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Esgrima brasileira: Em busca do reconhecimento

15/07/2016

por Jonata Fabris

Manuscritos sobre a prática da esgrima remontam o século XVI. Na França, entre os séculos XVII e XVIII, havia competições de lutas com a utilização de sabres e espadas. Nas Olimpíadas, o esporte estreou somente em 1896, nos Jogos Olímpicos de Atenas. No Brasil, a esgrima começou no período Imperial, praticada no Rio e em São Paulo entre os militares, que a adotaram em treinamentos.

Alto Investimento

Praticar Esgrima no Brasil ainda requer bastante força de vontade e empenho de seus praticantes. Sem visibilidade para atrair patrocinadores e com módica ajuda de custo do Ministério do Esporte – as bolsas-atletas variam de R$ 950 a R$ 1.825 -, não é fácil duelar com florete, sabre ou espada pelas pistas de esgrima brasileiras. Somente com a indumentária (que incluem uniforme, jaqueta elétrica e máscara), os esgrimistas chegam a gastar R$ 6 mil. Uma espada custa cerca de R$ 600 e não resiste a mais de três meses de uso em treinos e competições. Mesmo assim, a esgrima brasileira vem crescendo e tem conquistado bons resultados nos últimos anos. No Pan-Americano do ano passado no Canadá, o Brasil voltou a fazer final na esgrima por equipes do Pan após 44 anos, ficando em segundo lugar. A equipe era formada por Guilherme Toldo, Ghislain Perrier e Fernando Scavasin, que levaram a equipe brasileira de florete à decisão do ouro em Toronto. Para Guilherme, todo atleta de esportes olímpicos no Brasil tem desafios e tabus a serem quebrados durante a sua vida esportiva. Na carreira dele, não diferente de muitos casos de outros atletas, tem que lidar com falta de apoio das instituições que é filiado para poder treinar em alto-rendimento, para competir e para poder se manter competitivo no cenário internacional. Além disso, por ser um atleta de esporte pouco desenvolvido nacionalmente, é difícil encontrar alternativas para treinar melhor, pra buscar as tendências da esgrima mundial e de manter os objetivos anuais em crescimento.

”Só quem realmente trabalha junto e tem contato é que entende realmente os desafios do esporte olímpico com pouca visibilidade. Mas de qualquer maneira, quando os desafios são superados, a satisfação pessoal é muito gratificante”, afirma o esgrimista.

Iniciação ao esporte

O atleta gaúcho teve o seu primeiro contato com a Esgrima ainda criança. Quando tinha 7 anos, participou de um projeto do Grêmio Náutico União, que acontecia nas férias escolares e assim conheceu o esporte da sua carreira.  Posteriormente, por incentivo de seus pais e de um primo (que já havia praticado o esporte anteriormente) acabou se inscrevendo na escolinha de Esgrima no ano seguinte e, assim com um início despretensioso, já se passaram cerca de 16 anos que segue praticando o esporte.

Rotina de Treinamentos

Em esportes de alto rendimento, muitas vezes a rotina de treinos é elevada, visando principalmente um desempenho superior. No caso de Guilherme, a rotina de  treinamentos é bem elevada.

”A minha rotina de treinos é composta por dois turnos de treinos diários de segunda à sexta. Assim, acabo alternando na jornada de treinamento sessões de preparação física e de treino técnico. Em um dia, somados os dois períodos, acabo passando de 6 a 7 horas diárias dentro da Sala de Esgrima.

Uma rotina bem organizada, que tem em vista também um cuidado com a alimentação. Contudo, como na esgrima não são divididas por modalidade e sim por peso, o atleta diz que, particularmente, não tem uma dieta para seguir a risca.

”Assim, me sinto tranquilo para comer um pedaço de chocolate de vez em quando (por exemplo), mas tenho total consciência de que manter uma rotina de alimentação nos trilhos é fundamental’, explica Guilherme.

Olimpíadas do Rio

Com a temporada de competições da esgrima chegando ao seu final, os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro e o Campeonato Pan-Americano no México, são as última competições que Guilherme participará nesse ano. E ele segue confiante para trazer mais medalhas e, principalmente, visibilidade para o seu esporte no país.

”A sensação de poder representar o próprio país é muito intensa, em uma edição de Jogos Olímpicos então, é muito maior. Já, disputar a segunda prova olímpica no Brasil, pessoalmente é uma oportunidade muito especial e gratificante! Tenho a pretensão de buscar mais uma medalha no pan-americano e chegar o mais perto do pódio possível nos jogos do Rio. Sei que são objetivos bem ambiciosos, mas tenho convicção que as boas temporadas que venho fazendo nos últimos anos me dão uma bagagem para poder alcança-las. Atualmente, estou classificado no ranking mundial como 50° colocado, assim, para os próximos anos, tenho o intento de chegar entre os top 15 e elevar o meu nível de esgrima para poder acompanhar a elite da esgrima mundial”, salientou.  

Para o esgrimista, o crescimento da esgrima brasileira nos últimos anos é notável. O aumento no número de medalhas vencidas na última edição dos Jogos Pan-Americanos e o aumento de atletas Olímpicos classificado para o Rio são os exemplos mais palpáveis desse desenvolvimentos. Tendo em vista esses resultados inéditos, não tenho nenhuma dúvida de que será possível repetir um bom desempenho nas Olimpíadas do Rio. Desta maneira, tenho convicção de que todos integrantes estão se preparando intensamente para buscar novos resultados e arrisco a dizer que uma medalha não pode ser descartada do programa desse grupo. Esses atletas estão escrevendo um capítulo muito importante no desenvolvimento da esgrima nacional e fico muito contente e fazer parte dele.

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