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A Copa do Mundo na televisão

03/12/2014

por Sílvia Radtke

Nos dias de hoje, as pessoas assistem a Copa do Mundo de futebol na televisão. A história desse evento está intimamente ligada às invenções tecnológicas. A competição foi criada pelo francês Jules Rimet, em 1928, após ter assumido o comando da instituição mais importante do futebol mundial: a FIFA ( Federation International Football Association), e é disputada de quatro em quatro anos. Nos anos 1930 a televisão era uma invenção recente, portanto, não estava presente nas casas e não era possível fazer transmissões ao vivo dos jogos. Nesse ano a Copa foi realizada no Uruguai com apenas 13 seleções que foram convidadas pela FIFA. O primeiro aparelho de TV começou a ser comercializado em 1946.

Em 1950 o Brasil foi o país escolhido para sediar o evento causando muita expectativa nos brasileiros que estavam bastante confiantes no título. O Brasil chegou à final com o Uruguai e o jogo foi no Estádio Maracanã (Rio de Janeiro) que estava recém construído e reuniu cerca de 200 mil espectadores. O Brasil perdeu para o Uruguai e o choro brasileiro tomou conta do Maracanã.

A primeira transmissão da Copa aconteceu em 1954 com semanas ou até meses de atraso. A partir daí houve transmissões de todas as Copas do Mundo nos continentes sede. O Brasil ergueu a taça pela primeira vez em 1958. Mas as transmissões até o ano de 1966 eram em preto e branco e não existiam satélites, ou seja, os jogos eram gravados e as películas levadas de avião para outros países e poderiam demoram até um mês para serem exibidos.

No ano de 1970, a Copa do Mundo realizada no México marcou a história da televisão brasileira. Quando se espalhou a notícia de que os jogos seriam transmitidos ao vivo, os telespectadores correram nas lojas para comprar um aparelho de TV que ainda não era comum na maioria das casas. Pela primeira vez os telespectadores puderam assistir à transmissão dos jogos em tempo real e em cores por intermédios de várias emissoras, incluindo a TV Globo. Nesse ano, a seleção brasileira foi apelidada de “Seleção Canarinho” pelo locutor da Globo Geraldo José de Almeida, que se tornaria a “voz da Copa”. Nesse ano a Seleção brasileira conquistou o tricampeonato.

Esse momento abriu o mercado globalizado para o futebol na televisão e suas oportunidades econômicas. Os anunciantes passaram a comprar espaços entre os programas em vez de patrocinarem o programa como um todo. Após a FIFA enfrentar dificuldades financeiras e estruturais de organizar as Copas do Mundo, no ano de 1977 começou sua parceria financeira com grandes companhias como Adidas, Coca Cola e patrocinaram a Copa de 1978 na Argentina.

Aumentaram as aquisições de televisores e diminuíram a presença das pessoas nos estádios. Até a Copa de 1990, os ingressos dos estádios não se esgotavam. Mas isso mudou em 1994 quando a Copa dos Estados Unidos teve a maior média de público. A partir daí, os jogos da Copa passaram a ter seus ingressos esgotados e a FIFA passou a organizar as chamadas Fan Fests, que são espaços cercados e gratuitos nas cidades sedes da Copa do Mundo onde os torcedores podem assistir aos jogos em telões.

Podemos ver que houve uma mudança tanto na apresentação da Copa do Mundo na televisão quanto no consumo da apresentação. E isso é intimamente ligado a mudanças tecnológicas, mudança de comportamento dos produtores envolvidos e que estão interessados no lucro financeiro, e a mudança no comportamento dos consumidores, os torcedores. Podemos analisar a comunicação humana como: Emissor – Meio – Receptor

Emissor: FIFA

Uma Copa do Mundo não consiste apenas nos 90 minutos de jogos transmitidos. O país sede está dedicado à organização e preparação da Copa muito antes dela começar. É necessário criar toda a estrutura necessária para a realização do evento, lembrando que a presença dos torcedores não será limitada somente aos estádios e Fan Fests, mas no país sede fazendo turismo. A FIFA precisa escolher entre esta ampla oferta de acontecimentos e imagens que ela quer apresentar como seu produto “Copa do Mundo. O problema principal é criar um produto suficientemente interessante para atrair um público, mas ao mesmo tempo suficientemente neutro para não ofender ninguém. Levando-se em conta que existem culturas, vontades e ideias diferentes. Portanto, a FIFA usa a palavra “emoção” de forma genérica, sem definir se trata-se de alegria, tristeza, amor ou ódio.

Além disso, a FIFA também tem outra fonte de renda: os patrocinadores. Até 2006, a FIFA contratou seus patrocinadores por evento. Depois houve uma mudança. Alguns patrocinadores são escolhidos para o torneio específico e outros concordam com um contrato a longo prazo podendo colocar seus nomes em vários torneios. Isso ajuda a fortalecer a marca e o Evento. Quando o telespectador vir determinada marca, lembrará do evento e vice e versa. Portanto, o produto Copa do Mundo depende de seus clientes, que são as emissoras de TV e os patrocinadores do evento.

Meio: EMISSORA DE TELEVISÃO

Essa imagem unificada está sendo vendida para as emissoras de TV nos diferentes países do mundo. Nas mãos das emissoras acontece a segunda distorção do evento Copa do Mundo adaptando o conteúdo à realidade local onde é divulgada. Essas adaptações locais são chamadas de indigenizações. Essas adaptações podem ser a divulgações de imagens próprias além daquelas padronizadas, narração e comentários dos jornalistas já que a percepção dos jogos difere muito entre os países.

Receptor: OS TORCEDORES

As imagens unificadas com a adaptação local dos jornalistas da emissora de TV, chega às televisões dos torcedores que querem assistir a Copa do Mundo. É um dos programas mais vistos do planeta apesar de todas as oscilações na audiência.

Conclusão

Podemos observar que ao longo dos anos, todas as evoluções tecnológicas e as indigenizações das informações e significados, o que leva a uma heterogeneização da percepção da Copa. Estamos diante do fenômeno de que a princípio estamos todos vendo a mesma coisa, o mesmo jogo e com as mesmas regras e ao mesmo tempo vendo coisas muito diferentes. Podemos observar também que a FIFA se adaptou aos meios de comunicação e passou a se financiar através dos direitos de transmissão e dos patrocinadores e não pelos ingressos vendidos nos estádios.

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