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Esforço voluntário

14/07/2014

por Gabriel Jesus Emmer Brum

Quando o presidente da FIFA, Joseph Blatter, – em 30 de outubro de 2007 – abriu o envelope que indicava o Brasil como o país organizador da Copa do Mundo de 2014, milhares de pessoas se inquietaram. Queriam fazer parte do maior evento futebolístico do planeta. Não interessava o tempo, a energia ou dinheiro necessários à participação: o importante era estar lá, envolver-se em um momento único na história do Brasil. A alternativa encontrada por muitos foi o voluntariado, opção que demandou muito suor aos candidatos, mas que, no final, mostrou-se satisfatória, conforme veremos a seguir.

Há quatro anos, o Esporte Fabico voltou o seu olhar aos voluntários do mundial no Brasil. No texto inaugural, intitulado“Maior legado da Copa”, o Rio Grande do Sul mostrava-se atormentado por incertezas acerca do megaevento, com datas e procedimentos ainda indefinidos. No fim de 2012, em “Voluntários da Copa: futebol, trabalho e sucesso”, o estado é indicado como a sexta região com maior número de candidatos, totalizando 7.069 pessoas.

Em “Voluntários querem deixar boa impressão do Brasil em 2014”, publicado há um ano, são ressaltadas algumas características da atividade, como completa disponibilidade durante o período do evento, grande trabalho em equipe e ausência de remuneração; além de ser sublinhada a existência do Brasil Voluntário, programa do Governo Federal, independente da FIFA, alternativa para quem tentou, mas não conseguiu trabalhar no mundial.

William Quevedo, estudante de Relações Públicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), foi um dos selecionados pela FIFA. Responsável por recepcionar, auxiliar e sanar as dúvidas dos espectadores no estádio Beira-rio, chegava cinco horas antes dos jogos e saía duas após o término do evento, totalizando aproximadamente 10 horas de trabalho por partida. Apesar da carga horária, não reclama: “É indescritível, algo pra vida toda. Tu convives com gente do mundo inteiro, e o clima da Copa é algo sem comparação. No treinamento tu pensas,’bah, vai ser um saco fazer certas coisas’, mas no dia é tão tri que, mesmo sendo muito cansativo, vale sempre a pena”, explana o estudante que teve dois domingos de treinamento como preparação para o mundial.

Instigado a participar devido à experiência adquirida e ao incremento propiciado ao currículo profissional, William aponta o aprendizado de lidar com o público como a melhor parte de ser voluntário. Indagado sobre o que poderia melhorar, ressalta a cultura do voluntariado no Brasil: “Poderia ser mais valorizado pelos brasileiros. Não temos essa cultura, e é algo muito bacana de se fazer. Tem gente de diversos países, cujas seleções nem jogaram em Porto Alegre, que veio só para ser voluntário”, finaliza.

(Foto: Buda Mendes/Getty Images)

(Foto: Buda Mendes/Getty Images)

A Copa do Mundo superou as expectativas que assolavam o país às vésperas do megaevento. O desempenho do mundial, tanto dentro de campo, apresentando jogos de qualidade, como fora, com quase nenhum incidente nas arquibancadas, fica mais grandioso quando são sublinhadas as ações de pessoas que investiram o seu tempo para tornar o campeonato futebolístico mais acessível a espectadores com alguma deficiência.

Um exemplo a ser citado é o das locutoras voluntárias, que narram as partidas da Copa do Mundo para deficientes visuais. Em reportagem publicada no jornal Folha de São Paulo, Mauana Simas, uma das 16 locutoras escaladas pela FIFA, explica que a narração realizada por elas é diferente das convencionais, pois há atenção maior com a atmosfera da partida, falando, por exemplo, como os torcedores estão vestidos e quanto espaço há no estádio, sem, é claro, deixar de ilustrar o que acontece dentro do campo.

Assim como o futebol é mais que um esporte, a Copa do Mundo não se limita ao status de evento esportivo. Ela transcende ao jogo, não é apenas um campeonato de bola. É o momento em que culturas diversas usam um pretexto chamado futebol para interagir, festejar, trocar experiências. É o espaço de tempo em que as pessoas se dispõem a conhecer o outro, até então diferente, uma incógnita. Neste cenário, os voluntários são peças-chave na engrenagem organizada pela FIFA.

Sejam motivados pela experiência, pelo currículo, pela solidariedade aos outros, ou por simplesmente poder dizer: “eu estive na Copa do Brasil”, o importante é o que ficará em cada um após o que está sendo vivido. Como foi escrito no texto inaugural do Raio X da Copa, isso será o maior legado. É o que cada um fez para que este momento transcorra da melhor maneira possível. Nesse campeonato de solidariedade todos ganham, todos saem campeões, voluntariamente ou não.

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