasos.

O interessante é que hoje, os fatos se inverteram: Quem vai ficar torcendo é Cielo, e quem vai buscar a medalha é o nadador gaúcho. “É um cara que eu me espelho bastante. Ver agora ele fora da Olimpíada, quando eu to começando, dá uma tristeza, mas ao mesmo tempo eu vejo que quem entrou está muito bem preparado e merece. O pessoal treinou pra ganhar dele lá no inicio, isso de certa forma, foi ele que causou”, comenta o atleta.

Um dos ídolos de infância não estará dividindo a piscina com André Pereira, mas outro, segue firme para mais uma edição da competição. Michael Phelps, recordista de ouros na natação, estará presente no Rio de Janeiro. “É um cara que não tem mais nada para provar para o mundo. Ele é fora de série, um cara excepcional, costumamos brincar que ele não é daqui. Ele é um ET. Vou dar uma tietada nele, tentar tirar uma foto”, confessa.

Neste momento, André está totalmente dedicado a natação, aos treinos e torneios preparatórios. Mas além do atleta, ainda há um ser humano. O nadador trancou o quarto semestre de Engenharia Civil, que pretende dar continuidade após os Jogos.

“Depois vou fazer coisas que eu gosto. Viajar, escutar música, ir surfar com o meu irmão, ficar um pouco com a minha família e meus amigos, aproveitar. Gosto também de cozinhar, aprendi cedo. Agora não é só miojo não.”, conta em clima descontraído. Em cada gesto de André era possível perceber o foco do atleta nas Olimpíadas. Foco de quem sabe que vive o seu sonho, o sonho que o próprio tornou realidade.

 

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