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Ventos Olímpicos

15/07/2016

por Brenda Luíza Ferreira Vidal

Samuel Albrecht é um dos atletas gaúchos que vão defender o Brasil nas Olimpíadas do Rio 2016. O atleta disputará na categoria da Vela, na classe Nacra 17, ao lado de Isabel Swan.

A água é um elemento símbolo em várias culturas, cercada por ares de misticismo. Em uma breve busca na internet, a água é relacionada às ideias de movimento e transformação.  Com ou sem misticismo, os caminhos que levaram Samuel Albrecht, 34, a seguir carreira na Vela foram construídos por diversas transformações.   

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Samuel Albrecht velegando /Divulgação Facebook

O esporte sempre foi presente na vida de Samuel, que já participou de modalidades como futebol, handbol, vôlei, taekwondo e corrida rústica. No entanto, a vontade de fazer das águas sua companheira de rotina começou cedo, ainda quando criança: “Eu comecei a velejar aos 7 anos de idade por influência do meu pai, que tinha um pequeno veleiro. Quando a gente [ele e o irmão]  passeava com ele,  víamos os barcos da classe Optimist. Meu pai nos incentivou e começamos na escola de vela. Foi aí que tudo começou.” relembra Samuel.

A partir daí, a paixão pela Vela conduz a história de Samuel Albrecht. O segredo dessa paixão, talvez seja a constante renovação. Natural de São Leopoldo, Albrecht iniciou seus treinos na escola de Vela do Iate Clube Guaíba, onde permaneceu até as competições se tornarem mais sérias. A partir dos 12 anos, migrou para o clube Veleiros do Sul, ainda em Porto Alegre. Foi nessa fase em que teve sua formação na modalidade, passando pelas classes Optmist, Snipe, 470, 49er, e Oceânica, atingindo o nível profissional. O único afastamento do Veleiros do Sul aconteceu em 2008, ao disputar as Olímpiadas de Pequim na classe 470, ao lado de Fábio Pillar. Fábio e Samuel eram de clubes diferentes. Não sendo possível correr em dois clubes, Samuel teve uma pequena passagem pelo clube Jangadeiros. Mas, logo após, retornou ao Veleiros do Sul “em 2009 eu voltei para o Veleiros do Sul, onde realmente é minha casa, considero meu clube de coração”, afirma.

Segundo Samuel, não houve um momento em que decidiu se tornar um atleta. Para ele, foi tudo muito natural. Mas, o que era natural para um amante da Vela, não era natural para todos. Aos 18 anos, Samuel ingressou na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISSINOS), onde tentou cursar Direito. Não deu certo. Tentou Administração. Não deu certo. Tentou Educação Física. Não deu certo. Nenhum curso era mais atraente do que a liberdade e a imensidão do curso das águas: “Entrei na faculdade e nesse meio tempo eu pensava realmente na Vela, não conseguia ter a atenção especial que deveria dar à faculdade. Meu dia a dia começou a ficar  inserido na Vela, eu pensava muito nos barcos e nas velejadas.”, conta. Entretanto, nem todos entenderam essa escolha, “tive muito preconceito por parte de amigos, familiares, namoradas, enfim. Não era visto com bons olhos, como uma atividade que eu pudesse ter um futuro ou uma renda. Mas, Graças a Deus, as coisas foram dando certo”.

Atualmente, Samuel vive da Vela, mas não apenas como atleta. Ele pratica atividades comerciais relacionadas a categoria, como representante de marcas de Velas e administrador de embarcações. Reinventar-se é a chave para que a modalidade permaneça presente, “se eu resolver parar de velejar a nível olímpico, vou seguir trabalhando comercialmente”, diz o velejador.

No cenário nacional, o esportista é referência entre a comunidade naútica e já conquistou todos os títulos do circuito brasileiro. Com experiência nas categorias Snipe, Laser Standart, Match Race, Laser Radial e Oceano, também tem títulos regionais e sul-americanos. Multifacetado, Samuel Albrecht atualmente toca outro projeto além da campanha olímpica: o Crioula Team. “É uma equipe de Vela Oceânica, do Veleiros do Sul, que compete em grandes barcos pelo Brasil. Desde 2010, eu administro essa equipe.”   

Após a participação nos Jogos Olímpicos de 2008, em Pequim, Samuel embarcou em mais um desafio rumo ao ouro olímpico: mudou de classe, mudou de parceira e iniciou uma campanha para a edição 2016 dos Jogos. Em agosto, ele e Isabel Swan, medalhista de bronze em Pequim-2008 na classe 470, serão a dupla brasileira na estreante classe Nacra 17, única classe mista da competição. “Nós começamos a velejar em junho do ano passado, mas eu velejo nessa classe desde 2013.”, conta o velejador. Com dedicação total na reta final dos treinos, Samuel analisa o que é fundamental para o sucesso entre a dupla: “Eu acho que o essencial é a divisão de tarefas, cada um assumir as suas responsabilidades. Depois a confiança, a parceria, o companheirismo, vão crescendo e somando no relacionamento, a gente vai se conhecendo mais e melhor, e isso facilita bastante a relação.”, reflete. Entre a dupla, cada um tem uma função; Isabel Swan é a proeira, quem fica responsável por cuidar da vela mestra no contravento e da vela balão. Já Samuel é o timoneiro, concentrado na velocidade do barco, nos outros adversários, ele precisa analisar o cenário da regata.  A Nacra 17 é uma das classes mais rápidas, podendo chegar até a velocidade de 40 km/h.

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Isabel Swan e Samuel Albrecht são apostas no ouro olímpico. /Divulgação Facebook

Para Samuel, a vida de atleta é gratificante, mas nada fácil- principalmente vivendo no Brasil. O atleta se sente realizado por ter concretizado uma de suas maiores expectativas: viver daquilo que mais gosta. “Foi muito gratificante quando eu comecei a me inserir nesse mundo da Vela. Hoje, eu frequento os melhores lugares, sou a referência na vela. Isso me deixa muito feliz.”, confessa. Com o tempo, Samuel diz que os familiares compreenderam a sua carreia, com todos os sacrifícios, e que o apoiam bastante.  A única decepção que o velejador  viveu no esporte, na verdade, é uma crítica recorrente: “Eu tenho um pouco de desapontamento com o patrocínio no Brasil, é realmente muito difícil.” Samuel ainda acrescenta, “outra coisa que me decepciona um pouco é a mídia, em função de sempre prestigiar o futebol e outros esportes de massa, e que, geralmente ocupam um espaço todo.”, critica.

Nem todos os atletas têm a relação com a água que os velejadores têm. Entretanto, enfrentar uma carreira no esporte é como enfrentar a água: exige força, coragem, determinação e sabedoria. Cada ato precisa ser um novo fôlego, para que sonhos não se afundem em um oceano de desafios. Samuel Albrecht sabe bem disso e, depois de transpor barreiras e consolidar uma carreira, está em busca da coroação: o ouro nos Jogos Olímpicos Rio 2016.

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Samuel Albrecth, atleta da Vela. /Divulgação Facebook

A tradicional modalidade da Vela é uma das maiores esperança de ouros olímpicos para o Brasil. Nesta edição dos jogos, o país terá 15 representantes nas dez classes que estarão em disputas:

Classe Finn: Jorge Zarif

Classe RS:X feminina: Patrícia Freitas

Classe RS:X masculina: Ricardo Winicki

Classe Nacra 17: Samuel Albrecht e Isabel Swan

Classe 470 feminina: Fernanda Oliveira e Ana Barbachan

Classe 470 masculina: Henrique Haddad e Bruno Bethlem

Classe 49er: Marco Grael e Gabriel Borges

Classe 49er FX: Martine Grael e Kahena Kunze

Classe Laser Radial: Fernanda Decnop

Classe Laser Standart: Robert Scheidt

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