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Quanto custa ser torcedor?

14/07/2011

Cifras de uma paixão: torcedor e consumidor se misturam na equação do futebol Crédito: Divulgação

Bibiana Guaraldi
bibinha_guaraldi@hotmail.com

Amar, odiar, chorar, gritar, xingar e emocionar-se são alguns sentimentos e ações que logo vêm à cabeça quando falamos de futebol. Nos dias de hoje, porém, esse esporte também é associado a fatores que saem do âmbito emocional e partem para questões mais objetivas: marcas, produtos, patrocinadores, propagandas, cachês altos, contratações bilionárias, etc. Foi-se o tempo em que para ser torcedor era preciso apenas ter amor pelo time. Atualmente, para ser considerado um torcedor de verdade, é preciso ter, além do sentimento, dinheiro.

Desde o início do século XX, empresas valem-se de esportes como o futebol para vincular sua imagem a aspectos positivos por eles sugeridos. No Brasil, o futebol começou mais fortemente a ser sinônimo de bom negócio e a chamar atenção de investidores para o patrocínio do esporte a partir da década de 1980. Antes desse período, os patrocínios aos clubes restringiam-se ao fornecimento de material esportivo.

Outra estratégia utilizada para arrecadação de verba para os clubes são os investimentos na venda de produtos relacionados ao clube, que vão desde camisas oficiais, adesivos, canecas e bicicletas até a adesão ao quadro social. No mês de setembro, por exemplo, foi lançada a água mineral do Flamengo, em ação antecedida por clubes como Fluminense e Vasco. O pioneiro no lançamento de produtos alimentícios foi o Internacional. Os torcedores podem encontrar vários produtos em supermercados com a marca colorada, entre arroz, extrato de tomate, chocolate, vinho, e até ração para cães.

Diante desta variedade de produtos, para quem deseja expressar sua devoção ao time do coração surge a pergunta: quanto custa ser um torcedor? Para responder a essa pergunta, pesquisamos os valores médios de alguns produtos vinculados ao Sport Club Internacional.

O item número 1 para um torcedor é a camisa oficial do clube (R$ 169, 90) e, como estamos falando de torcedores gaúchos, outro item indispensável é o agasalho do time (R$ 399,00). Para se manter informado sobre as notícias do esporte, o torcedor deve possuir um rádio (em média, R$ 10,00), e ler a seção de esportes de algum jornal diário (no mínimo R$ 0,75 por dia – R$ 22,50 em um mês). A maior parte dos torcedores possui também uma bandeira, produto que não costuma custar menos de R$ 30. Apenas para se “vestir” de torcedor é preciso desembolsar, em média, R$ 631,40.

E os gastos não param por aí, todo torcedor que se preze, deve assistir aos jogos do seu time. O ingresso mais barato para não-sócios em jogos do Campeonato Brasileiro no estádio Beira-Rio custa R$ 30, e o mais caro, R$ 80. Para ser sócio contribuinte Campeão do Mundo e pagar a metade do preço dos ingressos, o torcedor precisa dispor de R$ 20 para a compra do cartão de sócio, mais a mensalidade, R$ 22. A ida ao estádio envolve ainda os custos de transporte – R$ 4,90 para ir e voltar de ônibus, ou R$ 10,00 do estacionamento, caso se vá de carro – e alimentação – uma latinha de refrigerante custa, em média, R$ 4, um pastel, R$ 2,50, e um pacote de salgadinho, R$ 3.

Caso a partida não seja realizada na sua cidade, e não seja transmitida pela TV aberta, o torcedor precisa ser assinante de TV a cabo e ainda comprar o pay-per-view:  R$ 249,00 da taxa de instalação e adesão + R$ 52,90 do pay-per-view + R$ 78,90 da mensalidade e, sendo que o pacote é válido por um ano, a conta final fica em módicos R$ 1.581,60.

Diante destes valores é inegável que o esporte das massas está se tornando cada vez mais caro, apesar disto, o futebol parece só aumentar sua popularidade. Parece contraditório, mas segundo o publicitário Armando Vianna, há uma explicação muito simples para esse fenômeno: “o torcedor não é um consumidor comum, é um fã, ele realiza as compras de forma passional, o valor simbólico atribuído à camisa do time do coração, por exemplo, supera em muito o valor monetário cobrado por ela”.

Vianna está escrevendo um livro em que analisa a relação entre marketing e futebol, para ele, o mercado de produtos relacionados ao esporte tem como se expandir muito mais, e aponta como motivo o importante papel desempenhado pelo futebol na construção da identidade brasileira. Nas palavras do autor, “ser brasileiro é ser torcedor – desde o nascimento, os pais compram roupinhas de times de futebol para os filhos, os orientam a torcer para este time, e não para aquele, na escola, todos os coleguinhas têm um time preferido, e por aí vai. No Brasil, para se ‘encaixar’ na sociedade é preciso ao menos ter uma opinião sobre o futebol, aqui todos são torcedores em potencial, logo, consumidores em potencial”.

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