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Os desafios do sistema BRT no transporte público

18/12/2012
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Aposta do Brasil para melhorar transporte público é a implantação do Sistema BRT. Foto: Divulgação/PMPA

Por Fábio de Brito

fabio@baterumabola.com.br

 

Um evento da magnitude de uma Copa do Mundo exige do país promotor uma série de cuidados e mudanças em suas estruturas, e entre estas está a mobilidade urbana. Doze capitais brasileiras vão sediar jogos, e todas elas tiveram de fazer grandes mudanças, necessitando de aproximadamente R$ 12 bilhões de investimento oriundos, principalmente, da Caixa Econômica Federal, de prefeituras, estados e do governo federal.

A prioridade é investir em transporte coletivo em rotas que liguem aeroportos, estádios e setores hoteleiros. E a aposta do Brasil para melhorar o transporte público é a implantação do Sistema BRT. Infelizmente, para os porto-alegrenses o tão sonhado metrô não será uma realidade Durante a Copa, ou seja, temos que torcer para que os BRTs funcionem como espera a FIFA, o Estado e os entusiastas da Copa do Mundo no Brasil.

 

Origem dos BRTS

O Bus Rapid Transit (BRT) é um sistema de ônibus de alta capacidade que propõe um serviço rápido, confortável, e, principalmente, eficiente. Com a utilização de corredores exclusivos, o BRT simula o desempenho e outras características atrativas dos modernos sistemas de transporte urbano sobre trilhos, mas com um custo bem menor.

Todavia, para o sistema ser realmente eficiente, diversas medidas estruturais deverão ser tomadas, como por exemplo, a criação de um sistema de pré-pagamento de tarifa; integração modal em estações e terminais, corredores com pavimentação de concreto, plataformas de embarque elevadas no mesmo nível dos veículos, entre várias outras.

Durante o Seminário promovido pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), em Brasília, “BRT: Solução global para a mobilidade urbana sustentável”, o Diretor da Metrobus (nome dado ao sistema BRT na Cidade do México), Guillermo Calderón, mostrou que após a implantação do sistema na capital mexicana, em 2005, houve uma redução de 40% no tempo das viagens. Atualmente, a cidade tem quatro linhas de BRT, que alcançam 95 quilômetros de extensão, atendendo 760 mil passageiros por dia. “Vencemos a primeira batalha: dar prioridade ao transporte público com um sistema novo. Também conseguimos reduzir a emissão de CO2 em 100 mil toneladas/ano”, afirmou.

Calderón também falou sobre os investimentos necessários para implantar um sistema BRT. Um quilômetro de metrô custa US$ 150 milhões, enquanto o custo do BRT é de aproximadamente US$ 10 milhões: 15 vezes menos. “Essa diferença mostra porque muitas cidades adotaram o sistema”, concluiu.

Além disso, os mexicanos também puderam testemunhar uma drástica redução de emissões de CO2, de 35.000 toneladas de CO2 por ano de 2005 para cá, sendo que este sistema BRT foi concebido e implementado para servir pelo menos 45 mil passageiros por hora.

 

BRT em Porto Alegre
A cidade de Porto Alegre já possui três corredores – Protásio Alves, Bento Gonçalves e João Pessoa -, que serão modernizados e recebrá um novo corredor – o da Padre Cacique. A proposta da Metropoa (escritório de projetos de mobilidade urbnana,
subordinado à EPTC e ao escritório da secretaria especial da Copa) é de fazer destas linhas um sistema tronco-alimentado formando uma rede estrutural destinada a racionalizar, integrar e modernizar o sistema de transporte público coletivo da cidade.

De acordo com o site Copa Transparente (acessível em http://www.copatransparente.gov.br) o investimento para o BRT em Porto Alegre está previsto em R$ 667 milhões. Recursos federais correspondem à maior parte dos recursos para investimento (Pró-Transporte – R$ 480 milhões), que contará também com recursos municipais (R$53 milhões). Os recursos destinados às desapropriações são da ordem de R$ 43 milhões. As obras da fase inicial (modernização dos corredores existentes) já foram iniciadas e têm término previsto para dezembro de 2013.

A nova rede estrutural de transporte urbano da cidade propõe integração física, operacional e tarifária, o que promoverá significativa redução do número de linhas de ônibus superpostas nos principais eixos de transporte e na área central, como também a redução de ônibus em circulação, aumento de velocidade e redução de poluição, acidentes e custos.

Esta nova concepção do sistema de transporte urbano prevê a implantação de faixas exclusivas para o transporte coletivo por ônibus e a substituição da frota atual por veículos de maior capacidade, afim de atender de forma adequada a demanda de passageiros que irá utilizar esses corredores. A operação dos corredores será otimizada com a cobrança de tarifa antecipada, através da construção de estações com plataforma elevada, e adoção de uma nova logística operacional, com serviços de linhas expressas e semiexpressas (mesmo funcionamento das linhas T1 e T1 Direto, por exemplo).

O sistema também beneficiará os municípios de Cachoeirinha, Gravataí, Alvorada, Eldorado do Sul e Guaíba. O investimento em obras será de, aproximadamente, R$ 200 milhões, do quais R$187 milhões financiados pela Cooperação Andina de Fomento (CAF). Na implantação de equipamentos de controle e bilhetagem eletrônica serão investidos R$14 milhões. Os corredores serão construídos com pavimento rígido (concreto).

Ao final do processo de implantação do sistema BRT, 12 terminais de integração e 88 estações, com distância de 400 metros entre elas, estarão operando de forma integrada. Segundo a EPTC estarão a disposição dos passageiros terminais de serviços de informação eletrônica, que auxiliarão os usuários na identificação das linhas, horários, destinos entre outras informações operacionais, e haverá também a prestação de serviços públicos.

A iniciativa privada será responsável pela operação do corredor, e a forma de remuneração do operador será a tarifa — a arrecadação também será controlada pela iniciativa privada. Atualmente o valor da tarifa é de R$ 2,85, e não haverá subsídios no sistema de corredor BRT.

 

Problemas
Existem inúmeras críticas a Copa do Mundo no Brasil, como a de que os investimentos não correspondem as verdadeiras necessidades dos brasileiros, além da criação de diversos ‘Elefantes brancos’, entre outras. Um dos mais ilustres críticos da Copa é o deputado Federal pelo PSB Romário de Souza Faria. O “Baixinho” acredita que as licitações emergenciais serão o maior atentado contra o contribuinte em nossa história recente.

“Esta palhaçada vai piorar quando faltar um ano e meio para o Mundial. O pior está por vir porque o governo deixará que aconteçam as obras emergenciais, as que não precisam de licitações. Aí vai acontecer o maior roubo da história do Brasil”, escreveu.

Romário também fez críticas à reunião da Presidenta Dilma Rousseff com o mandatário da Fifa, Joseph Blatter. O ex-camisa 11 da Seleção afirmou que o governo está enganando o povo e que, se nada melhorar, a Copa do Mundo será “uma merda” e o País vai “passar vergonha” com a atual organização: “É uma pena que o Governo federal se uniu a Fifa para que a Copa do Mundo seja a maior de todos os tempos. Uma mentira descabida! Não será a melhor e nós vamos passar vergonha. Se continuar acontecendo coisas erradas e estranhas como esse encontro do Blatter com pessoas que não são ligadas a Lei Geral da Copa, ela será uma merda. E o governo federal está enganado o povo. E a presidente Dilma está sendo enganada ou se deixando enganar”, afirmou o deputado.

Fora do legislativo, muitas entidades da sociedade civil movimentam-se para exigir mudanças no texto da Lei Geral da Copa apresentado pelo governo federal e até sua supressão. Um das iniciativas que tem pedido mudanças na proposta é o projeto “Jogos Limpos Dentro e Fora dos Estádios”. Entre os pontos a serem alterados na proposta em debate estão a garantira de meia-entrada para estudantes e idoso, a manutenção da proibição da venda de bebidas alcoólicas nos estádios e da atual legislação sobre marcas e patentes.

Outra iniciativa civil é a “Articulação Nacional dos Comitês Populares lançou o manifesto ‘Lei geral da Copa – o povo brasileiro diz não!’”. Na avaliação dos comitês populares nas doze cidades-sede “o projeto cria um contexto de exceção, com alterações legais e administrativas de caráter excepcional, e atenta frontalmente contra os interesses nacionais, tudo em benefício da FIFA e seus parceiros. Por tal razão, os Comitês Populares da Copa das 12 cidades sede exigem que o Congresso Nacional rejeite a proposta do Executivo e abra um amplo debate com a sociedade sobre as medidas relacionadas com a realização dos Jogos no Brasil”.

Uma terceira iniciativa é a campanha “FIFA abaixa a bola!” do Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC). Para entidade os principais problemas da Lei Geral da Copa são o fim da proteção em caso de cancelamento; devolução e reembolso de ingressos; cancelamentos ou alterações de horários ou assentos sem aviso prévio aos torcedores; a liberação da venda casada de ingressos em forma de pacotes, prática comercial abusiva; e anulação do direito de arrependimento para desistência da compra do ingresso pela internet. A campanha também estimula que pessoas enviem e-mails para os deputados.

Entre pós e contras, a Copa do Mundo 2014 será no Brasil, e se estamos preparados ou não para recebê-la só iremos descobri no dia D e na hora H. Estamos agora no ponto crítico, como apontou Romário: há um ano e meio do grande evento. As licitações emergenciais já estão sendo feitas, e só nos resta esperar pelo melhor. Em relação ao transporte público em Porto Alegre, tudo indica que as mudanças serão positivas, e os porto-alegrenses só tem a ganhar com o sistema BRT.

Uma pena só podermos ver tamanha iniciativa de nosso governo quando ocorre uma Copa do Mundo no Brasil – a cada 62 anos.

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