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Hostel: uma opção de hospedagem na Capital

16/12/2012
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Hostel Porto do Sol tem boa localização, estrutura e valores acessíveis. Foto: Patrícia Valente

“Desembarco na Inglaterra em dezembro de 2011. Falta meio ano para as Olimpíadas de Londres 2012, um megaevento esportivo como será a Copa do Brasil em 2014. Do aeroporto pego um trem até o centro da capital (City of London) e de lá pego um metrô para o local onde pernoitarei durante alguns dias: um Hostel. Facilidade, praticidade e bom preço atraíram-me para lá. Só no site hostelworld.com eu tinha mais de 200 opções para escolher.”

Esse tipo de hospedagem é habitualmente utilizado pelos viajantes na Europa. Para qualquer lugar que o turista queira ir, existirá um Hostel à disposição. No Brasil, no entanto, o termo Hostel – traduzido, literalmente, para Albergue – foi, durante muitos anos, conotado como um espaço de baixa qualidade, sujo, desorganizado, onde só frequentavam baderneiros e festeiros de plantão. Sua impopularidade prejudicou os investimentos na área, o que restringiu as hospedagens brasileiras a Pousadas e Hotéis. De uns dois anos para cá, porém, Porto Alegre vêm ampliando essa possibilidade de alojamento e se preparando para receber ainda mais turistas em 2014.

 

Porto Alegre do pôr do Sol

O primeiro Hostel da capital gaúcha surgiu em fevereiro de 2010 a partir da iniciativa de Thiago Ciconet Requia e sua esposa. Ele trabalhava com intercâmbios e ela com turismo, quando perceberam que não havia essa possibilidade de hospedagem por aqui. Decidiram, então, abrir o Hostel Porto do Sol na Rua Mariante, próximo ao Hospital de Clínicas.

O local tem uma estrutura ampla com quartos compartilhados e quartos privativos, só femininos ou mistos. São no total sete quartos, uma cozinha compartilhada, área de lazer (com sala de jogos para os hóspedes confraternizarem) e área externa. Diferentemente de alguns hosteis que existem pelo mundo afora, o Hostel Porto do Sol não funciona com a proposta de Hostel-Pub. “O que a gente quer é que o pessoal fique ali interagindo, tomando uma ‘ceva’, um drink, entre eles; mas não é comum a gente trazer alguém de fora para tocar” – ressalta Thiago. Característica essa que contribui para marcar o local como área de descanso.

A demanda é maior nos meses de calor, de novembro a abril. O público-alvo são turistas de todo o mundo, inclusive brasileiros. Apesar de a procura ser mais por parte dos estrangeiros (mais de 50 nacionalidades diferentes já passaram pelo Hostel Porto do Sol), o público brasileiro cresceu bastante nos últimos tempos. “O pessoal tem se informado mais sobre o que é o Hostel, tem tentado mais, tem saído mais coisas na imprensa – o que é muito importante; porque antes, normalmente, quem conhecia era quem tinha viajado pra fora e meia dúzia de pessoas. O resto do pessoal que não conhece, acha que é um lugar sujo, mal frequentado. O que é bem longe disso!”, explica Thiago.

Da mesma forma como ocorre nos Hotéis, os Hosteis orientam os viajantes para o turismo na cidade. O próprio nome do Hostel Porto do Sol adveio da ideia de que uma das atrações mais bonitas de Porto Alegre é ver o pôr do Sol no Guaíba. Segundo Thiago, o suporte para o turismo é fundamental nesses locais; primeiro, por uma questão de hospitalidade e, segundo, porque isso abre possibilidades para que o turista goste mais da cidade, expandindo sua hospedagem.

 

Atendimento Bilíngue

Atualmente, são em torno de sete espaços como este na capital, entre eles, o Casa Azul Hostel (que funciona como um Hostel-Pub); o Porto Alegre Eco Hostel e o Hostel Porto Tchê, todos na cidade baixa.  Até o momento, eles são ligados ao SindPOA (Sindicato dos Hotéis), mas têm propostas para uma Associação específica. Enquanto tais propostas não saem do papel, Thiago conta que os proprietários dos hosteis estão implantando algumas medidas entre si para evitar a concorrência e melhorar o atendimento aos turistas: “Por exemplo, coisas que podem agregar público para nós, como passeios que os Hotéis não fazem, por um preço melhor. É muito mais difícil eu conseguir fazer sozinho, aqui no meu, do que de repente agrupar todos os hosteis e fechar um passeio com gente de todos eles. Sairia com muito mais frequência”.

Outro fator primordial em todos os hosteis é: os recepcionistas e funcionários devem saber falar, pelo menos, inglês e espanhol básico, porque nem todos os turistas mostram interesse em aprender o idioma local ou tentam se comunicar através dele. Saber, então, agregar bom atendimento, as necessidades básicas do turista é peça-chave para a consolidação de um Hostel no país. Sem contar os preços, que devem ser atrativos para aqueles que vêm de longe. Os pernoites em hosteis custam aproximadamente R$ 30,00 por pessoa em quartos compartilhados e R$ 80,00 para quartos duplos. Isso equivaleria, por exemplo, no Hotel Ibis, a R$ 150,00 por uma noite, tanto em quarto simples quanto em duplo. Preços que, no entanto, nem sempre são pagáveis por todos os turistas. Existem vários tipos de viajantes e as cidades precisam estar preparadas para recebê-los, especialmente, durante megaeventos esportivos.

Visando, portanto, a Copa do Mundo de 2014, os staffs dos hosteis também estão participando das iniciativas oficiais da prefeitura municipal e do governo estadual, com cursos de línguas e profissionalizantes gratuitos. A perspectiva de Thiago para a Copa é um aumento de 70 a 100% no quadro de funcionários do Hostel Porto do Sol, o que exige do mercado de trabalho mais pessoas capacitadas a lidar com o público estrangeiro.

 

Profissionalização e Capacitação para trabalhar em Hosteis e Hotéis durante a Copa

O governo federal possui, em parceria com o Senac, o PRONATEC (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego), programa voltado à qualificação para a Copa 2014, com o objetivo de “expandir, interiorizar e democratizar a oferta de cursos de Educação Profissional e Tecnológica (EPT) para a população brasileira”, diz Mara Zuraski, do Núcleo de Educação Profissional do Senac-RS. São mais de 29 cursos disponibilizados nas áreas de gestão, comércio, informática, moda, beleza, turismo, gastronomia e saúde.

Além disso, o Senac oferece cursos próprios gratuitos no Programa Senac de Gratuidade (PSG); cursos de Graduação, como o Curso Superior de Tecnologia em Hotelaria; Pós-Graduação; cursos EAD e técnicos como o de Guia em Turismo. De acordo com Mara, desde março de 2011, já foram capacitadas 90 mil pessoas para a Copa, um público que abrange tanto jovens em formação profissional quanto profissionais atuantes em busca de qualificação.

Conforme o coordenador do Curso Superior de Tecnologia em Hotelaria do Senac-RS – Luiz Alonso de Oliveira Blanco -, essa graduação tem convênio com todos os hotéis de Porto Alegre, com o Convention Bureau, ABIH, SindPoa e SindHotel; bem como relaciona-se com a Secretaria de Turismo Municipal, a Secretaria de Cultura do Estado e a Secretaria de Turismo do Estado, o que amplia a procura pela profissionalização, aumentando – consequentemente – o número de alunos e a mão-de-obra qualificada no mercado de trabalho.

 

Acima de tudo, identidade preservada

As oportunidades de emprego e de negócios estão se abrindo com a vinda da Copa de 2014 a Porto Alegre. Seja garçom, manicure, recepcionista, camareira, balconista, atendente, motorista de ônibus, guia, taxista, vendedor ou dono de hospedagem, é preciso um mínimo de formação e conhecimento para lidar com brasileiros e estrangeiros advindos de lugares com culturas tão diversas. Afinal, é imprescindível saber que não se deve oferecer carne de vaca a um indiano ou, muito menos, confundir um palestino a um israelense.

E essas regras de boa hospitalidade desenvolvem-se em todos os locais, inclusive em hosteis que, na visão de Thiago, devem sim agregar estrutura para 2014 sem, contudo, perder a identidade de Hostel.

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  1. Caroline permalink
    09/03/2013 9:29

    Parabéns Patricia pela reportagem, ficou ótima!

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