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O guri argentino no Tricolor

03/06/2014

por Marcos Bernaola

Restam 5 minutos para acabar o jogo. É a segunda rodada na fase de grupos da Copa Libertadores e o Grêmio está conseguindo outra vitoria, com tranqüilidade, diante do Atlético Nacional de Medellín.

O rapaz é jovem, ainda jovem. Lá, no seu país, ele acaba de despontar e já está no estrangeiro para fazer sua história. O clube gaúcho aposto por ele, mas poucos conhecem seu nome. O treinador decide que é uma opção. Olha, chama-o, e o cartel da reluzente Arena Porto Alegre mostra a substituição: com a camisa 11, Alan Ruiz ingressa ao gramado. Ele sabe que é sua oportunidade. Só precisa quatro minutos para aproveitar o momento e, depois de deixar atrás dois zagueiros colombianos, chuta de fora da área e define o placar 3-0 para o tricolor.

Agora todos sabem quem é o novo argentino no time.

(Foto: gremio.net)

(Foto: gremio.net)

Com só 20 anos de idade, Alan Ruiz está em Porto Alegre cumprindo um dos seus objetivos, jogar no Brasil, menos de três temporadas depois de sua aparição na Primeira Divisão Argentina.

É um passo importante na minha trajetória futebolística. Eu deixei minha família na Argentina e vim sozinho. Eu gosto do futebol brasileiro e seu estilo, e sempre quis jogar aqui. Foi uma decisão importante para mim.”

Como você vive a realidade do futebol em Porto Alegre?

“Eu sou de La Plata. Lá são sós Gimnasia e Estudiantes na cidade, como aqui é Grêmio e Inter. É boa essa rivalidade, uma paixão muito importante. Na minha cidade eu tive que viver isso. Eu torço por Gimnasia e jogava para o clube. No clássico, se ganhava eu saía na rua e tudo mundo estava contente. Se perder você não podia ir para nenhum lugar. Eu acho que o GreNal e similar.”

Como é seu dia a dia na cidade?

“Porto Alegre é linda, mas não ando muito nas ruas. Eu gosto mais de ficar em casa, tranqüilo. Num primeiro momento foi muito difícil para mim. No supermercado eu não entendia nada. Eu pedia uma coisa, que tinha outro nome, mas com tempo eu fui aprendendo.”

Alan Ruiz e Marcos Bernaola (Foto: Tatiana Machado)

Alan Ruiz e Marcos Bernaola (Foto: Tatiana Machado)

E jogar bola falando português?

“É complicado (risos) mais vou entendendo. Não é tão difícil como parece, é só diferente mais um pode se acostumar. Nos treinos, praticando, falando com os colegas na mesa, tudo serve para aprender. No meu primeiro dia eu queria volver, só falava com Barcos (Hernán). Mais o clube já teve outros argentinos, e de San Lorenzo como Sebastián Saja. Além, aqui o Maxi (Rodriguez) e Cristian (Riveros) falam o espanhol e me ajudaram muito. Senão tive se ficado difícil demais.”

Em ação no Gimnasia (Foto: gimnasia.org.ar)

Alan Ruiz arribou com 13 anos a Gimnasia y Esgrima de La Plata. Ele participou nas categorias de base do clube. Apos alguns treinos com a equipe nacional Sub-18, e tendo debutado na Primera Divisão Argentina em junho de 2011, o então treinador da seleção juvenil Walter Perazzo ligo para ele participar do time que defendeu a Argentina na Copa do Mundo Sub-20, jogada na Colômbia. Foi parceiro de outros craques emergentes naquele momento como Erik Lamela (hoje em Tottenham Hostspur), Juan Iturbe (no Hellas Verona) e Facundo Ferreyra (em Shakhtar Donetsk).

A equipe chegou até os quartos de final (Alan Ruiz jogou desde o inicio aquele jogo), onde caiu ante Portugal nos pênaltis. Com quatro partidas, ele fez sua primeira participação internacional vestindo a camisa celeste e branca. Más, certamente, seu nome virou conhecido na ocasião triste do ano 2013, quando o time Sub-20 não logrou superar a primeira fase do Sul-americano disputado na Argentina.

O que significou para você jogar para seu país como juvenil?

“A experiência serviu muito. Eu sempre tentei fazer o melhor na seleção e eu fiz tudo para ficar tranqüilo comigo. Participei bastante (além dos mencionados, jogou nos Pan-Americanos 2011, no Desafio Internacional da Cidade do Cabo de 2012 e no Torneio Internacional da Alcudia) e sempre di meu melhor aporte.”

E a parte negativa da pronta eliminação do Sul-Americano?

“Tenhamos vários jogadores que eram muito falados de antes e eu acho que isso jogou em contra para nós. Na Copa do Mundo a gente não tenha tantos nomes. Aconteceu que um jogador queria salvar a equipe ele sozinho, queria se salvar ele também. Isso não serve. É um grupo, e o grupo tem que ganhar. São 11 os que ingressam ao gramado, não dois ou três. Falou-se muito de estrelas, de muitos jogadores que se destacavam nos seus clubes e não serviu de nada para nós. Não demonstramos o que se falou.”

Deixou o clube onde despontou trás o um ano na Segunda Divisão e, no setembro de 2012, mudo-se a Buenos Aires para jogar em San Lorenzo. No “Ciclón”, foram 30 jogos e três gols, vindos muitas vezes desde o banco. No final de 2013 colaborou em 10 rodadas com o campeonato conseguido pelo time após seis anos sem títulos. Boas atuações, incluso diante de um ídolo como Leandro Romagnoli (San Lorenzo, Veracruz e Sporting Lisboa), fizeram o Grêmio pegar um olho nele. O empréstimo foi combinado por 400 mil dólares e o jovem platense saiu do país para vestir a camisa tricolor e jogar num futebol distinto.

(Foto: fifa.com)

(Foto: fifa.com)

“A diferença que eu vejo é que aqui são muitas mais partidas. Na Argentina o torneio está a poucas rodadas do final, e cá recém acabou um deles (o Gauchão) e agora vai começar outro. Joga-se muito no Brasil. Más depois, concentração e preparação são similares. Os treinos são diferentes, sim. Cada treinador e seus colaboradores têm suas formas de trabalhar. Em San Lorenzo nós fazíamos muitas jogadas táticas, bola parada. Aqui não fazem isso, mas é só acostumar ao trabalho de cada diretor técnico.”

Já participou de duas competições diferentes, e agora?

“O estadual não foi tão competitivo, era Inter e Grêmio nada mais. Eu acho que agora vai vir o mais importante que é o Brasileirão. Ali a gente pode jogar com times grandes como Santos. São equipes que ficam ao mesmo nível que nós e então a gente vai saber se estamos preparados para lutar ou não.”

Porem você não poda jogar (o empréstimo não permite ao jogador jogar contra seu clube de origem), como você palpita o jogo de oitavos de final frente a San Lorenzo?

São dois times muito fortes, eu não posso falar nem de um nem de outro porque eu hoje jogo para o Grêmio. Tem que ganhar o melhor deles (enquanto olha cúmplice), nada mais. Minha família fica lá, mas hoje eu estou muito cômodo no aqui. Eu não posso torcer por algum deles…

Ainda o Alan tem saudades. Relata que comprou o pacote para assistir os jogos do campeonato argentino na TV, e torce por seus amigos em San Lorenzo. Os torcedores gremistas ainda nem sabem como é seu jogo, mas o jovem craque argentino veio para batalhar por um lugar na equipe. Não é fácil, com jogadores consagrados como Ze Roberto na frente. Mas ele é parte de uma geração de novos criadores ou meia-pontas argentinos, que se repetem em vários times no Brasil. O rapaz sabe do que ele é capaz com a bola em seus pés, e é por isso que está aqui.

“Eu fiz um sacrifício importante para vir aqui, e quero ganhar algo para levar comigo. Esse é meu objetivo.”

Ele tem com que, o tempo dirá.

(Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA)

(Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA)

FICHA DO JOGADOR:

Nome: Alán Nahuel Ruiz
Apelido: El mago Ruiz
Data de Nascimento: 19 de agosto de 1993
Idade: 20 anos
Local de nascimento: La Plata, Argentina
Posição: Meio-Campista
Pé: Canhoto
Altura: 1,83 metros
Ano da estréia: 2011
Clube de estréia: Gimnasia y Esgrima La Plata
Jogo da estréia: Quilmes 2×2 Gimnasia
Clube atual: Grêmio FBPA

ESTATÍSTICAS:

Gimnasia (2011/2012): 29 partidas, uma assistência

San Lorenzo (2012/2013): 35 partidas, 3 gols e 3 assistências

Argentina (Mundial Sub-20 2011): quatro partidas

TÍTULOS:

Torneo Inicial 2013, com o San Lorenzo

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