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Fernandão, o eterno capitão

19/07/2015

Por Gabrielle Fernandes Müller

No futebol, os ídolos são muito comuns. Seja do time, seja da torcida, seja dos torcedores, os ídolos são figuras carimbadas na história dos clubes. Um desses ídolos, que ganhou destaque no Internacional, foi Fernando Lúcio da Costa, o Fernandão. Ele atuou em diversas esferas, tendo chegado ao Inter em 2004 como jogador e ficando até 2008 nessa posição, retornando ao clube em 2011 como diretor executivo e assumindo, em 2012, o comando da equipe.

Mas não foi somente o tempo pelo qual defendeu o time que fez de Fernandão um ídolo para o Internacional. A sua postura, além das conquistas que obteve ao lado do grupo, fizeram diferença na carreira e na vida do jogador. Conhecido principalmente pela participação na conquista de dois dos maiores títulos do Inter, em 2006, quando foi capitão do time, ele também viveu outros momentos marcantes vestindo a famigerada Camisa 9.

Trazido ao clube pelo então presidente do Internacional, Fernando Carvalho, já na sua estreia Fernandão fez o gol de número 1.000 nos clássicos grenais (Grêmio x Internacional), ganhando a simpatia da torcida. E foi nesse episódio que ele começou a escrever a sua história como ídolo do clube. Para Leonardo Lima Mendes, torcedor do Internacional, “Fernandão simboliza o Internacional mais vitorioso até o momento. Ele possuía características físicas de um legítimo camisa 9, mas até nisso ele se diferenciou, pois sua inteligência e capacidade de leitura do jogo eram fundamentais para aquela equipe”.

Fernandão (centro) comemorando a conquista do Mundial de Clubes da Fifa, em dezembro de 2006. Foto: Divulgação/Portal R7.

Fernandão (centro) comemorando a conquista do Mundial de Clubes da Fifa, em dezembro de 2006. Foto: Divulgação/Portal R7.

Mendes relembra também momentos importantes onde o ídolo colorado foi decisivo. “Na Libertadores, ele foi decisivo dentro de campo, fazendo gols importantes nas partidas contra LDU, Libertad e na final contra o São Paulo. No mundial, foi decisivo fora de campo com suas palavras antes dos jogos. Como esquecer o vídeo do vestiário antes da final contra o Barcelona?”, pontua ele.

Assim como ele, Frederico Teichmann também acredita que Fernandão tenha sido muito importante para o Internacional. “A história do Inter está dividida em algumas partes, e a última parte começa quando o Fernandão foi contratado. Ele sempre será o maior capitão de todos os tempos, tendo ganhado os mais importantes títulos da história do clube”, afirma Teichmann.

Priscila Souza Decarli também aponta Fernandão como uma figura importante para o time, principalmente no episódio dos títulos, em 2006, mas acima de tudo para a história do Inter. Segundo ela, “a importância dele não é somente por ter sido um ótimo jogador, mas também por ter sido um capitão com uma forte liderança. Isso com certeza fez diferença”. Sobre a relação do jogador com a torcida, ela acredita que ter um ídolo motiva os torcedores e que Fernandão se tornou um ídolo pelo amor que demonstrava pelo clube, pelo carisma e a identificação que tinha com a torcida.

Para Leonardo, o amor do torcedor é importante para consagrar um jogador como ídolo, que também serve de inspiração para os companheiros de equipe. “Fernandão não era meu ídolo pessoal. Eu o considero um ídolo do time. Sempre em entrevistas ou vídeos, ele se expressava pelo grupo. Sempre foi um líder nato, dentro e fora de campo”, ele diz.

Já Frederico tinha uma relação bem mais pessoal com o jogador, inclusive sendo apontadas semelhanças físicas entre eles. “Minha relação com ele era muito grande…quando era menor deixei meu cabelo crescer por causa dele, usava uma faixa no cabelo para copiá-lo. Todos me diziam que me parecia com ele”, alegra-se ele.

Depois da sua primeira passagem pelo Inter, entre 2004 e 2008, como jogador, Fernandão foi transferido para o Al-Gharafa, do Qatar. Ele retornou ao Internacional em 2011, como Diretor Executivo. Em 2012, atuou de julho a novembro como técnico do time, em substituição a Dorival Júnior. Para Priscila Decarli, é arriscado um ídolo tornar-se técnico do time, já que a expectativa da torcida é grande e um fracasso dentro de campo pode estragar a relação dele com os torcedores. Mas Leonardo Mendes afirma que isso só acontece se o torcedor tem “memória fraca”, ou é “torcedor de momento”. “Acho legal um ídolo ser técnico, pois ele já é identificado com o clube e com o torcedor”, salienta Mendes.

Mesmo com toda essa história de vitórias e conquistas com o time, foi em 2014 que o laço de Fernandão com o Internacional tornou-se verdadeiramente perpétuo. Na madrugada do dia 07 de junho daquele ano, em um acidente de helicóptero no interior de Goiás, encerrava-se a trajetória brilhante de Fernandão. A nação colorada estava de luto. “Acordei e olhei nas redes sociais a notícia, mas eu não conseguia acreditar. Nunca havia sentido a sensação de perder alguém ‘próximo’. Foi essa sensação que tive”, tenta resumir Leonardo.

Assim como ele, Priscila Decarli também demorou a acreditar na veracidade das informações que recebia. “Logo que acordei e recebi a notícia da morte do Fernandão, a primeira coisa que veio na minha cabeça é que era mentira. Só fui acreditar quando liguei a televisão e estava passando em todos os canais. Eu senti como se tivesse perdido alguém muito próximo, uma tristeza muito grande”, lamentou ela. Para Frederico, a sensação foi ainda pior: “quando ele morreu foi muito ruim. Acordei com uma notificação no celular, na hora não acreditei, mas depois meus pais vieram me contar e já desabei em lágrimas. Chorei o dia todo, parecia que tinha morrido algum parente meu”, relembrou o torcedor.

Nesse dia, uma multidão de fãs e torcedores invadiu o Estádio Beira-Rio para prestar sua última homenagem ao ídolo. Nos meses seguintes, diversas homenagens foram feitas ao jogador, seja pela torcida, seja pelo clube. A inauguração de uma estátua da imagem icônica de Fernandão segurando a taça de campeão do mundo, no dia 17 de dezembro de 2014 – 8 anos depois da conquista – marcou também o sentimento da torcida, que lotou o pátio do estádio, com relação ao ex-jogador. Além da estátua, na data em que o falecimento do ídolo completou um ano, em 7 de junho de 2015, foi realizada uma missa em memória de Fernandão. No jogo realizado no mesmo dia, também foram distribuídas braçadeiras de capitão com o escrito F9 para os torcedores.

Leonardo Mendes e Frederico Tiechmann foram juntos ao evento, e contam a emoção de participar desse dia. “Foi muito legal! Quando soube que teriam as homenagens no jogo, quis muito ir. Eu não tinha ingresso, mas meu amigo me convidou pra na noite que antecedeu o jogo e eu não tinha como recusar. Me arrepiei e me emocionei em cada homenagem”, comentou Leonardo. Já Frederico sentiu que seu ídolo havia sido honrado: “O evento de um ano do falecimento foi muito bonito, ele merecia isso tudo! Ele nunca deixará de ser o maior jogador do clube! E lá de cima, ele está nos guiando para o melhor caminho”.

Os amigos Leonardo (à esquerda) e Frederico (à direita) juntos vestindo as braçadeiras distribuídas no evento que marcou o um ano de falecimento de Fernandão. Foto: Arquivo Pessoal/Leonardo Mendes.

Os amigos Leonardo (à esquerda) e Frederico (à direita) juntos vestindo as braçadeiras distribuídas no evento que marcou o um ano de falecimento de Fernandão. Foto: Arquivo Pessoal/Leonardo Mendes.

Priscila Decarli também esteve no Beira-Rio nesse dia, e descreve como sentiu aquele momento. “Participar do evento de 1 ano da morte do Fernandão foi algo muito comovente. Ver toda mobilização que ocorreu só demonstrou o quanto ele era importante pro clube e pra torcida, que fez uma homenagem de ficar pra história, como ele merece”.

Priscila e a estátua em homenagem a Fernandão, inaugurada em 17 de dezembro de 2014, oito anos após a conquista do título de campeão do mundo. Foto: Arquivo Pessoal/Priscila Decarli.

Priscila e a estátua em homenagem a Fernandão, inaugurada em 17 de dezembro de 2014, oito anos após a conquista do título de campeão do mundo. Foto: Arquivo Pessoal/Priscila Decarli.

Quando questionados sobre qual o gol de Fernandão que ficou marcado em suas memórias, ela e Leonardo são unânimes ao afirmar que o primeiro gol, feito no primeiro jogo no qual ele vestiu a camisa do time, o milésimo gol em grenais, foi onde ele se consagrou como ídolo da torcida. De fato, Fernandão foi um gigante para o Internacional e sua torcida, digno dos títulos e homenagens que conquistou ao longo de sua carreira e também após a sua morte. Essa é a imagem que ficará do ídolo, o da garra e da determinação do Eterno Capitão.

Cerimônia de inauguração da estátua de Fernandão, no pátio do Estádio Beira-Rio, em dezembro de 2014. Foto: Divulgação/Internet.

Cerimônia de inauguração da estátua de Fernandão, no pátio do Estádio Beira-Rio, em dezembro de 2014. Foto: Divulgação/Internet.

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