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De rocha em rocha: a escalada em ascensão no Brasil

22/06/2015

Por Marina Pagno

Para muitos, é apenas um hobby ou um divertimento. Para outros, é uma profissão. Em meio a este paradoxo, está a escalada esportiva no Brasil, que vive um momento de ascensão no país.

Longe de ter uma cultura semelhante aos países da Europa ou dos Estados Unidos, a prática de escalada sobe em um ritmo acelerado no Brasil. Um dos principais motivos é um reduto de rochas e pedras que atraem diversos atletas internacionais para as terras guaranis. Subir o Pão de Açúcar

Felipe Camargo na Espanha, neste mês - Facebook Divulgação

Felipe Camargo na Espanha, junho 2015 – Facebook Divulgação

, no Rio de Janeiro, ou se aventurar na Serra do Cipó, em Minas Gerais, ainda é um sonho para muita gente que quer subir na vida através da escalada. Literalmente falando.

Apesar das paisagens naturais, os atletas brasileiros que praticam escalada profissionalmente ainda lutam para se firmar no cenário internacional. No ano passado, um grupo de escaladores criou a Associação Brasileira de Escalada Esportiva (ABEE), que tem como objetivo desenvolver o esporte em âmbito nacional. As competições, os eventos e os cursos de escalada passaram a ser organizados e divulgados através da ABEE, o que contribuiu para a proliferação da modalidade.

Um dos poucos atletas que vive totalmente do esporte é hoje considerado o melhor escalador do país. Felipe Camargo, 24, é bicampeão brasileiro e sul-americano, e possui quatro patrocinadores, entre eles a marca The North Face, conceituada no meio da escalada.

Felipinho, como é mais conhecido, já participou de uma série de campeonatos pelo mundo e se dedica 24 horas por dia exclusivamente à escalada. A conquista de patrocínios para bancá-lo no esporte não veio somente da sorte, mas principalmente do talento. Ao escalar, ele arranca gritos e suspiros da plateia, e muitos dizem: “ele não escala, ele flutua”.  E ao flutuar, o escalador acaba levando o Brasil para o topo dos pódios espalhados pelo mundo.

Conversamos com Felipe através de uma rede social, que nos contou como foi o começo da sua trajetória na escalada e como ele vê o momento atual do esporte no Brasil. Confira abaixo os principais trechos da entrevista.

Como foi o teu início na escalada?

Comecei em 2001, de brincadeira junto com meu irmão mais velho. Fomos em um Sesc, clube aqui de São José do Rio Preto, que tinha uma “paredinha” de escalada. Experimentamos por curiosidade e gostamos… E sempre que íamos jogar futebol passávamos e escalávamos um pouco, aí pegamos gosto mesmo e nunca mais paramos.

E por que escalada, e não futebol?

(Risos). Na verdade, se não fosse o futebol, talvez não teria experimentado a escalada, porque ia no clube pra jogar bola. Mas depois que o “bichinho” da escalada picou o futebol ficou de lado!

Quando foi que você viu que a escalada não era mais um esporte pra ti, mas sim uma profissão?

Quando tinha 16 anos e estava no segundo colegial, começando a pensar o que faria no ano seguinte… Ano de vestibular e toda aquela história. Decidi que não queria fazer nada a não ser escalar. E por sorte as coisas foram dando certo bem nessa época também, os patrocínios apareceram e no fim consegui ganhar um dinheirinho e decidir que ia me dedicar só à escalada.

Quais os principais campeonatos que você ganhou? E as principais conquistas?

Sou pentacampeão brasileiro e campeão do Open Sul-americano de Boulder da The North Face no Chile em 2013. Mas as principais conquistas foram escalar a (via) Ali Hulk 9a (11c) e fazer a primeira ascensão do (boulder) Fortaleza v15.

Tua rotina de treinos é puxada? Em média, quanto tempo você treina por dia?

Isso depende muito da época do ano e dos objetivos. Esse ano que estou treinando para as copas do mundo está bem puxado… Tenho treinado 6 vezes por semana, e 4 ou 5 horas por dia.

O que você acha do cenário atual da escalada no Brasil? Tem chance de crescimento?

Sim, acho que a escalada está crescendo muito no Brasil. Antigamente eu ia pra São Paulo ou Belo Horizonte e conhecia todo mundo que escalava. Hoje em dia, cada vez vejo mais e mais gente nova… Os ginásios lotados e a exposição da escalada aumentando na mídia. Estamos no caminho certo…

É difícil viver da escalada nesse cenário?

E difícil… Bem difícil… Tanto que acredito que hoje sou o único atleta no Brasil que consegue viver apenas disso, sem ter que trabalhar dando treinos ou sendo route setter (pessoa que guia o escalador na rocha) e coisas do tipo. Mas graças a Deus sempre tive sorte de encontrar as pessoas certas no caminho e tive bons patrocínios desde o inicio. Hoje conto com a Adrena, The North Face, Singing Rock e Evolv, que me proporcionam viver do que amo.

O que você diria para quem está começando agora e quer crescer no esporte?

Diria para escalar muito e se divertir acima de tudo, principalmente no começo… Deixar para pensar em treino sério depois! No início, o importante é escalar muito e escalar de tudo.

Os tipos de escalada

Tipos de escalada

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