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Saúde: um dos possíveis legados da Copa

15/12/2011

As reformas no sistema de saúde de Porto Alegre podem representar um benefício que vai para além da copa de 2014. ( foto: divulgação)

Por Priscila Muzykant
priscilamzk@yahoo.com.br

Porto Alegre se prepara para a Copa do Mundo de 2014 e a saúde é uma das temáticas mais importantes do processo de melhoria da cidade. O Mundial é um motivador que contribui para a tentativa de superação de dificuldades nesse âmbito e para o cumprimento de metas em prazos estabelecidos. Os investimentos culminam em melhorias necessárias para a comunidade e para os turistas que vão conferir a Copa, podendo ser um legado aos porto-alegrenses, dependendo do modo de gestão realizado.

A capital gaúcha conta com a Secretaria Extraordinária da Copa (SECOPA), que tem a incumbência de planejar e controlar os projetos desenvolvidos para o evento, contemplando as exigências da FIFA em relação às cidades-sede. Ampliação do número de leitos hospitalares no SUS, otimização das instalações já existentes em hospitais públicos e privados, reforma do Hospital de Pronto Socorro (HPS) e implementação de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) são algumas das medidas que se encontram em processo de desenvolvimento na saúde do município.

No dia 10 de maio de 2011 foi criada a Câmara Temática da Saúde, que segundo informações do Ministério da Saúde, objetiva contemplar e organizar serviços de urgência e emergência, em atendimentos hospitalares e em Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) 24 horas. Em Porto Alegre deverão ser implantadas quatro novas UPAs até 2013 e feitas reformas nas já existentes, conforme proposta da Programação Anual de Saúde de 2011 de Porto Alegre, aliviando e descentralizando a procura por hospitais como Conceição, HPS e Clínicas. O projeto é coordenado pelo Ministério da Saúde, que tem a intenção de dialogar com as cidades que sediarão o Mundial, propondo um plano de emergência para conter epidemias e preparar campanhas preventivas.  Basicamente, a Câmara Temática da Saúde desenvolve um planejamento de projetos e ações direcionados ao evento esportivo, especificamente na área da saúde, abrangendo todos os municípios que participam como cidades-sede da Copa. As políticas públicas para a Copa do Mundo de 2014 devem ocorrer nos âmbitos da vigilância sanitária, assistência à saúde e vigilância epidemiológica, com a promoção de campanhas preventivas em relação a possíveis epidemias e surtos que ocorram no país.

Reforma do HPS

A modernização do Hospital de Pronto Socorro (HPS) é uma das prioridades para o Mundial de futebol e foi iniciada a sua reestruturação, sendo previstos leitos adicionais. A remodelação deste hospital é fundamental para o evento esportivo. Entretanto, os investimentos em postos de saúde também são necessários e eficazes a fim de incentivar a busca de atendimento em casos possíveis de serem atendidos nesses locais. Para tanto, a inserção de especializações nessas unidades e um trabalho de divulgação para com a comunidade em torno dos postos de saúde são medidas que podem ser eficientes. O HPS é um hospital que atua nos níveis de urgência e emergência, localizando-se no centro da cidade e sendo uma referência aos porto-alegrenses em relação ao atendimento hospitalar.

A Secretaria de Saúde intenciona reestruturar e consolidar o HPS para atender pacientes de trauma e de urgências clínicas, formalizando, também, a sua estrutura organizativa até 2012, conforme a Programação Anual de Saúde de 2011 da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre. O bloco cirúrgico e a sala de recuperação também devem ser reformados.

SAMU e ampliação do número de leitos no SUS

Um objetivo traçado na Programação Anual de Saúde de 2011, da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre, é que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) seja oficializado como estrutura independente do HPS até 2012. Uma das metas é fazer com que o tempo de resposta do SAMU seja reduzido de 18 para 12 minutos, conforme recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Complementarmente, há a intenção de implantar GPS e aumentar o número de ambulâncias para atendimento. Além disso, a Secretaria de Saúde pretende ampliar a cobertura pelo SAMU, por equipes de suporte básico, aumentando de 13 para 16 equipes no município até 2013.

O Sistema Único de Saúde (SUS) deverá contar com uma ampliação de 133 leitos hospitalares até janeiro de 2012. A distribuição é prevista aos hospitais Vila Nova, Beneficência Portuguesa e Luterano. Para os próximos três anos também poderá haver um aumento de mais de 800 leitos no município de Porto Alegre.

Oportunidade de superação de dificuldades

A superação de problemas existentes no âmbito da saúde tem o Mundial como um motivador que contribui para o cumprimento de metas em prazos estabelecidos. Os investimentos realizados pelo Estado e pelo município permitem que Porto Alegre seja uma das cidades-sede e que a situação geral na saúde apresente melhorias para os próprios moradores do município.

Conforme pesquisa realizada pela especialista em saúde pública Rossana Ramos, as empresas de construção civil e patrocinadores oficiais do Mundial são grandes beneficiados do evento. Isso pode ser percebido pelas edições anteriores da Copa, em que os setores com mais carência de organização social apresentam menos ganhos em relação às instituições que apresentam maior força política. Além disso, Rossana aponta que muitos dos investimentos atualmente divulgados são, na realidade, definidos em um momento anterior ao evento esportivo. Contudo, como estão sendo realizados muitos investimentos públicos, há uma expectativa de um retorno e de uma distribuição adequada dos benefícios que a Copa do Mundo pode proporcionar à cidade, auxiliando em uma reconfiguração da realidade histórica.

Outro aspecto importante é o projeto de isenção de tributos para empresas que vêm para a Copa, em geral patrocinadoras do evento. Promover a isenção implica o não recebimento de recursos financeiros para o governo, subtraindo possibilidades de investimento que poderiam minimizar as carências estruturais em diversas áreas da cidade, como a saúde.

Em Porto Alegre, a participação cidadã se dá no Comitê Popular da Copa, que é formado por organizações não governamentais e cidadãos que buscam que os direitos humanos e de moradia, por exemplo, sejam contemplados com transparência nas cidades-sede. O envolvimento dos moradores do município é importante para que efetivamente haja uma participação popular, já que as modificações na cidade devem prioritariamente ocorrer em prol da comunidade local. A Copa pode deixar um legado e melhorias aos porto-alegrenses na área da saúde, superando algumas limitações ainda existentes nesse âmbito.

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