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Entrevista: Ana Luiza Busato Barbachan

15/07/2016

por Ricardo Santos

Data de nascimento: 15/08/1989.

Onde nasceu: Porto Alegre, RS.

Onde estudou: Colégio Santa Inês, Colégio Nossa Senhora do Rosário e Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

Onde reside: Porto Alegre, RS.

Está no RJ?

A vinda aqui nesse momento foi projeto nosso, faz parte do planejamento para esse ano. A gente pensou no início do ano concentrar mais em campeonatos internacionais e agora, a partir desse mês (maio), vir para o Rio de Janeiro para focar na raia olímpica. Então, não é uma obrigatoriedade, somente achamos melhor. Nossa equipe que fez.

Interesse pela vela

Na verdade, meus pais velejavam. Tanto meu pai quanto minha mãe sempre tiveram contato com a água, com os clubes náuticos de Porto Alegre. Então eu sempre tive no meio assim, envolvida com clube, a parte mais social do mesmo. Aí com 11 anos, eu e minha irmã decidimos começar a escolinha de vela. Era para criança, iniciação às competições, uma coisa mais para praticar esporte mesmo, para competir. A gente entrou na escolinha dos “veleiros do sul”, daí comecei a velejar e competir, não parando mais.

Dificuldades do esporte

A vela é um esporte bem caro, na verdade. A gente tem bastante custo. Quando eu comecei, eu velejava em um barco de criança, que não é tão caro quanto os barcos que eu velejo hoje em dia. Mas sempre tive o apoio da minha família, principalmente da minha mãe, cujo incentivo era fundamental. Ela tentava guardar dinheiro para a gente poder participar dos campeonatos a nível nacional. Mas realmente, é um esporte bem caro e requer uma demanda financeira bem grande. É difícil assim, para quem não tem muitas condições, realmente, conseguir se inserir no esporte. Depois, claro, conquistando alguns resultados, as coisas acontecem mais naturalmente, surgem alguns patrocinadores. A confederação também procura sempre que possível ajudar. O início é complicado, mas depois melhora bastante.

Divisão do esporte e as categorias

Existem várias classes. Classes a nível olímpico, classes a nível Pan-americano e outras que não participam desse tipo de evento. Nas olimpíadas, são dez classes. Dez possibilidades/modalidades dentro da vela que tu podes competir. A nossa é a 470 feminino, e nessa classe existe também a masculina. As provas são feitas em duplas. Nosso barco é para duas pessoas velejarem, não tem como velejar em uma só. No meu caso, eu e minha parceira Fernanda Oliveira.

Boa preparação

Esse ano foi ótimo, fizemos bons resultados nesses eventos. A gente optou por fazer um início de ano bem puxado em termos de competições. Justamente pra pegar ritmo. Foram sete eventos no início do ano e cinco pódios. Foi um início bem bom, com muita expectativa para os jogos, pois mantemos uma constância no grupo de barcos, sempre entre as primeiras.

Concorrência?

Estávamos até comentando com amigos aqui do clube: nossa faixa é muito equilibrada. As mulheres vêm muito preparadas. São vários países que vêm muito forte para os jogos. Mas eu te diria que as principais adversárias são: As neozelandesas, as austríacas, as francesas, as inglesas e ainda têm algumas que variam um pouco mais, não figuram sempre entre as primeiras, mas vem forte esse ano também que são as americanas e as japonesas.
Aqui na América Latina temos as chilenas, que são mais novas, mostrando alguns resultados expressivos. Entretanto, falta um pouco mais de constância. Nessas olimpíadas acho que ainda não, nos próximos eventos pode ser que elas cheguem com mais força.

Treinos em POA

Meus treinos rotineiros são feitos no Guaíba. Disputo as competições em águas totalmente diferentes. É bem particular. Em Porto Alegre, treinamos mais conceitos básicos: exercícios como a largada, manobras, coisas que vão ser parecidas em qualquer lugar, qualquer raia que tu vais correr. Em questão de tática, é muito diferente, até pela questão da água. Aí a gente tem a água doce do Guaíba. Muda pra salgada, o barco boia mais. Onda diferente, um tipo de esforço diferente. Tudo isso vai contabilizando. Além disso, no rio Guaíba a gente só tem a corrente, quando chove, vem mais água lá de cima dos afluentes para o Rio e fica aquela corrente forte. Nas águas oficiais da competição, a gente tem maré, muda todo o dia. Muda de sentido, de intensidade, dependendo da lua. Muda muito. Por isso, sempre que possível nós treinamos aqui (no Rio de Janeiro). Raia do Rio de Janeiro é bem difícil.

Jogos em casa

Acho que a gente só vai saber de verdade quando os jogos chegarem. A expectativa é grande até pela família e pelos amigos. Vivemos mais intensamente os jogos por ser aqui. Mas a real noção da grandiosidade do que é isso, só vamos saber quando chegar lá e tiver todo o “circo” armado e o evento estiver prestes a começar. É uma oportunidade única, são poucas pessoas que a tem ou vão ter. Será um momento ímpar para nós atletas. Colocar em prática, sob os olhares dos teus torcedores, tudo aquilo que tu tanto treinaste durante quatro anos.

Tensão política do país atrapalha?

Eu acho que não. Os jogos são uma coisa muito maior. Não é só o Brasil que está envolvido na preparação do evento. É um evento muito grande, que tem proteção internacional. O COI, o Comitê Olímpico Internacional, faz diversas exigências, assim como a gente viu na Copa, a FIFA fazendo diversas exigências. Nas Olimpíadas, tem o COI por trás, então acho que dificilmente nossa questão interna vai interferir tanto nos jogos. A expectativa segue boa. Nós vimos as obras, tudo está acontecendo em ritmo acelerado para que fique pronto e o evento seja bonito.

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