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Voluntários da Copa: futebol, trabalho e sucesso

27/12/2012
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Um dos coordenadores do voluntariado na Olimpíada de Londres, David Huse ministrou palestra em Porto Alegre / Foto: Samuel Maciel (PMPA)

Por Anna Liza Precht e Bruna Linhares

Seleções, torcedores, festa, repórteres e muito futebol. Sem dúvida, a Copa do Mundo é um evento grandioso que envolve vários elementos. O que muitos esquecem é que ela só acontece porque existe a dedicação dos voluntários. Estas pessoas se dispõem a trabalhar sem remuneração, até dez horas por dia, durante um mês.

As inscrições para voluntários foram abertas dia 21 de agosto no site oficial da FIFA. A Federação disponibilizou 15 mil vagas para se trabalhar no Brasil inteiro durante o Mundial e em torno de 950 vagas somente para Porto Alegre. Já para a Copa das Confederações, serão chamados sete mil voluntários. Essas pessoas devem trabalhar nas ações diretamente ligadas ao evento e aos estádios. Outros voluntários também podem estar ligados ao atendimento aos turistas, espalhados pelas sedes das competições.

No momento da inscrição, os candidatos podiam informar suas áreas de preferência, mas a seleção é feita conforme o perfil da pessoa. O Comitê Organizador Local da Copa do Mundo (COL)/FIFA é quem define as tarefas de cada voluntário. Existem dois tipos de voluntários: os especialistas e os generalistas. Os primeiros atendem áreas como imprensa, departamento médico e serviços de idiomas; e os últimos têm foco no atendimento do público em geral. As áreas de atuação incluem também serviços de transmissão, alimentação, transporte, protocolo, credenciamento, tecnologia da informação, hospitalidade, competições, entre outras.

O processo de seleção dos voluntários passa por cinco fases: inscrição no site, entrevistas, treinamento geral, treinamento específico e entrevistas específicas. A FIFA não paga salários e nenhuma ajuda de custo para hospedagem. Mas, o Comitê Organizador Local (COL) oferece uniformes, alimentação e deslocamento dentro das cidades-sede para o local de trabalho.

As inscrições para voluntários foram encerradas em 24 de setembro, com número recorde de interessados. Quase 131 mil candidatos se inscreveram para auxiliar no sucesso dos eventos e alcançar, além de crescimento pessoal e profissional, novas amizades e ter contato com outras culturas. Do total, 97% querem trabalhar na Copa do Mundo, e 76% na Copa das Confederações. Além de brasileiros, há 7.450 candidatos de outros países.

O Rio Grande do Sul ficou em sexto lugar entre os Estados brasileiros com maior número de inscritos, com 7.069 pessoas. A maioria (2.530) tentou uma vaga para a área de competições, que coloca o voluntário no estádio dos jogos. As cerimônias de abertura e encerramento tiveram 787 gaúchos inscritos, e o credenciamento, 648. São Paulo foi o Estado com o maior número de inscritos: 33.208, seguido por Rio de Janeiro (18.763) e Minas Gerais (13.247).

 

A primeira de muitos

A primeira pessoa a se inscrever no programa de voluntários da FIFA para a Copa de 2014 foi Gabriela Zago, uma gaúcha. Nascida em Bagé, tem 26 anos e cursa doutorado em Comunicação e Informação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com foco em novas mídias. A jornalista apontou no formulário de inscrição preferência por trabalhar na área de new media e media, no centro de mídia que deve ser montado no estádio Beira-Rio, em Porto Alegre.

“Achei que seria uma boa oportunidade de experiência profissional e cultural, pelo fato de ser possível se candidatar para áreas específicas, e também por possibilitar contato com pessoas de outros países”, contou. Gabriela ficou sabendo que tinha sido a primeira candidata a se inscrever após ser contatada por um repórter do Jornal Zero Hora. Ele obteve a informação junto à FIFA, pois gostaria de saber se havia gaúchos dentre os primeiros inscritos.

“Antes de abrir o formulário de inscrição nem sabia que havia a possibilidade de se candidatar para ser voluntário para a Copa. Vi uma notícia sobre a abertura de inscrições, procurei o formulário no Google e preenchi, sem pressa nenhuma”, recordou.

O processo de seleção de voluntários para a Copa do Mundo ocorrerá no final de 2013. Já o processo para a Copa das Confederações começou em novembro deste ano. Para finalizar, Gabriela contou sua expectativa com o voluntariado na Copa de 2014: “Espero poder participar, em função de disponibilidade de tempo na época do evento, e em função de ainda precisar passar pelo processo seletivo. E poder ter contato com pessoas de outras culturas e outros países, considerando-se que não haverá jogos do Brasil, por exemplo, em Porto Alegre”.

 

Experiências na África do Sul

As expectativas que Gabriela espera realizar em 2014 foram uma das maiores lições que o porto-alegrense Damian Steppacher, 32, aprendeu na sua participação como voluntário na última edição da Copa do Mundo, em 2010, na África do Sul. O administrador e servidor público na Escola de Administração da UFRGS atuou na gestão do centro de voluntários da FIFA em Durban, cidade litorânea ao leste do país-sede. As vantagens, segundo Steppacher, foram várias: “Desta experiência de voluntariado levo a superação do desafio de gerenciar um grupo pessoas de diversos países e de viver o dia-a-dia da organização e da operação de uma megaevento esportivo. Sem falar na oportunidade de trabalhar no exterior, lidar com diferentes culturas, línguas estrangeiras. Isso tudo enriqueceu meu currículo e, acredito, me habilita para lidar com a diversidade nas organizações”, avalia.

A oportunidade serviu também para mudar a opinião do voluntário sobre a África doSul, e, especialmente, sobre Durban: “A África do Sul me surpreendeu! Tinha uma expectativa muito negativa quanto à organização da Copa e também ao próprio país-sede. As notícias que ouvia antes da Copa não eram muito animadoras, como violência, roubo de malas e insegurança de uma maneira geral. Quando cheguei em Durban, vi que em muitos aspectos ela é extremamente superior a diversas cidades brasileiras, e especialmente a Porto Alegre. Há muito boas condições de infraestrutura e segurança muitas vezes não vistas aqui. Ruas iluminadas e bem pavimentadas, casas com grades abertas, grades baixas, aeroportos muito superiores a qualquer um no Brasil”, relembra.

Mas as boas condições estruturais não impediram erros na organização e logística do evento. Steppacher aponta falhas no planejamento de suprimentos, como alimentação e uniformes, além de problemas com a hospedagem e o transporte de voluntários. Para ele, é preciso que haja preocupação com questões como essas em 2014: “Sem planejamento, sem cuidar antes, ficamos nas mãos do improviso e aumentamos a chance de possíveis decepções com a organização da Copa do Mundo no Brasil”.

A experiência adquirida por ele em 2010 poderá estar a serviço do mundial do Brasil. Damian Steppacher se candidatou novamente a voluntário, para atuar na área administrativa dos jogos que acontecerem em Porto Alegre. A vantagem para ele e para outros voluntários brasileiros é que os custos tendem a ser bem menores, já que a maioria atuará na própria cidade onde mora. No caso do voluntariado internacional, como não há nenhum custeio de passagens por parte dos comitês organizadores, é preciso tirar dinheiro do próprio bolso: “[Durante o processo seletivo, em 2010] Foi exigida presença no consulado da África do Sul em São Paulo para uma entrevista presencial com o cônsul político. Neste momento já tive que arcar com os custos das passagens. Não paguei hospedagem, pois fiz o famoso “bate-volta”, caso contrário teria de arcar com essa despesa também”.

 

Voluntários além da FIFA

Além dos 950 voluntários da FIFA, Porto Alegre deverá contar, também, com a atuação de cerca de cinco mil outras pessoas na organização do evento, conforme informações da Prefeitura da Capital. O governo municipal pretende unir forças com entidades como Instituto Gaúcho de Futebol, Associação Cristã de Moços, Infraero, administrações dos principais shoppings da Capital, Câmara dos Dirigentes Lojistas, entre outros, para reforçar o número de voluntários durante a competição.

Conforme o Carlos Simões Filho, coordenador do Programa Infância e Juventude Protegida da Secretaria Municipal de Coordenação Política e Governança Local (SMGL) de Porto Alegre e um dos integrantes do projeto de voluntariado municipal, o modelo que deverá ser implementado na Capital será semelhante ao colocado em prática na Olimpíada deste ano, em Londres, na qual houve a atuação de sete mil voluntários em 43 pontos da capital inglesa, além dos selecionados pelo Comitê Olímpico Internacional. O coordenador-geral do Programa de Embaixadores de Londres na Olimpíada de 2012, David Huse, esteve orientando os gestores do município no dia 29 de novembro. No encontro, que durou todo o dia, Huse falou sobre a importância dos voluntários e os desafios que surgem em um grande evento.

Os participantes do programa de voluntariado municipal deverão ser espalhados por pontos estratégicos da cidade, em banquinhas identificadas, onde darão suporte aos turistas e ao evento de modo geral nos turnos da manhã, da tarde e da noite. A atuação dos voluntários do município será independente da FIFA e ficará sob coordenação das secretarias Extraordinária da Copa, de Governança Local e da Juventude.

No momento, o município trabalha estabelecendo as diretrizes do programa. Ainda não houve nenhum tipo de seleção de voluntários e não há estimativa de quando o processo deva começar. Para o próximo ano, quando o Brasil já sediará a Copa das Confederações, estão previstas viagens a outras cidades-sede, como Belo Horizonte, para acompanhar a atuação dos voluntários durante o primeiro teste do Brasil antes da Copa de 2014.

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