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Gaúchos mas Paramlímpiadas

16/05/2016

Por João Pedro Teixeira 

Enquanto as atenções e os holofotes estão voltados para os celebrados atletas que disputarão em agosto os primeiros Jogos Olímpicos na América Latina, há esportistas do mais alto nível e rendimento se preparando silenciosamente para, no mês seguinte, disputar a competição que lhes pode trazer o prestígio, a realização profissional e o sentimento de volta por cima. Os inéditos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro serão a 15ª edição do evento que teve início em Roma no ano de 1960, já no atual modelo em que segue imediatamente a realização das Olimpíadas. A origem e inspiração dos Jogos é creditada a um evento organizado no vilarejo inglês de Stoke Mandeville pelo médico alemão Ludwig Guttman. O objetivo do neurocirurgião era desenvolver esportes adaptados que servissem para reabilitação, recuperação da auto-estima e inserção social dos soldados britânicos que retornavam com deficiências após a II Grande Guerra. O projeto rapidamente se expandiu e quatro anos mais tarde se tornou um evento internacional com a adesão de atletas holandeses.
Foi nos Jogos de 1972, em Heidelberg, na Alemanha, que o Brasil teve sua primeira participação em Paralímpiadas.O país levou 20 participantes (todos homens), mas não conquistou nenhuma medalha. Na edição seguinte, quatro anos depois em Toronto, houve a conquista da primeira medalha paralímpica brasileira com a dupla Robson Sampaio e Luís Carlos obtendo a prata na Bocha; neste mesmo evento teve o ineditismo de duas atletas mulheres na delegação paralímpica brasileira. Desde então o Brasil participou de 11 edições dos Jogos, conquistando 230 medalhas no total, sendo 73 de ouro, 83 de prata e 74 de bronze. Atualmente os Jogos de 2012, disputados em Londres, marcam o melhor desempenho do país na história das Paralímpiadas: o país terminou em 7º lugar geral, com 21 medalhas de ouro (sendo 6 delas do fenômeno da natação e cinco vezes recordista mundial Daniel Dias), 14 pratas e 8 bronzes.
A expectativa é que o Brasil, como país sede, seja capaz de ultrapassar a histórica marca de quatro anos atrás nos Jogos de 2016. Com tradição esportiva e clubes com vocação para formação de atletas, o Rio Grande do Sul espera contribuir com esportistas de alto nível que possam brigar por medalhas. Confira os atletas gaúchos que se destacam nos esportes paralímpicos.

 

 

jovaneJOVANE GUISSONE
Possivelmente o mais célebre dos atletas paralímpicos do estado, o natural da cidade de Barros Cassal, Jovane Guissone entrará na competição deste ano como um dos favoritos ao ouro na categoria Espada B da Esgrima em Cadeira de Rodas. Já com a vaga para o Rio garantida, Jovane é o atual campeão da categoria após uma difícil conquista em Londres.
Atualmente morando em Esteio, na região metropolitana de Porto Alegre, Jovane começou a praticar esgrima em 2008, quatro anos após perder o movimento das pernas. Desde então, o atleta do clube Gremio Naútico União foi multicampeão brasileiro de sua categoria e, além do ouro olímpico, já conquistou as medalhas de bronze e prata em Copas do Mundo, sendo a última em fevereiro deste ano.

 

 

alex pires

ALEX PIRES
Após a frustração de por pouco não ter sido conquistado a vaga para as Paralímpiadas de 2012, o corredor Alex Pires aguarda com ansiedade a confirmação de sua participação nos Jogos do Rio. Atleta da Sogipa desde 2010, Alex já tem um currículo extenso, e vitorioso. No Mundial de Lyon, em 2013, o gaúcho conquistou 3 medalhas, duas de prata (nos 1500 e 5000 metros) e outra de bronze (nos 800 metros); em 2015 repetiu as boas atuações, ganhando a medalha de prata na maratona do Mundial de Londres e nos 1.500 metros, em Doha.
Dono da segunda melhor marca em maratonas na temporada, Alex espera ter sua vaga confirmada nos próximos Jogos Paralímpicos em julho, quando o Comitê Paralímpico Brasileiro divulga a lista de selecionados.

 

 

 

GERALDO VON ROSENTHALgeraldorosenthal
Campeão mundial de pistola em 2013, na Tailândia, Geraldo já tem sua vaga assegurada nas Paralímpiadas após o bom desempenho na Copa do Mundo de Tiro Esportivo de Sydney, na Austrália, ocorrida no ano passado. Natural de Campo Bom, na região do Vale dos Sinos, Geraldo começou a praticar tiro esportivo em 2007; quatro anos depois, já havendo superado três recordes nacionais, passou a integrar a seleção brasileira. Atualmente Geraldo está em 4º no ranking mundial de Pistola Sport, sendo considerado uma grande esperança de medalha para o país e um dos seletos atletas contemplados pela Bolsa Pódio, que o permite se dedicar de forma integral ao esporte.

 

luizaoliano

 

LUÍZA OLIANO
Já escalada para o revezamento da Tocha Olímpica, Luiza espera agora pela convocação como reserva na categoria de 48kg do judô paralímpico. Atleta do Grêmio Naútico União, a judoca de apeans 18 anos conta com o impacto dos resultados recentes para ser lembrada na hora da convocação. Luíza conquistou a medalha de bronze no Grand Prix de Judô para Cegos em março deste ano, no Rio de Janeiro. Em agosto de 2015, a judoca teve um bom desempenho na edição do ParaPan, em Toronto, onde conquistou o bronze.

 

 

 

MÔNICA SANTOSmonica santos
Mônica foi um dos grandes destaques na última Copa Brasil de Esgrima em Cadeira de Rodas ao ganhar três primeiros lugares, dois em categorias individuais e o outro na categoria espada feminina por equipe.
Cadeirantes desde 2002, Mônica iniciou nos esportes paralímpicos no basquete em cadeira de rodas, até receber o conselho de Jovane Guissone para tentar a esgrima. Em 2010, passou a integrar a seleção brasileira; cinco anos depois ganhou a primeira medalha de ouro internacional da esgrima paralímpica femnina ao vencer o torneio Regional das Américas no Canadá. Na última semana deste mês de maio há uma nova edição da Regional, se Mônica vencer estará oficialmente classificada para os Jogos do Rio; também é grande a chance de a esgrimista ser indicada para a vaga que o Brasil ganha por ser país-sede.

 

OUTROS AINDA EM DISPUTA
Além de Mônica e Jovane, ainda há mais quatro esgrimistas do GR União que disputarão o Regional das Américas pelas vagas que restam: Rudinéia Mânica, medalha de bronze no Florete A individual e ouro no Florete feminino por equipe, Vanderson Chaves, Fábio Damasceno e Maurício Stempniak.
A nadadora de Canguçu, Luiza Rios também mantem a esperança de participar do jogos. Após quatro medalhas de ouro no Circuito Brasil de Natação em 2015, Luiza segue a busca pelo índice paralímpico e saiu vitoriosa de mais um importante evento, no inicio deste ano, o Circuito Caixa, considerado um dos mais importantes campeonatos nacionais de atletismo e natação.

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