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Depois de um ano, Beira-Rio finalmente terá obras retomadas

22/12/2011

Minuta do contrato é entregue ao clube, e obras devem ser retomadas no início de 2012 (Foto: Reprodução)

Por Stéfano Mariotto
stefanomdemoura@gmail.com

Se em dezembro do ano passado as notícias davam conta de um estádio Beira-Rio em reformas visando à Copa do Mundo (bem pouco visíveis, é verdade), a situação piorou no ano de 2011. O início das obras anunciado em julho de 2010 foi protelado diversas vezes durante o ano seguinte. Devido a tal indefinição, Porto Alegre ficou fora da Copa das Confederações; além disso, especulações deram conta de um possível plano B para a Copa, utilizando-se a Arena do Grêmio como estádio-sede. Até que, no corrente mês de dezembro, as pendências foram resolvidas, e 2012 iniciará com máquinas ao redor do Gigante da Beira-Rio.

Foi o que garantiu o presidente Giovanni Luigi após a sofrida classificação para a Copa Libertadores da América 2012, em cima do grande rival, na última rodada do Campeonato Brasileiro. Em entrevista pós-jogo aos repórteres, o mandatário do clube confirmou que a tão aguardada minuta do contrato com a construtora mineira Andrade Gutierrez está em posse do Sport Club Internacional, e agora passará por análise no Conselho Deliberativo do clube.

Entretanto, 2011 foi terrível para o Internacional e para Porto Alegre no que diz respeito à Copa do Mundo 2014. Se o início do ano manifestava-se alvissareiro nas notícias sobre o estádio – considerado, naquele momento, um dos que contava com obras mais avançadas dentre os da Copa -, o transcorrer do ano a partir de junho modificou o panorama negativamente.

Em julho de 2010, o Internacional iniciou as obras do estádio por meio de recursos próprios – escolha defendida pela gestão do ex-presidente Vitório Píffero. Contudo, após assumir o cargo de presidente em 2011, Giovanni Luigi alinhou-se com a frente que defendia a parceria com uma construtora para a realização das obras. Os defensores dessa posição diziam que o Inter, ao assumir a reforma com recursos próprios, poderia se endividar por décadas, prejudicando o futebol do clube. Dessa forma, foi aberta livre concorrência pelo Internacional em maio de 2011 para as construtoras interessadas. A mineira Andrade Gutierrez teve a proposta vencedora, e as obras, que vinham sendo realizadas com recursos do clube, foram paralisadas em junho, na expectativa de que as máquinas da construtora começassem a funcionar no complexo.

Contudo, a partir da vitória na concorrência, as obras entraram em inércia. Questões contratuais, que foram sendo iniciadas, adiadas, resolvidas e recriadas ao longo do ano, paralisaram as reformas no estádio. Chegou-se a temer pela perda da condição de estádio-sede para a Arena do Grêmio, cujas obras vão a pleno vapor. Além disso, um grande baque para o Rio Grande do Sul aconteceu: Porto Alegre, antes favorita para ser uma das sedes da Copa das Confederações (considerado evento teste da FIFA para a Copa do Mundo), acabou sendo alijada do torneio preparatório justamente devido à indecisão sobre o estádio colorado. Com isso, a capital gaúcha perdeu a possibilidade da vinda de dezenas de milhares de vizinhos uruguaios, que acompanhariam a seleção Celeste, campeã da Copa América.

No decorrer desse processo de indecisão, a construtora e os altos dirigentes colorados sempre justificaram a demora na tomada de decisões utilizando o tempo que o contrato perduraria: 20 anos. Com isso, afirmavam que nenhuma decisão podia ser tomada apressadamente, e que a demora nos trâmites legais era necessária nesse tipo de situação. Assim, uma primeira minuta de contrato (espécie de rascunho inicial) foi enviada ao Inter em outubro; com o auxílio de um escritório de advocacia, o clube logo devolveu a minuta à construtora. Dessa devolução constavam algumas ponderações coloradas, relativas a pontos específicos: direito de superfície, bilheteria e foro de eleição. O consenso então demoraria mais algum tempo, só chegando ao conhecimento do público no dia 4 de dezembro, domingo, nas palavras do aliviadíssimo presidente Giovanni Luigi:

– Em relação às obras, a minuta chegou na sexta à noite, com respaldo da nossa assessoria jurídica. Quero fazer isso com a maior transparência, o assunto será levado ao conselho. E o Conselho Deliberativo será soberano na sua decisão.

Expectativa por uma nova Porto Alegre

Com a resolução da principal pendência para a Copa do Mundo, é retomada agora a expectativa pela nova Porto Alegre que deverá surgir a partir das obras, tanto no estádio quanto de infraestrutura.

O projeto inicial do novo Beira-Rio previa diversas intervenções no entorno do complexo. Tal projeto sofreu algumas modificações, motivadas tanto pelo próprio clube, como também pela prefeitura da capital e pela FIFA. Dessa forma, o projeto que se desenha para o Beira-Rio agora já não é exatamente aquele das primeiras demonstrações e maquetes.

Conforme Diana Oliveira, arquiteta e membro da Comissão de Obras do Inter, as alterações no estádio darão conta da aproximação das arquibancadas inferiores – sem o rebaixamento do gramado, como foi especulado, pois foi verificada a impossibilidade de tal ato devido à frágil estrutura do solo, à beira do Guaíba. Também haverá uma série de pequenas adequações para os padrões FIFA, e serão construídas mais áreas vips, além de sky boxes (espécie de camarotes a serem instalados em cima da laje do setor das cadeiras perpétuas). Por fim, o estádio terá a tão sonhada cobertura, construída em módulos, para que o estádio não tenha de ser interditado.

Relativamente às obras do entorno é que se encontram as maiores alterações em relação ao projeto inicial – que previa, segundo o site do clube e sua assessoria de imprensa, a reforma do Gigantinho, a construção de uma marina; dois prédios de estacionamento; um hotel; um shopping; um centro de convenções; um prédio de escritórios; uma área de lazer. Dessas situações, algumas devem se realizar, enquanto outras, caso venham a se realizar, levarão mais tempo. Tramita em regime especial de urgência junto à prefeitura, segundo Diana Oliveira, um EVU (Estudo de Viabilidade Urbana), do qual constam o prédio de escritórios e o centro de convenções, precisando, portanto, de aprovação para poderem ser construídos. Já a marina é uma questão mais complicada, segundo a arquiteta, pois depende de apoio da Marinha e de chancela da SMAM (Secretaria Municipal de Meio Ambiente). Quanto aos prédios de estacionamento, não serão mais dois, mas sim apenas um. A área de lazer, que seria construída abaixo da cobertura, com vista para o Guaíba, não está mais prevista.

Além disso, não necessariamente será a Andrade Gutierrez a responsável pelas obras de entorno do estádio: no acordo a ser assinado entre clube e empresa consta como responsabilidade da construtora a reforma do estádio e a construção do prédio-garagem. As demais benfeitorias já citadas poderão ser erguidas pela AG caso ela venha a se interessar pela obra, mas também poderão ser erguidas em conjunto com outros investidores privados: o hotel previsto no projeto inicial poderia ser erguido a partir de parceria com alguma rede hoteleira interessada, ou o shopping juntamente a algum grande grupo, por exemplo. Dentre todas as benfeitorias de entorno do estádio, a construtora apenas se manifestou, num primeiro momento, com relação à reforma do Gigantinho, tendo solicitado preferência na apresentação de uma proposta. Foi dado à AG um prazo (entre seis meses a um ano) para que apresente sua investida; caso o clube receba alguma outra proposta antes disso, deverá apresentá-la à empresa, para que a mesma a cubra ou então desista da reforma do ginásio.

O contrato

O contrato do clube com a construtora mineira terá a duração de 20 anos. A empresa explorará apenas as receitas oriundas das novas áreas que criará, a saber: sky boxes, áreas vips, prédio de estacionamento, bares e os 5 mil metros quadrados de área bruta locável ao redor do estádio – em outros termos, lojas e quaisquer outras empreendimentos criados pela construtora nesse espaço que será de posse dela. Mesmo que a Andrade Gutierrez tenha prejuízo com a parceria, não existe a possibilidade de renovação; portanto, após 20 anos, todas as receitas do estádio passarão para a administração do clube.

A minuta final de contrato foi enviada ao clube na última sexta-feira, dia 2, e será disponibilizada ao Conselho Deliberativo para análise. A histórica votação de aprovação do contrato está marcada para o dia 15 de dezembro. A partir da aprovação, as máquinas e operários deverão tomar o complexo a partir do início de 2012. Não há definida uma previsão de conclusão da obra. A assessoria de imprensa do Internacional informou que o prazo exigido pela FIFA é dezembro de 2013, mas o clube trabalhará para que o estádio esteja pronto antes.

Centro de Treinamentos deve se tornar realidade

O CT que há tanto tempo é especulado por dirigentes colorados deverá sair do papel. A construção do mesmo, segundo Diana, provavelmente será realizada pela Andrade Gutierrez. A construtora mineira deverá coordenar o projeto da Lei de Incentivo ao Esporte, em que empresas que declaram o imposto de renda pelo lucro real (7% das empresas nacionais) podem aplicar até 4% do imposto devido em projetos esportivos amadores, atletas sem patrocínio ou projetos sociais e educacionais desportivos. Dessa forma, a construtora deverá então captar os recursos e construir o CT para o Inter utilizando-se dessa possibilidade. O clube terá apenas de arcar com o custo da compra do terreno, que ainda não está definido.

Infra estrutura para a região

Algumas obras de infraestrutura urbanas que serão realizadas visando à região do Beira-Rio são: a duplicação da Avenida Tronco, de modo a desafogar o trânsito das avenidas Padre Cacique e Edvaldo Pereira Paiva, criando uma nova possibilidade de acesso à Zona Sul; a duplicação da própria Edvaldo Pereira Paiva ( Avenida Beira-Rio); a construção de um corredor de ônibus na Padre Cacique; a construção do metrô, que sairá desde a FIERGS até o shopping Praia de Belas. Além disso, obras de saneamento urbano, como tratamento de esgoto, também estão sendo realizadas.

Arena, especulada para a Copa, agora será Campo de Treinamento Oficial para as Seleções

A Arena do Grêmio, novo estádio tricolor que está sendo erguido pela construtora OAS na Zona Norte de Porto Alegre, no bairro Humaitá, chegou a ser cogitada como alternativa para a Copa. Por diversas vezes os dirigentes do Inter, o ex-ministro dos Esportes, Orlando Silva (substituído por Aldo Rebelo em outubro devido a denúncias de corrupção) e a própria FIFA (por meio de seu secretário geral, Jerome Valcke) manifestaram apoio aos colorados, mesmo com toda a indecisão relativa ao Beira-Rio. Contudo, a Arena passou a ser uma opção de fato no fim de outubro, quando se ficou sabendo que o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, considerava o estádio gremista como uma possibilidade caso as reformas no estádio do Inter não ocorressem.

Agora, porém, com a definição do contrato entre Inter e Andrade Gutierrez, a Arena volta a ser apenas uma opção de campo de treino oficial – já tendo sido escolhida pela FIFA como tal. O novo estádio gremista será todo no padrão da entidade máxima do futebol, e atende todos os requisitos para ser um campo de treino oficial, tais como: total privacidade, controle de acesso, disponibilidade de 45 dias para uso exclusivo, hotel a 20 minutos do local e à uma hora do aeroporto, entre outros 100 itens FIFA.

Segundo Eduardo Antonini, presidente da Grêmio Empreendimentos, a previsão de conclusão da obra é em dezembro de 2012. Devido a um aditivo incluso posteriormente à assinatura do contrato, a Arena será construída para um público de 60 mil pessoas (a previsão inicial era menor), possuindo cadeiras por todos os setores, inclusive no setor destinado à torcida Geral, onde serão removíveis. Hoje, as obras encontram-se num estágio de 35% a 40% concluídas e incluirão, além do estádio, um hotel, um shopping, estacionamento com 5000 vagas e um residencial, além do maior centro de eventos do estado.

Ainda segundo Antonini, os valores do contrato giram em torno de 475 milhões de reais. A parceria entre Grêmio e OAS irá durar 20 anos e, no final desse prazo, a Arena deverá ser entregue ao clube em perfeitas condições. Um ano antes do fim do contrato, a OAS deverá encomendar um laudo de avaliação das condições da Arena para entregar ao Grêmio, e o clube deverá indicar as medidas necessárias para deixar as instalações em perfeitas condições. As receitas que serão exploradas pela construtora serão: de bilheteria, bares, restaurante, locação de cadeiras e locação de camarotes. A venda do nome do estádio (naming rights), que já estava prevista em contrato, será outra receita para a construtora.

Quanto à infraestrutura urbana da região, os dirigentes gremistas, especialmente na pessoa do deputado federal e atual presidente do Grêmio, Paulo Odone, vêm tentando sensibilizar as autoridades, utilizando-se da ampliação da BR-116 e da chegada da Rodovia do Parque para argumentar por investimentos na região da Arena. Por enquanto, segundo Antonini, está previsto investimento de apenas 30% do orçamento necessário para investimentos em mobilidade urbana na região.

Por fim, também previsto em contrato está a construção de um CT para o Grêmio, a ser erguido, segundo Antonini, ao longo de 6 hectares de terra nas imediações da Arena, entre a BR-290 e o Guaíba.

Estádio Passo D’Areia, do São José, também é opção

Outro campo de Porto Alegre que está na rota da Copa do Mundo 2014 é o do estádio do São José, o Passo D’Areia, também na Zona Norte. Já sendo palco de shows internacionais – como o do Pearl Jam, em novembro desse ano -, e com o gramado tendo sido adequado aos padrões FIFA, o estádio do São José também foi inscrito como campo de treinos oficiais em Porto Alegre.

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