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Uma santa-cruzense na arbitragem de futebol

05/07/2015

Por Alice Assmann

Essa semana foi realizada uma entrevista com a assistente de arbitragem Luiza Reis, uma santa-cruzense que atua como bandeirinha em jogos do Gauchão desde 2014. Luiza é formada em Educação Física, realizou o curso de arbitragem da Federação Gaúcha de Futebol (FGF) em 2009 e começou a atuar em 2010 como bandeirinha.

Enquanto cursava Educação Física na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (ESEF/UFRGS), Luiza fez parte de um grupo de acadêmicas que, apartir de uma parceria entre a universidade e a FGF, atuaram como gandulas nos jogos do Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil. Luiza conta que a motivação para ingressar no mundo da arbitragem veio desta experiência: “enquanto estava atuando como gandula abriram as inscrições para o curso de arbitragem. Resolvi fazer”. Segundo a jovem de 27 anos, a opção por se tornar bandeirinha foi escolhida devido a sua condição física, pois apresenta maior velocidade do que resistência, combinando mais com sua atuação em campo.

Sempre gostei de futebol. Nunca havia pensado em atuar como árbitra, mas me apaixonei pela função”.

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Crédito: Luíza Reis. Acervo pessoal.

O primeiro jogo de Luiza como bandeirinha foi em Montenegro, no clube Riograndense, da categoria juvenil (sub 17), entre o clube sede e o Pedra Branca Futebol Clube. Ela não se recorda do resultado do jogo, mas afirma que já na primeira atuação se sentia segura e tranquila. Luiza também lembra que bandeirou ao lado de Alessandro Mocelin, árbitro da partida, e do assistente Rodrigo Vargas, que ainda hoje fazem parte do quadro de arbitragem da FGF.

Para Luiza, a maior inspiração profissional é o árbitro Marcelo Barison. “É o melhor do Brasil”, diz Luiza. Marcelo Bertanha Barison é árbitro assistente e atua pela Federação Gaúcha de Futebol desde 1997.

Além da carreira como árbitra assistente de futebol, Luiza Reis é bolsista de Mestrado do Programa de Pós-graduação em Promoção da Saúde na Universidade de Santa Cruz do Sul. Ela conta que tem dificuldades para conciliar as duas atividades, exigindo um esforço redobrado. Quando atua em jogos durante a semana, precisa recperar os horários como bolsista no turno da noite, em outros dias. Mas muitas vezes é necessário solicitar dispensa das escalas da FGF. A irregularidade na quantidade e dias de jogos complica ainda mais a situação: “podemos ter jogos em qualquer dia da semana e a quantidade é sempre uma incognita. Podemos fazer dois jogos por semana, assim como podemos não atuar em jogos durante um mês”.

O trabalho como árbitra assistente e como bolsista de mestrado ainda precisam ser conciliados com os dias de treino. Luiza conta que o treinamento é durante o ano inteiro. São dois testes físicos por ano, nos meses de janeiro e julho. Portanto, nos meses de novembro, dezembro, maio e junho a preparação física é mais intensa, com treinos de quatro a seis vezes por semana, dependendo do número de jogos na semana. Nos demais meses, a bandeirinha treina quatro vezes por semana, sendo dois dias de treinamento funcional e dois dias de treinamentos de corrida. Sobre essa rotina de treinos, jogos, estudo e muito trabalho Luiza diz que a vida profissional e pessoal se tornam inseparáveis e acabam se misturando: “Não posso dizer que concilio, pois um árbito de futebol se torna uma figura pública. De forma que a vida profissional e pessoal se misturam, não acho que posso separá-las”.

Quando questionada sobre as maiores dificuldades na vida de um árbitro de futebol, Luiza fala das ofensas que sofre em campo: “para mim a maior dificuldade foi aprender a lidar com as ofensas, que são constantes”.

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Luíza Reis é bandeirinha da Federação Gaúcha de Futebol. Crédito: acervo pessoal.

“O árbitro abdica de muita coisa por essa paixão que é o futebol, mesmo assim, ainda não é respeitado pela sua função”.

Apesar das dificuldades e esforços diários, Luiza lembra com carinho da sua estreia no Campeonato Gaúcho em 2014: “foi em Caxias, com uma equipe de arbitragem que tenho muito carinho. Apesar de estar muito nervosa, foi nesta partida que realizei um dos meus sonhos ao ingressar no mundo da arbitragem, que era atuar no “famoso” Gauchão.” Como planos futuros, a bandeirinha traça como objetivo ingressar o quadro nacional e atuar nos jogos do Campeonato Brasileiro. Futuramente, sonha com o ingresso no quadro internacional.

Léa Campos: a primeira árbitra brasileira

Léa Campos, mineira de Belo Horizonte, fez história no mundo da arbitragem. Enfrentou barreiras e leis para conquistar seu sonho. Realizou o curso na Federação Mineira de Futebol em 1967. Porém, o reconhecimento do diploma e a autorização para atuar nos campos de futebol veio apenas em 1971, pelas mãos do então presidente militar Emilio Garrastazu Médici.

Léa também foi a primeira mulher a apitar futebol de areia, em 1973.A árbitra atuou em diversos estados brasileiros e países da Europa e das Américas. Entretanto, em 1974, sua carreira foi interrompida por um grave acidente. Hoje mora nos estados Unidos, mas continua lutando pelo espaço das mulheres na arbitragem brasileira de futebol. 

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