Skip to content

BOXE NO RS: SÓ POR AMOR

25/07/2011

Por Rafaela Redin
rafaela_redin@yahoo.com.br

Academia de pugilismo “Clube do Boxe” de Porto Alegre. Crédito: Rafaela Redin

A repercussão na mídia de eventos como o norte-americano “Ultimate Fighting Championship”, o UFC, apresentando ídolos brasileiros como Anderson Silva e Maurício Shogun, tem trazido curiosos para o jiu-jítsu e outras modalidades como o boxe. E o Clube do Boxe de Porto Alegre faz parte das academias de pugilismo da cidade que tem tido maior visibilidade devido a essa busca pelo esporte. A academia, localizada na Rua Líbero Badaró, na zona norte, tem como meta o ensino do boxe amador ou Boxe Olímpico, que como bem diz o nome é aquele das Olimpíadas.

Para quem não sabe, o boxe Olímpico se diferencia do Profissional na quantidade de rounds (o olímpico com três e o profissional com até seis ou mais), na proteção de cabeça e no uso de camiseta, itens obrigatórios, e visa a pontuação pelo maior número de acertos ou socos efetivos no adversário.

Os três professores do Clube do Boxe, Mateus Alves, Luiz “Paboom” e Gabriel “Pulga” têm nível avançado na modalidade e também começaram o treinamento em academias. Por falar em treinamento, entre  variações com as escolas de combate – trabalhos em dupla -, normalmente inicia com alongamentos, uma parte de corda para o aquecimento, trabalho de sombra – movimentação na frente do espelho onde se aprende os golpes -, e depois se passa os movimentos para os aparelhos de pancada e solo. Para finalizar, mais uma parte de condicionamento físico com abdominais e apoios.

A academia, assim como tantas outras, participa de competições e normalmente tem ótimos resultados. No ano passado, por exemplo, foram oito lutas com oito vitórias. Porém neste ano há desfalques, pois um dos atletas está no serviço militar e o outro foi treinar em São Paulo. Para o professor Gabriel “Pulga” este é um dos problemas das academias de boxe: dos poucos que se interessam em continuar treinando, a maioria acaba indo para cidades maiores, e os frequentadores dos clubes “vêm sempre para aprender e querer condicionamento físico”, diz.

Essa ida para São Paulo acaba sendo uma das melhores opções para quem quer seguir no esporte, devido ao grande número de federações, atletas e patrocínios no estado paulistano. O Campeonato Brasileiro é normalmente em Aracajú, no Sergipe, e na capital paulista, onde fica sede da seleção brasileira, então ir para lá facilita no contato com a confederação nacional e com a experiência, pois as lutas ocorrem todas as quartas-feiras e aos sábados. No Rio Grande do Sul são no máximo dois eventos por mês em Canoas, Caxias ou Osório.

Ademais, as regras proíbem o pagamento de lutas para o boxeador amador, ficando a cargo da instituição o financiamento, mas esta nem sempre tem condições, como o Boxe gaúcho. E no caso de campeonato brasileiro o lutador só vai se tiver como pagar sua própria passagem. “O lutador não ganha nada, só a medalha, só participa por amor”, conta “Pulga”. Gabriel atribui esta situação um pouco à falta de organização e incentivo da Federação Rio-grandense de Pugilismo, a única que regula o esporte no estado, e da própria Confederação Brasileira de Boxe (CBB) que permite que isso ocorra.  Além disso, não há patrocinadores que ajudem e contribuam para que iniciantes e desconhecidos tenham a chance de tentar. “O atleta só vai receber se ele for até o 3º lugar no campeonato brasileiro, aí tem direito a uma bolsa atleta que o governo quase nunca libera, ou quando libera é um, dois anos depois, quando o atleta já abandonou o esporte”, diz o treinador.

Perguntei para ele se esses problemas também têm a ver com a história do boxe não ser brasileira. Ele responde que sim, pois em Cuba e nos Estados Unidos a mentalidade é outra. “Aqui no Brasil a criança nasce e quer jogar futebol, nos EUA o cara quer ser boxeador ou lutador de vale-tudo. Há uma intensa valorização dos esportes coletivos”, e assim os individuais ficam a mercê da vontade de patrocinadores ou de olheiros da seleção, como o atletismo, que também sofre com a falta de verbas. Para Gabriel essa mentalidade de valorizar apenas o esporte de grupo é falha, pois se pensarmos que em uma Olimpíada é necessário seis atletas para jogar vôlei e se ganha apenas uma medalha, no boxe – que há oito categorias de acordo com o peso – com oito competidores, é possível ganhar oito medalhas.

Recentemente a Petrobrás anunciou que irá investir R$260 milhões em esporte até 2014 para ajudar os jogos Olímpicos em 2016, no Rio de Janeiro. Porém os beneficiados serão os atletas da Seleção Brasileira, e até chegar ao nível de seleção existe um longo caminho. Assim, a situação não muda de figura, e o papel das academias, de tentar mudar o pensamento das pessoas sobre a necessidade de mais incentivos e de difundir o esporte, por consequência é abafado e serve na maioria das vezes apenas para a preparação e condicionamento físico, meta da maioria dos frequentadores.

“O cara querer sobreviver do boxe, está complicado, no Brasil, está complicado.” – Gabriel “Pulga”

Fiz contato com a Federação Rio-grandense de Pugilismo para saber da real situação de verbas e incentivos da instituição. Ainda estou aguardando as respostas…

Anúncios
3 Comentários leave one →
  1. Amilcar dos Santos Cardoso permalink
    23/06/2014 12:50

    Você não recebeu e nem vai receber resposta alguma. A FRGP não tem as mínimas condições de funcionamento, se sofrer uma auditoria (pois ocupa um local público-CETE, onde deveria estar em dia com sua documentação), não conseguirá mostrar nem o livro caixa, você não sabe o quanto entra e o quanto sai, não sabe qual é seu patrimônio e suas dívidas, arrecada dinheiro com cursos de final de semana, certificando até aqueles que não tem o mínimo conhecimento do boxe e nem do corpo humano, não sabem diferenciar um bíceps de um tríceps, isso é trágico. Afundada em dívidas (???), sem a menor credibilidade e representantes, como irá ajudar as academias, os clubes e os atletas? Amigo, é triste ver outros estados prosperando, e o RS afundando. Existe uma solução, as pessoas sérias, técnicos sérios, realmente qualificados, buscarem através da união uma nova Federação, séria, comprometida, sem vaidades, em conformidade com a lei, e que diferentemente da atual, não sugue o sangue dos atletas e depois os larguem, desperdiçando o que eles tem de melhor, a juventude. Tudo isso acontece com pleno conhecimento da entidade máxima, CBB, que teve a coragem de mudar mas, não tem coragem de descredenciar a federação do estado por problemas que ela tem conhecimento e se omite. Sim meu amigo, o boxe gaúcho bom como seus atletas estão condenados a trabalharem de graça para meia dúzia de pessoas que transformaram o boxe gaúcho em um negócio familiar.

    • Carlos Mariguella Cândido Cardoso permalink
      23/06/2014 13:00

      O CETE é um local sujeito as normas da administração pública, como permite que uma entidade fantasma ocupe suas instalações? quem são os responsáveis ? As vésperas de uma olimpíada o Brasil, uma entidade irresponsável dirige um esporte e o governo permite? devem ser todos do mesmo partido. Pobres atletas e o boxe do RS…

  2. Marcello Leal dos Santos Junior permalink
    30/06/2014 14:46

    Tentei uma vez treinar boxe no CETE em 2010, foi impossível…propaganda enganosa do site da FRGP. Arrogância e prepotência.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: