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“Quero dar um futuro melhor para meus filhos”, diz atleta gaúcho que tenta alcançar o índice olímpico

08/07/2015

Marcos Rogério Costa Dias pediu demissão do trabalho para se dedicar ao esporte

Reportagem: Regina Albrecht

Fotos: Arquivo Pessoal

Aos 29 anos e desempregado, o sonho dele é apenas um: dar uma vida melhor à esposa e aos dois filhos: Luiz Filipe, de oito anos, e Mariana, de seis. “Meu maior incentivo vem de dentro de casa, pois eu quero dar um futuro melhor para minha família, através do esporte”, disse. O objetivo agora é participar das Olimpíadas de 2016 no Brasil.

Marcos Rogério tem 29 anos e pediu demissão do emprego para se dedicar ao esporte

Marcos Rogério tem 29 anos e pediu demissão do emprego para se dedicar ao esporte

Marcos Rogério Costa Dias corre há dez anos. Começou a treinar quando entrou para o exército. Uma das competições que ele considera mais importante é o Sul Americano de Milha, realizado em Belém do Pará em 2012. “Eu estava com tudo pronto para a viagem, mas quando cheguei a Porto Alegre minha passagem havia sido cancelada. Depois de horas no aeroporto consegui resolver e embarquei. Chegando lá, a Federação de Atletismo disse que eu não poderia correr porque eu não era federado. No hotel, eu consegui dormir apenas duas horas. No outro dia eu não tinha nem dinheiro para almoçar. Me alimentei muito mal, mas não desisti de nada. Depois de muita insistência consegui, enfim, participar”, relata.

De acordo com o educador físico Hernane Martins, formado pela Universidade da Região da Campanha, não ter as oito horas diárias de sono e se alimentar mal antes das provas afeta o rendimento. “O atleta não pode se submeter a isso. A consequência para quem está competindo é grave e uma só: o resultado ruim. Nos três dias que antecedem cada prova é preciso dar prioridade aos alimentos que gerem energia, e é essencial dormir bem”, disse. Marcos Rogério quase não completou a prova porque estava muito fraco. “Deus me deu forças e fiquei em terceiro lugar”.

No ano seguinte, em 2013, ao assistir à transmissão da Maratona Internacional de Jerusalém na televisão, é que surgiu o sonho de participar de competições fora do Brasil. Uma das que ele lembra com carinho é a Meia Maratona de Jerusalém, em Israel, onde ficou em terceiro lugar. Nessa, foram mais de cinco mil competidores em uma corrida de 21 quilômetros. “Foi um milagre eu ter conseguido”, disse.

O objetivo do atleta é o índice olímpico

O objetivo do atleta é o índice olímpico

No último mês de maio, Marcos Rogério deixou o emprego de frentista justamente para se dedicar ao esporte e tentar o índice olímpico. Natural de Sant’ana do Livramento, na Fronteira Oeste do estado, ele recebe apoio dos moradores do município e também de Rivera, cidade do Uruguai que faz fronteira com a cidade natal do atleta amador – como ele mesmo se define –, para conseguir viajar.

Nas maratonas fora do país, a maior dificuldade foi com a língua estrangeira. “Eu não falo inglês. Me comunicava com as pessoas através da mímica”, conta. Marcos Rogério recebeu o apoio da família para vencer os obstáculos dos países desconhecidos. “Quis mostrar para eles que não devemos desistir diante das dificuldades”, reflete.

Todas as competições que Marcos Rogério tem participado são como um treino. O sonho de conseguir o índice olímpico e poder, enfim, estar nas Olímpiadas do Brasil no próximo ano, tem feito com que ele se dedique ainda mais aos treinos. Para Martins, é assim que um atleta consegue seus objetivos. “Os três pilares são: treino, descanso e alimentação. Caso um dos três não exista ou seja esquecido, os resultados não virão”. Mas ele faz um alerta: “Se o resultado a ser alcançado é um índice olímpico, algumas variantes mudam. A maior delas é o adversário que se deve vencer, que no caso é o próprio atleta. Em uma competição normal queremos ganhar dos outros adversários. Já nas provas contra o relógio – caso dos índices para competições – devemos, a cada prova, ganhar de nós mesmos. Essa noção é que difere o bom do excepcional atleta”. E ainda completa: “Outra dica importante é não atropelar etapas para conseguir o índice já na primeira semana. É uma batalha diária, deve-se melhorar a cada dia”.

Orientações que Marcos Rogério tenta seguir. E ele mesmo tem outras dicas. “É preciso, acima de tudo, ser ousado. É preciso, muitas vezes, pagar o preço de ficar longe da família, e acreditar. Eu digo para mim mesmo que vou chegar nas Olimpíadas, mesmo que muitos falem que seja loucura. Minha fé fala mais alto do que qualquer coisa que pareça impossível”, reflete.

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