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Judô: paixão, corpo e lesão

18/06/2014

A gaúcha Natália Bordignon tem 23 anos e inúmeros títulos em sua bagagem: foi tri-campeã brasileira de judô, bicampeã do Troféu Brasil Interclubes, vice-campeã Sul Americana, terceiro lugar em uma das etapas de Copa do Mundo, terceiro lugar na Olimpíada Universitária e segundo lugar nos Jogos da Lusofonia em Portugal. Conversamos um pouco sobre sua carreira, o impacto do esporte em seu corpo e suas visões sobre o judô brasileiro.

NICOLAS - Natalia1

por Nicolas Sales

“Eu comecei no judô com seis anos. Eu ia assistir a todas as aulas do meu irmão mais velho e um dia o professor dele me convidou pra fazer uma. Eu fui no outro dia e nunca mais saí. Eu já assistia e já tinha vontade de fazer desde muito pequena.”

Natália conta que, apesar da resistência de algumas meninas do colégio em ver o judô como um esporte não só para meninos, ela nunca sofrera preconceito por ser mulher em um esporte que envolve luta e é frequentemente ligado aos homens. “Naquela época já tinha algumas meninas fazendo judô, mas não eram tantas como hoje.” Estando há mais de quinze anos dentro do esporte, a judoca pôde também perceber uma maior adesão das mulheres ao esporte.

Pergunto à Natália como funciona sua rotina de treino. “No momento eu estou parada vai fazer um ano porque estou na minha quarta cirurgia de joelho. A minha rotina até eu parar era treinamento físico todos os dias de manhãs e duas horas de treinamento técnico à noite. Às vezes até nos sábados eu treinava”. Ela me conta ainda o impacto psicológico de uma quarta lesão no mesmo ligamento. “Eu me sinto bastante decepcionada comigo mesma. Não tem um dia em que não me perguntem quando eu vou voltar”, uma vez que, apesar de afastada dos treinos, ela não deixa de visitar seu clube e encontrar os amigos que praticam o esporte.

Infelizmente, Natália não tem previsão de volta para o judô. A recuperação de uma cirurgia no ligamento cruzado já é lenta o suficiente: de seis a oito meses. Por se tratar da quarta cirurgia, cabe ainda ao corpo dela responder quando está pronto para esse retorno. “A primeira lesão aconteceu em 2009. É normal fazer cirurgias como essa, todo atleta de ponta já fez ao menos uma” conta Natália. A atleta ainda sente as dores no seu dia-a-dia, como ao subir escadas. Por enquanto, Natália procura se concentrar na fisioterapia, que atualmente está voltada à recuperação da massa muscular.

“Entre as minhas lesões, eu consegui estudar. Quando eu ficava parada, aproveitava e fazia um semestre ou outro, com calma. Hoje já estou próxima de me formar e procurando uma pós-graduação voltada ao esporte. Se eu não continuar minha carreira, vou querer continuar no meio do esporte, se não como atleta, ao menos na nutrição esportiva.” Como apoio à atleta, o IPA deu à Natália uma bolsa no curso de Nutrição, o que não deixa de ser um patrocínio, assunto que também comentamos.

“Até 2005, o judô não era tão visado. Eu só comecei a ser remunerada só em 2008. Hoje em dia muitos ainda não são, mas existe também o Bolsa Atleta que o governo criou, em que, dependendo do nível, quem faz judô tem uma remuneração. Claro que não é o suficiente, e é aí que eu acho importante que os clubes auxiliem, e eles auxiliam poucos atletas, principalmente aqueles que se destacam. A maioria compete à nível internacional e ainda não recebe. Apesar disso, o apoio com o judô já é muito forte. Os atletas da seleção brasileira, por exemplo, recebem muito bem. Ainda não se compara ao futebol, por exemplo, mas é algo em crescimento.“ Terceira sargento da Marinha, Natália faz parte da Seleção da Marinha do Brasil e é onde consegue um de seus patrocínios.

NICOLAS - Natalia2

Apaixonada pelo judô, Natália comenta que esse é um dos melhores esportes para se praticar na infância e, além de exigir preparo físico, ele também faz bem pra mente, por exigir concentração extrema. Finalizo desejando melhoras à Natália e pergunto a ela se existe alguma pressão em relação à sua volta ao tatame e alguma idade limite no esporte: “Eu tenho muitos anos pela frente no esporte, mas tudo vai depender do meu corpo, não adianta fazer um esporte de maneira irresponsável.”

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