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Infraestrutura: pensando no legado

08/12/2011

Projeto da nova zona portuária de Porto Alegre: inspiração catalã (crédito: Jaime Lerner/Divulgação)

Por Arthur Nonnig
arthurnonnig@gmail.com

Os defensores da Copa do Mundo no Brasil mantêm o mesmo discurso: “A Copa trará legados para a população”. “A Copa servirá como catalisador para o desenvolvimento”. Enquanto elefantes brancos são levantados por todo o País, a justificativa continua válida graças às obras de infraestrutura espalhadas pelo Brasil. Em Porto Alegre, o panorama é o mesmo: o Beira-Rio passa por reformas, uma Arena é levantada na Zona Norte; a capital gaúcha prepara-se, estruturalmente, para sediar o maior evento esportivo do mundo.

 

 Cais Mauá                                                                                                                                                                      

No dia 25 de novembro deste ano, o Governador do Estado, Tarso Genro, transferiu a posse dos 180 mil metros quadrados da região portuária para a iniciativa privada. A empresa que assume a área é a Cais Mauá Brasil, responsável por toda a revitalização do local.Porto Alegre buscou em Barcelona a referência para a revitalização de uma zona abandonada da capital. O Cais Mauá, que hoje está jogado às moscas, sendo pouco aproveitado, será um ponto importante de lazer, comércio e cultura da cidade. O projeto pretende incorporar sua abandonada zona portuária à vida urbana, como aconteceu na capital catalã, em 1992.

Segundo a Câmara Temática da Infraestrutura Copa 2014/RS, os investimentos no local chegam a R$ 500.000.000. As obras, que levarão cerca de seis meses para começar, devem estar prontas no dia 16 junho de 2014, a tempo do aproveitamento na Copa.

As mudanças na região portuária incluem uma área verde emendada à Praça Brigadeiro Sampaio, passarelas por toda a extensão do Cais, transformação do muro em cortinas de água iluminadas, além do projeto básico de revitalização dos armazéns, que serão transformados em centros comerciais e de serviço. Na área, também está prevista a construção de três torres, que darão um ar moderno à antiga área portuária da capital sul-rio-grandense.

Grande parte do projeto vem da inspiração catalã. O Prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, comentou, ao Portal da Copa de 2014, o modelo seguido. “O porto é o melhor exemplo de como a colaboração entre as duas partes funciona, apesar das peculiaridades de cada uma. Existe uma identidade muito forte entre as cidades, e queremos aproveitar ao máximo a transformação de Barcelona desde 1992”, afirmou Fortunati.

O projeto do Cais Mauá destaca-se nas obras ligadas à Copa do Mundo não por ser de necessidade do povo, como viadutos, rodovias e aeroportos, mas por ser um atrativo a quem vem à capital do Estado. Neste caso porto-alegrense, fica claro que as obras de revitalização na região portuária não foram pensadas para a Copa 2014, mas estimuladas pelo evento de tamanho mundial.

 

O aeroporto

As obras no Salgado Filho começaram em maio deste ano (Foto: Arthur Nonnig)

A capital gaúcha já sofreu com problemas no Salgado Filho. Os equipamentos do aeroporto não são os mais avançados e, obviamente, não estão prontos para receber um evento de tamanha grandiosidade como uma Copa do Mundo.“Caos aéreo”, essa expressão circulou nos noticiários brasileiros neste e no ano passado. No Rio Grande do Sul, o maior aeroporto, que será amplamente utilizado na Copa do Mundo de 2014, é o Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre.

As obras de ampliação da pista e a renovação dos equipamentos são uma necessidade da cidade e do Estado, que a Copa apenas trouxe com maior velocidade. O Coordenador de Obras da Gerência Temporária de Porto Alegre (GTPA) — entidade que cuida das obras na capital, incluindo as obras no aeroporto —, Alberto Bernd, reforçou a necessidade das melhorias no Salgado Filho, não apenas para a Copa 2014, mas para a cidade. “As obras do aeroporto não têm como objetivo somente a Copa. Elas foram feitas com base em um estudo de projeções. A ampliação do terminal de passageiros, por exemplo. O terminal foi inaugurado em 2001, em outro contexto, agora é muito mais fácil para qualquer um comprar uma passagem; o movimento aumentou muito, e chegou uma hora em que temos que ampliar”.

No caso do aeroporto, a melhoria dos aparelhos de controle é necessária, uma vez que o evento esportivo ocorre durante o inverno, tempo de maior propensão para neblinas e nevoeiros. O Coordenador também comentou sobre essa necessidade da capital. “São vários equipamentos, principalmente iluminação durante todo o eixo da pista, e nas cabeceiras também. Esses equipamentos já estão licitados e visam atender a demanda daqueles dias”, afirmou Bernd, referindo-se aos dias da Copa na capital.

Assim como o Cais Mauá, as obras no Aeroporto Internacional Salgado Filho ficarão para a cidade como legado. O que foi agilizado pela Copa permanecerá para a população, que continuará a usufruir das melhorias que o evento mundial trouxe. O próprio Coordenador confirma: “A Copa está alavancando muitas obras. Nesse sentido, ela está sendo muito boa, porque alavanca os recursos e mobiliza órgãos.”

Segundo a Câmara Temática da Infraestrutura Copa 2014/RS, atualmente o Aeroporto Internacional Salgado Filho tem 15% das obras concluídas. No total, os investidos chegarão a R$ 792.000.000 somente no aeroporto da capital. Para a Copa, também serão disponibilizados R$ 53.613.673 para obras nos aeroportos regionais, espalhados pelo Rio Grande do Sul.

 

Transporte

Bus Rapid Transit (BRT) de Porto Alegre. Foto: Ricardo Giusti/PMPA

Como toda cidade grande, Porto Alegre sofre com a falta de organização do seu trânsito. Para receber a Copa do Mundo, a cidade precisa suportar um fluxo superior ao exigido pelo dia a dia da cidade. Prevendo o aumento no número de pessoas e veículos na cidade, durante o período dos jogos, as medidas necessárias já começam a ganhar forma.

As obras relacionadas à Copa do Mundo mais avançadas são: parte da RS-118, segundo trecho da obra, e a revitalização da Rua Dona Alzira, nas proximidades do aeroporto. A maioria das obras no Estado ainda está em fase de licitação. Em Porto Alegre, especialmente, algumas ações chamam  atenção.

As obras na rodoviária facilitarão o acesso à cidade para aqueles que chegam do interior. Dentro da cidade, as ampliações da Avenida Tronco (avaliada em R$ 140 milhões), da Beira-Rio (R$ 94 milhões), da Terceira Perimetral (R$ 120 milhões) e da Voluntários da Pátria (R$ 30 milhões) já foram iniciadas, mas ainda seguem lentamente, com porcentagens inferiores a 30%. Como destaque, a Terceira Perimetral já tem 28% das obras concluídas, com todo o projeto básico finalizado.
Além da construção de viadutos e melhorias nas avenidas e ruas de grande porte, outro projeto para a capital é a linha de ônibus BRT (Bus Rapid Transit), que será implantado nas Avenidas Bento Gonçalves, Protásio e João Pessoa. O sistema seria colocado na Assis Brasil, mas, com a confirmação do metrô em Porto Alegre, a avenida do centro de Porto Alegre recebeu o privilégio de contar com o sistema de ônibus. A novidade conta com pavimentos de concreto, tickets internos e externos, além de plataformas de embarque e desembarque. A medida, que continuará após a Copa do Mundo, visa facilitar o transporte através do corredor de ônibus.

Além das obras citadas, ainda serão desenvolvidas outras, como a ampliação da capacidade elétrica da capital e a reforma de aeroportos regionais. O Estado e, principalmente, a capital trabalham para receber o maior evento esportivo do mundo, mas a passos lentos.

Neste momento, tratando da infraestrutura, o projeto é pensando no legado. A Copa vai passar, mas as melhorias ficarão para os gaúchos. O Secretário de Gestão de Porto Alegre, Urbano Schmitt, valoriza a questão do legado para a cidade.

“O que nós pensamos, especialmente, em legado. Legado social, com a melhoria da qualidade de vida das famílias atingidas; maior projeção nacional e internacional de Porto Alegre e do Estado do Rio Grande do Sul, entendendo o fluxo de turistas e a cidade como um destino preferencial para receber os eventos; melhorias no trânsito e na infraestrutura urbana; melhoria na qualidade dos serviços prestados aos cidadãos e aos turistas; a criação de novos negócios para a cidade; incremento e diversificação da economia de Porto Alegre”, declarou o Secretário de Gestão de Porto Alegre, Urbano Schmitt.

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