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A cobertura esportiva nas emissoras de rádio porto-alegrenses

30/05/2016

Por Amanda Hamermüller

 

Mesmo com a presença das emissoras de televisão, tanto abertas quanto a cabo, e com o grande uso da internet, ainda existem brasileiros que sintonizam em sua rádio favorita. Muitas pessoas não entendem a diferença da rádio AM para a FM e, algumas vezes, consideram a frequência AM algo ultrapassado. Diversas emissoras operam em AM, apresentando programas que podem chegar a milhões de ouvintes, pois as ondas AM têm um bom alcance em lugares distantes.

Para quem costuma ouvir frequentemente, é praticamente impossível abster-se de informações esportivas. Apesar disso, segundo pesquisa realizada por Esporte Clube Ibope Media em 2011, apenas 21% da população buscam, voluntariamente, informações referentes a esportes no rádio no país.

Atualmente, a elite do rádio porto-alegrense cobre o esporte de uma forma geral. É fato que ainda existe a supremacia do futebol nessas coberturas. Isso porque, de acordo com Milton Jung, da Rádio CBN, o rádio cresceu com o futebol brasileiro. Porém, ao longo dos anos e ainda hoje outras modalidades estão, aos poucos, conquistando seu espaço.

Aqui na capital, a trajetória do esporte no rádio, mais precisamente do futebol, começou década de 30. Por volta de 1934, a Rádio Sociedade Gaúcha transmitia o programa Boletim Desportivo, que trazia informações dos jogos de futebol. “É interessante observar que o rádio e o futebol são frutos de um processo de construção de uma identidade nacional, na medida em que contribuíram para o reconhecimento da primeira vivência de nação” afirma a doutora em comunicação, Jamile Gamba Dalpiaz.

Mesmo com toda a tecnologia existente, a AM ainda é responsável por informar muitas pessoas que moram em lugares de difícil acesso. E, 2-13, um decreto previu a extinção a extinção do serviço de radiodifusão local por onda média, onde estão as emissoras AM. Ela continuaria existindo, mas foi proposto às emissoras a opção de migrar para a faixa FM. Em virtude disso, as emissoras estão buscando retransmitir suas programações. Porém, não basta apenas retransmitir, mas sim adaptar-se ao novo contexto. Mudanças na linguagem e nas formas de seguir os programas são necessárias para cativar os atuais ouvintes e conquistar novos. O cruzamento com outras mídias proporcionaram a inclusão de tecnologias, usadas inicialmente para televisão e internet, na radiodifusão. Os serviços por demanda, popularizados pelas emissoras de televisão, agora também permitem que o ouvinte de rádio acesse, por páginas virtuais ou aplicativos, os programas de rádio já transmitidos.Semana-de-Jornalismo

O rádio, até hoje, é o meio que mais veicula esporte. Programas inteiros são destinados a esse tema, desde debates, entrevistas e mesas redondas até transmissões de eventos esportivos. Mas houve uma mudança no perfil do consumidor de informações. O ouvinte interage com os produtores da mensagem: opina, sugere, critica, por meio de ferramentas como redes sociais. A interatividade ganhou cada vez mais espaço nos programas e nas estratégias das emissoras tradicionais, inclusive naquelas associadas ao esporte. Algumas dinâmicas são introduzidas às jornadas esportivas e colaboram para o show dessas transmissões.

A programação radiofônica esportiva atualmente é formada pela cobertura diária e transmissão de eventos. Na cobertura diária, a figura do repórter esportivo é fundamental para a produção de reportagens em eventos esportivos. Na transmissão de eventos mesclam-se planejamento e improviso.

A cidade de Porto Alegre conta em 2016 com 34 emissoras. Nove operam na frequência AM (Rádio Boa Vontade – 1300, Capital 840, CBN – 1340, Esperança – 1390, Itaí – 880, Pampa – 970, Real – 540, Rural – 1120 e Rádio da Universidade – 1080). 19 na FM (Rádio 104 – 104.1, Alegria – 92.9, Aleluia – 100.5, Aliança – 106.3, Antena 1 – 89.3, Atlântida – 94.3, Band News – 99.3, Continental – 98.3, Eldorado – 97.5, Deus é Amor – 105.9, Felicidade – 90.3, FM Cultura – 107.7, Gospel Sul – 91.5, Itapema – 102.3, Liberdade – 104.9, Mais FM – 97.9, Rádio Mix – 107.1, Novo Tempo – 99.9 e Unisinos FM – 103.3). E seis são transmitidas tanto na AM quanto na FM (Bandeirantes – AM 640 e FM 94.9, Caiçara – AM 780 e FM 96.7, Farroupilha – AM 680 e FM 92.1, Gaúcha – AM 600 e FM 93.7, Grenal – AM 1020 e FM 95.9 e

Guaíba – AM 720 e FM 101.3).

As rádios Gaúcha e Guaíba, que operam em AM e FM, se sobressaem na cobertura e no jornalismo esportivo. A Rádio Guaíba já nasceu com uma estrutura e credibilidade que vinham do Jornal Correio do Povo. A vitória do Brasil na Copa de 1958, a primeira transmitida por uma emissora gaúcha, e quatro anos depois, na Copa 1962, no Chile, estimularam a cobertura e as transmissões esportivas. Com isso, o rádio esportivo ganhou maior impulso e organização. A Rádio Gaúcha vem liderando em audiência desde 1986, graças à cobertura da Copa do Mundo do México. Sem levar em consideração as transmissões de jogos, atualmente a Guaíba se destaca em números de programas: dos 36, 17 são exclusivamente sobre esportes – 47,2% dos programas – ocupando cerca de 27,6% do tempo semanal, aproximadamente 46h. São apresentados 10 programas sobre futebol, um sobre MMA e um sobre Fórmula 1. A No quesito tempo, a Rádio Gaúcha dedica cerca de 30,4% da sua programação semanal – 51h – porém, possui menos programas: dos 29, 14 são dedicados ao esporte. São seis sobre futebol, um sobre esportes olímpicos e um sobre MMA. A diferença está na duração dos programas. A Gaúcha possui menos programas, mas com durações mais longas. Em contrapartida, a Guaíba possui mais programas, mas de curta duração.

Entre as rádios AM, a Rádio Boa Vontade, apesar de ter sua programação predominante gospel, possui um programa esportivo dentre seus 26. Isso equivale a 3,85% dos programas da rádio e 3,6% do tempo de transmissão semanal – aproximadamente 6 horas. Já a CBN, dos 14 programas, dois são de esportes – 14,2% dos programas – ocupando 8h35 do tempo semanal – 4,7%. As rádios Pampa e Real não tem nenhum programa de esportes em sua grade de programação, mas cobrem de forma superficial em seus jornais, acumulando cerca de 1h30 de esporte semanalmente – 0,9% do tempo. As rádios Capital, Esperança, Itaí, Rural e da Universidade não falam sobre o assunto em nenhum de seus programas.

Nas emissoras FM, a maioria é de conteúdo Gospel – Aleluia, Aliança, Deus é Amor, Felicidade, Gospel Sul, Mais FM e Novo Tempo – ou musical – 104, Alegria, Continental, Eldorado, Itapema e Rádio Mix. As rádios Antena 1, Liberdade e Unisinos FM citam atualizações esportivas brevemente em seus programas. Já a Atlântida tem 2 programas sobre esportes – ambos sobre futebol –, dos seus 28 –

equivale a 7,1%. No tempo, a rádio dedica cerca de 10 horas semanais, ocupando 6% do tempo de programação. A Band News possui uma equipe de repórteres, apresentadores e comentaristas esportivos, mas não disponibilizou a grade de programação para análise.

Ainda temos à disposição a Caiçara e a Farroupilha, que incluem em seus programas populares informações sobre esportes em geral, comentários e enquetes para participação do ouvinte. A Rádio Bandeirantes informou que semanalmente, pelo menos 30% da sua programação é dedicada ao esporte.

Por fim, há uma emissora que possui 100% da sua programação exclusivamente para futebol: A Rádio Grenal.

As emissoras que operam em AM se destacam na cobertura esportiva: 66% dedicam espaços para esportes, enquanto na FM apenas 47% fazem o mesmo. Isso reafirma o fato de que o rádio, sobretudo o AM, atinge muito mais pessoas na busca pela transmissão da informação.

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