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Hotelaria para todos os bolsos: as opções de hospedagem na Copa do Mundo de 2014

16/12/2013

por Isadora Jacoby

Em aproximadamente sete meses acontecerá a Copa do Mundo de 2014, e Porto Alegre está na reta final dos preparativos para o evento. O Estádio Beira-rio está com sua reforma quase completa, muitas obras da cidade foram concluídas, e a rede hoteleira também se prepara para receber o público que virá assistir aos jogos que ocorrerão na capital gaúcha. Hotel, hostel e hospedagem em casas de famílias: quem vier a Porto Alegre poderá contar com muitas opções de acordo com a proposta de viagem e também com seu orçamento. Os hotéis da cidade estão cada vez mais luxuosos, a fim de alcançar o padrão internacional; os hostels se proliferam, e a hospedagem em casas de famílias – tão comum na Europa – pode vir a ser uma opção para quem quer conhecer a cidade sem gastar muito.

Criar um laço de intimidade com a cultura local. Essa é uma das vantagens de se hospedar em uma casa de família segundo Daniela Lambert, dentista, que já recebeu muitos estrangeiros na sua casa. Sua família era filiada ao Lions Club (Clube Internacional de Serviços Voluntários), e seu pai foi convidado para ser assessor do intercâmbio infanto-juvenil, sendo responsável por trazer o intercâmbio do clube para o Rio Grande do Sul. Então, de 2000 a 2007, eles receberam inúmeros jovens viajantes que ficavam quatro semanas na residência da família.

A primeira experiência foi com um austríaco, Chistian, e a família mantém contato com ele até hoje. Daniela ressalta que o mais interessante deste tipo de hospedagem para quem procurá-la na Copa é o enriquecimento cultural e cultivo de novas amizades. Ela diz que quando se hospeda em um hotel, o turista conhece pontos famosos da cidade, mas não convive diretamente com a cultura do lugar como acontece quando uma família recebe o estrangeiro.

A hospedagem em casa de família aproxima ainda o viajante das pessoas que o receberam, pois se cria uma relação de intimidade e de amizade, pois existem tarefas de casa que acabam por diferenciar a relação entre quem está sendo recebido e os anfitriões. Além de oferecer a própria casa, Daniela conta que já usou desse tipo de hospedagem; passou três meses viajando pela Itália ficando somente em casas de família, e também  já visitou a família de intercambistas que tinha recebido em Porto Alegre. Para a Copa do Mundo, Daniela diz que ainda não se cadastrou em nenhum programa, mas que acha interessante que eles ganhem força, pois, além de possibilitarem a prática de outra língua, eles propiciam um intercâmbio cultural tanto para quem recebe, quanto para quem visita.

Quem procura uma hospedagem mais pessoal, porém não gosta muito de ficar em casa de família, os hostels são a opção ideal. Atualmente, existem cerca de oito estabelecimentos desse tipo em Porto Alegre, e eles não param de se expandir. A Copa do Mundo de 2014 motivou a criação de novos hostels.

O Bom Fim Hostel existe há um ano e seis meses, e surgiu da vontade de dois amigos de trabalhar no ramo da hotelaria. Cristiano Zanin, um dos sócios, morou em hostels fora do país por um tempo, e sonhava em ter um negócio semelhante em Porto Alegre. Primeiramente, o hostel não era o trabalho principal, e os sócios continuaram atuando em outras áreas paralelamente. À medida que as demandas cresceram, Cristiano largou o seu emprego e passou a se dedicar só para o empreendimento. Júlia, atual sócia de Cristiano, conta que o principal diferencial do Bom Fim Hostel é, além das 70 camas disponíveis, a localização próxima aos parques e as principais vias da cidade, o que torna mais fácil para o turista conhecer Porto Alegre.

Outro hostel inaugurado recentemente foi o Boutique que, em um casarão tombado pelo patrimônio histórico no bairro Floresta, realizou um sonho de 40 anos do proprietário Carlos Augusto Silveira. Ele conta que em toda a sua vida viajou como mochileiro e percorreu mais de oitenta países se hospedando majoritariamente em hostels. A paixão por viagens tornou Carlos professor de turismo, e o fez criar o próprio albergue, para o qual trouxe referências e padrões de qualidade de todos esses países pelos quais passou.  Boutique vai além do nome: o empresário conta que tudo que há no hostel está à venda, juntamente com os inúmeros artesanatos de todo o estado que estão expostos por toda casa em seus três andares. Em comum, ambos têm o que Carlos define como a característica essencial de qualquer hostel: espaços de convivência e cozinha coletiva.

Júlia acha que o maior benefício que a Copa do Mundo trará é a visibilidade que a cidade vai ter para o mundo. Ela diz que, embora se espere um grande público no período do evento, a cidade já recebe muitos eventos durante o ano todo. Ela define isso como turismo criativo: eventos são criados e sempre turistas vêm à capital. Desta maneira, ela diz que o hostel sempre lota todo mês. A Copa do Mundo também servirá para investir mais na infraestrutura no negócio, tendo em vista a certeza de retorno de público e o incentivo governamental para aprimorar a qualidade dos estabelecimentos. Para Carlos, proprietário do Boutique Hostel, o fluxo de hóspedes não será muito diferenciado para a Copa, já que o albergue tem sempre uma boa ocupação. Ele afirma que, como tem 50 camas disponíveis, tem certeza de que lotará, entretanto diz que só vai pensar estratégias para o evento depois que o sorteio dos jogos for realizado. Dependendo de quais seleções vierem jogar na cidade, ele pensa em realizar festas temáticas para aproximar os moradores de Porto Alegre dos turistas.

Em grandes eventos, quase todos os serviços prestados tendem a ficar mais caros, isso não vai ser diferente nos hostels. Mesmo sendo a opção de hospedagem mais barata, serão feitos alguns reajustes de acordo com a demanda. Entretanto, nenhum dos hostels articulou ainda como isso será realizado na prática. Júlia, sócia do Bom Fim Hostel, conta que Cristiano é um dos organizadores da Associação dos Hostels de Porto Alegre, mas que ela não é efetivamente utilizada nesse momento. Para a Copa eles pretendem se reunir para conversar sobre os preços das diárias, todavia cada um possui a sua autonomia.

Para quem vem disposto a gastar um pouco mais em hospedagem, os hotéis de Porto Alegre estarão aptos a receber turistas do mundo todo para o evento. Segundo José Justo, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio Grande do Sul, foram construídos cerca de 10 novos hotéis para o evento, e alguns já estão prontos e em funcionamento. Ele afirma que a cidade já possuía estabelecimentos de qualidade, e que surgiram ainda mais com Porto Alegre como cidade-sede da Copa Mundo. Sendo assim, dificilmente acontecerá uma lotação na rede hoteleira. José Justo ainda afirma que é possível que ocorra uma baixa ocupação no período do evento, e que isso depende muito de que seleções jogarão na capital.

Outro motivo pelo qual o diretor executivo crê que o turismo estrangeiro não trará dificuldades para a hotelaria local é porque a Copa do Mundo no Brasil é um evento tropical; sendo assim, Porto Alegre e Curitiba estarão fora do circuito das cidades mais procuradas. Todavia, segundo José Augusto, a Copa invariavelmente trará lucro para a cidade, e esta ganhará maior projeção internacional. Ele estima que cerca de 10mil estrangeiros venham para a cidade para passar 15 dias – período aproximado para realização de jogos em Porto Alegre. Porém, a hotelaria da capital dispõe hoje de 20mil camas, o que não acarretaria nenhum contratempo para os hotéis de Porto Alegre.

A hotelaria do interior do estado também pode lucrar com o evento. José Justo afirma que serão somente cinco dias de forte hospedagem em Porto Alegre; nos outros dias, o turista provavelmente procurará outros destinos próximos. Entre esses, ele destaca Bento Gonçalves e Gramado, cidades que prepararam a rede hoteleira para recepcionar turistas de fora do país, assim como de outros estados.

O diretor executivo da ABHIRS, José Justo, diz que o hotel – assim como os shoppings e os aeroportos – é um “não-lugar”, já que carrega uma impessoalidade e é similar em qualquer lugar do mundo. Por isso, ele crê que os hostels, com a sua dinâmica mais próxima do hóspede e da cidade, serão os primeiros a lotar durante a Copa do Mundo. Isso, ele destaca, tem sido uma tendência nos grandes eventos de Porto Alegre. Os hotéis estão sendo, em geral, o último local a ser procurado para hospedagem.

José Justo conta que, até então, 20 hotéis de Porto Alegre estão agregados à FIFA, que regula médias de preços das diárias. Quanto aos outros, cada um tem autonomia para lançar as tarifas de acordo com o seu hotel. Ele diz que, durante a Copa, será aplicada a tarifa de “quarta-feira”, dia mais caro de hospedagem em Porto Alegre, já que a cidade recebe mais pessoas de segunda à quinta-feira. Deve ocorrer um aumento em 100 a 200% nas tarifas, o que o dirigente considera normal para qualquer evento.

Um hotel que hoje tem uma tarifa por R$200 pode chegar a R$800 no período da Copa. Embora a ABIHRS instrua os hoteleiros através de pesquisas de mercado sobre o valor das tarifas para evento de grande porte, cada um colocará o seu valor. José Justo diz que com certeza alguns estabelecimentos – tanto hotéis, quanto restaurantes – que cobrarão demasiadamente caro, mas que, no geral, as tarifas seguirão a norma de outros eventos que acontecem mais rotineiramente na cidade.

Não faltarão opções de hospedagem para quem quiser acompanhar a Copa do Mundo em Porto Alegre. Além do investimento, o turista deve saber o que procura para sua viagem: aproximação com a cultura local de forma mais íntima, convívio com pessoas da cidade e com muitos outros estrangeiros de forma mais descontraída, ou um hotel mais impessoal, só que com mais conforto. A certeza é que Porto Alegre investiu para receber o evento, e agora resta saber se, daqui sete meses, o retorno virá.

Fotos: Bom Fim Hostel

Fotos: Bom Fim Hostel

Fotos: Boutique Hostel

Fotos: Boutique Hostel

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