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A volta de Talitha Haas

14/06/2016

Medalhista em Pan-americanos tinha abandonado a carreira na Patinação Artística, no ano passado, por falta de apoio

Cássia de Oliveira

 

Não adiantou. Ela não conseguiu ficar sem os patins nos pés. Depois de anunciar o fim de sua carreira na Patinação Artística no final de 2015, voltou com vitória, durante o Campeonato Brasileiro de Patinação Artística deste ano, que aconteceu entre os dias 15 e 18 de abril, em Venâncio Aires (RS).

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Competindo na categoria Quartetos, Talitha Haas – bicampeã em Pan-americanos (bronze em Guadalajara/2011 e prata em Toronto/2015) e bronze no Mundial de 2009, na Alemanha – voltou a brilhar, agora ao lado de três companheiras: Gabriela Bolognesi, Marcelle Guimarães e Nicolle Goi. O Quarteto, que representou a Sociedade Ginástica Novo Hamburgo, ficou em 3° lugar com a coreografia Brazilian He(art). Num ritmo bem brasileiro, misturando música indígena e carnavalesca, elas tocaram até instrumentos de bateria de samba e encantaram o público.

 

Sem apoio

Quem não conhece o mundo da Patinação Artística e olha de fora as fantasias coloridas, a maquiagem exuberante e a coreografia arrebatadora pode não imaginar o quanto é difícil se manter no esporte. Meses antes do Campeonato Brasileiro, Talitha já anunciava no seu perfil no Facebook broas de páscoa para vender, que as mães do Quarteto estavam fazendo para ajudar com os gastos em fantasias, viagens, hotéis e quadra para treino.

 

— Como alguns sabem, vou competir esse ano em uma modalidade nova e continuo sem patrocínio financeiro.

 

Talitha sabe muito bem das dificuldades que os patinadores enfrentam para se manter no esporte amador. No final de 2015, ela anunciou sua aposentadoria na Patinação por falta de patrocínio. A estudante de Engenharia Química do 8° semestre chegou a uma encruzilhada e teve que escolher; continuar na patinação sem apoio financeiro, competindo mais alguns anos em alto nível ou investir em sua carreira de Engenheira Química, fazendo estágios. Talitha escolheu os estudos, que na situação atual, era mais garantido.

 

Os custos no esporte são muito altos: patins profissionais (que podem custar até 3 mil reais), roupas sob medida, viagens, treinador, clube e diversas taxas com as Confederações. O único patrocínio que a medalhista em Pans ganha é da Rye, uma marca de artigos esportivos que doa os patins para a atleta. Todo resto era bancado pelos pais. Eles sempre incentivaram a filha e não queriam que largasse o esporte que há 14 anos lhe acompanhava.

 

Tudo começou como uma brincadeira

Os passos na Patinação da única atleta brasileira a competir em dois Pan-americanos foram sempre marcados pela sorte e pelo acaso. O primeiro contato com o esporte foi aos 7 anos por um convite de uma amiga de escola. No dia sua mãe não podia levá-la, então uma vizinha que frequentava a Sociedade Ginástica de Novo Hamburgo (onde aconteciam as aulas) se ofereceu para levar. Talitha diz que até hoje a vizinha brinca que se não fosse por ela, nunca teria se tornado uma grande patinadora.

 

— Eu lembro que a gente vinha e não era um treino, sabe? Era uma brincadeira. Depois eu comecei a competir e fui gostando…

 

Talitha Haas cresceu em cima dos patins, deslizando nas pistas. Diferente das crianças de sua idade, que iam para a escola de manhã e de tarde tinham o restante do dia livre, ela treinava toda a tarde e quando não tinha horário treinava de noite ou de madrugada.

 

— Quando eu peguei catapora e não podia treinar com os outros, fui obrigada a treinar só à noite — conta, entre risos.

 

Na medida em que crescia, as renúncias que teve que fazer para se dedicar a treinos de 4h por dia aumentavam. Férias nunca existiram para a patinadora, o tempo era usado para treinar intensamente. Sua técnica Janaina Espindola – a mesma de quando começou – alugava uma casa na praia para ela e as patinadoras e arranjava um ginásio na cidade para o treino. Apesar de tudo, para ela, a Patinação Artística nunca foi um sacrifício, mas uma escolha.

 

— Eu nunca pensei como renúncia. Nunca pensei: vou fazer isso ou vou patinar. Minha primeira opção sempre era patinar.

 

De olho no futuro

— Eu sabia que eu não ia conseguir ficar longe.

 

Talitha conta que desde o ano passado pensava em fazer um quarteto para continuar competindo. A atleta, que se tivesse apoio continuaria patinando em categorias individuais, explica que a dedicação seria muito maior no nível que já está, em termos de tempo e treinos fora do país. Em grupo não é tanto e foi essa saída que ela encontrou para não deixar de vez os patins guardados.

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Hoje, com o Quarteto convocado para o Campeonato Pan-americano de Patinação, que acontece de 17 a 25 de junho, na cidade de São Leopoldo, vamos ter a oportunidade de ver o Brasil mais uma vez representado pela melhor patinadora do país.

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O Quarteto (da direita para a esquerda: Gabriela Bolognesi, Talitha Haas, Marcelle Guimarães e Nicolle Goi) no Campeonato Brasileiro de Patinação Artística deste ano

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