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As melhorias no trânsito para a Copa do Mundo

16/12/2013

O que irá mudar no transporte após 2014

Por Ingrid Oliveira

O Brasil tem uma série de desafios a enfrentar para sediar a Copa do Mundo de 2014. Além da construção e reforma de arenas esportivas e melhorias na infraestrutura, hotelaria e segurança, o país deve ter condições de oferecer transporte público de qualidade para a população e os visitantes.

TRANSPORTE

As melhorias no sistema de transporte são o legado mais evidente da Copa do Mundo de 2010 para a África do Sul. A reforma de estradas, a construção de aeroportos e a criação de uma rede de transporte coletivo mudaram o dia a dia da população africana. Resta saber se, no nosso país, a população em geral também poderá usufruir dessas mudanças e obras quando a competição terminar.

A grande questão é que as exigências da FIFA (Federação Internacional de Futebol Associado) são limitadas a ações que impactem o evento. Não importa, na verdade, se outras regiões que não receberão jogos ficarão sem essa assistência. Nas próprias cidades-sedes, cujo cenário é de obras e caos para todo o lado, as transformações giram em torno dos estádios e aeroportos. Os bairros que estão à margem de onde o evento ficará centralizado não recebem a mesma atenção e investimentos.

Apesar de na África do Sul as melhorias no transporte terem sido o grande legado, o mesmo problema ocorreu. As cidades que ficaram distantes dos locais de competição se viram desassistidas em relação à Johanesburgo, por exemplo, que é a maior cidade do país e foi uma das sedes da Copa. Torna-se questionável até que ponto o legado da copa, seja no transporte ou em outros setores, será um bem que abrangerá a todos.

TRASPORTE COLETIVO?

Em matéria publicada pela Folha de São Paulo em outubro de 2013, constatou-se que as obras de mobilidade urbana priorizaram o transporte individual ao coletivo em sete das doze cidades-sede. Cinco delas não investiram um centavo em corredores para ônibus ou transporte sobre trilhos.

Evidenciando a falta de preocupação da FIFA com as cidades-sedes, o secretário-geral da organização, Jérôme Valcke declarou: “Para nós, o importante é ter acesso fácil ao estádio”. Assim, em São Paulo, Brasília, Salvador, Curitiba e Porto Alegre, obras de transporte incluídas no PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) da Copa foram adiadas ou canceladas, sendo priorizadas as de acesso às arenas.

O fato é que o papel da FIFA não é, realmente, se preocupar com as melhorias das cidades para a população. É fazer o local cumprir as condições necessárias para a realização do evento. Caberia ao governo dos estados e do país usar do investimento cedido para fazer mudanças que sejam reais, tanto durante a Copa quanto após 2014. Entretanto, o vice-prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, entende que “para efeito da Copa, o que nos diz respeito é o entorno do estádio”.

BRT E METRÔ

BRT (sigla em inglês para ônibus de trânsito rápido) é uma espécie de trem articulado cujas tarifas são cobradas em estações e não dentro dos veículos, como nos ônibus convencionais. O BRT possui uma velocidade de transporte mais rápida, além de mais regularidade no atendimento.

Em Porto Alegre, quatro projetos de BRT não ficarão prontos a tempo. Após atrasos nas obras, os novos ônibus de alta capacidade só devem começar a circular na cidade em outubro do ano que vem – três meses após a Copa.

Foto: Divulgação/FIFA

Foto: Divulgação/FIFA

Comparado ao metrô, o BRT é um sistema com baixo custo de implantação. Enquanto um quilômetro de metrô custa aproximadamente US$ 100 milhões, o BRT custa US$ 10 milhões. O tempo para implantação do BRT também é inferior ao do metrô, sendo entre 24 e 36 meses, enquanto o tempo de construção do metrô é indefinido.

Em Porto Alegre, não se vê nem BRT nem metrô. A Prefeitura estima que em 2020 o projeto do metrô na Zona Norte esteja concluído, podendo a população usar os serviços subterrâneos. Com esse sistema será possível percorrer a distância do Triângulo da Avenida Assis Brasil ao Centro de Porto Alegre em aproximadamente 18 minutos. Porém, para a Copa de 2014, essa forma de transporte já deixou de ser uma opção.

O QUE REALMENTE TEMOS

Algumas medidas para facilitar o transporte coletivo no tempo em que ainda temos estão sendo tomadas. Agora em novembro, foi inaugurado um corredor de ônibus na Zona Sul da capital, ligando as avenidas Teresópolis, Nonoai e Cavalhada. Uma faixa azul, no lado direito da via, divide os automóveis dos coletivos. O novo corredor funciona somente de segunda a sexta, nos horários de pico da manhã e da tarde. A Diretora de Transportes da EPTC (Empresa Pública de Transporte e Circulação), Maria Cristina Ladeira, declarou que durante a Copa o corredor será mantido e outros no mesmo estilo serão inaugurados na capital, sempre priorizando o transporte coletivo.

Foto: Divulgação/PMPA

Foto: Divulgação/PMPA

 

Além disso, a diretora citou as reclamações dos motoristas de automóveis em relação às ciclovias, que estariam tirando o espaço de circulação e estacionamento, e reafirmou que o papel da EPTC é dar razão ao transporte coletivo e público. A meta é estar com 54 km de ciclovia até a realização da Copa.

Em relação aos turistas, a diretora afirma que ele se sentirá acolhido e após o evento a população poderá se beneficiar com todas as mudanças. “Estamos mudando o pavimento dos corredores. Em frente ao estádio sede da Copa, colocaremos um corredor de ônibus em frente, que hoje não existe. Teremos linhas específicas nessa época, principalmente ligando o aeroporto ao estádio.”.

Outra aposta da Empresa Pública de Transporte e Circulação é no uso de bolsões de estacionamento. Nas proximidades do estádio não será permitido o estacionamento de veículos. Esses bolsões serão espaços reservados com este fim e serão implantadas linhas de ônibus partindo desses locais aos estádios. Um dos lugares onde haverá um bolsão de estacionamento é na PUC (Pontifícia Universidade Católica), Zona Leste da capital. “Porto Alegre estará preparada em termos de transporte para o evento. Estamos trabalhando na sinalização de acordo com o exigido pela FIFA. Durante o ano todo, os agentes de trânsito e os funcionários da EPTC que lidam diretamente com o público estão cursando inglês ou espanhol.”- relata Maria Cristina Ladeira.

Em relação aos táxis, haverá um monitoramento eletrônico de todos os carros, para poder distribuí-los melhor na cidade, além de GPS obrigatório nos veículos. Outro ponto levantado pela diretora é que hoje os cadeirantes têm dificuldades no uso desse transporte, pois além de serem retirados da cadeira e colocados no banco, muitas vezes não há espaço para a cadeira de rodas no porta-malas em veículos movidos a gás. Os táxis serão adaptados num modelo com rampa semelhante aos ônibus podendo, então, o cadeirante viajar sem precisar passar por todo esse processo.

Desse modo, estima-se que, pelo menos durante a Copa, o trânsito na capital gaúcha deve utilizar da sua máxima eficiência. Agora, fica a expectativa de saber como a cidade responderá às mudanças, passada a época do Mundial.

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