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O melhor local para receber os jogos da Copa em Porto Alegre

11/07/2011

Arena gremista e o novo Beira-Rio: Projetos da cidade para sediar os jogos na próxima copa. Crédito: Porto 2014

João Flores da Cunha
jfloresdacunha@gmail.com

Leonardo Lima, estudante de Arquitetura da UFRGS, desenvolveu um trabalho de iniciação científica intitulado “Porto Alegre e a Copa do Mundo de 2014 – Uma escolha de sedes”. Trata-se de um estudo que averigua qual é a melhor opção de estádio, dentre três possíveis, para receber os jogos da Copa, considerando-se a região da cidade onde estão localizados. Os estádios considerados foram o Beira-Rio, que fica no bairro Menino Deus, o Olímpico, na Azenha, e a nova Arena do Grêmio, a ser construída no Humaitá. O escolhido pela Fifa – entidade máxima do futebol mundial – para receber os jogos da Copa é Beira-Rio.

Paulista, torcedor do São Paulo Futebol Clube, Leonardo passa longe das polêmicas que costumam separar torcedores do Grêmio, de um lado, e do Internacional, do outro. “Eu não sou gremista nem colorado, não estou de lado nenhum”, brinca. Seu estudo é técnico e leva em conta quatro variáveis: mobilidade urbana, rede hoteleira, infraestrutura e criminalidade. Esses seriam os pontos fracos da candidatura de Porto Alegre, conforme levantamento feito por ele com base em informações divulgadas pela imprensa.

Leonardo não fez uma análise dos estádios em si, considerando quantos espectadores sentados cada um deles pode abrigar ou algo nesse sentido. O trabalho consiste em pensar a cidade como um sistema espacial e, a partir daí, olhar para cada região dela como parte desse sistema, tendo como problema de pesquisa a escolha da sede da Copa. O primeiro passo é analisar, de acordo com os parâmetros do estudo, qual área da cidade é a melhor em determinado aspecto, como a rede hoteleira, por exemplo; depois, compara-se os atributos das regiões dos estádios a essa para descobrir qual delas está mais próxima do ideal. O estudante foi orientado pelo professor Romulo Krafta.

O estudo

A primeira variável considerada por Leonardo é a mobilidade urbana.  Essa análise se baseia nas medidas de acessibilidade e centralidade. Esse critério leva em conta se é fácil de chegar ao estádio e, ao mesmo tempo, se o caminho não concentra outros fluxos. Nesse ponto da apresentação, ele mostrou uma foto das avenidas Borges de Medeiros e Padre Cacique, com o Beira-Rio ao fundo, e o trânsito completamente parado. O jogo era noturno, e o fluxo de carros indo para o estádio se misturou ao do sentido dos moradores da zona sul voltando para casa, no fim do dia. Nesse primeiro aspecto, o Olímpico se saiu melhor.

A rede hoteleira se desdobra em dois aspectos: a convergência e a oportunidade espacial. O primeiro dá conta dos locais para onde os visitantes que estiverem em Porto Alegre tendem a ir – parques, locais turísticos, de eventos, bares noturnos, etc. A região do estádio do Inter é a que tem mais condições de atrair os turistas, na visão de Leonardo. Já a oportunidade espacial investiga em qual parte da cidade há mais hotéis próximos a esses locais a que o público irá se dirigir. Há um empate entre as zonas de Olímpico e Beira-Rio.

O terceiro aspecto é o da infraestrutura. Aqui, Leonardo trabalha com o conceito de polaridade. Ele coloca em um mesmo mapa as rotas de acesso à cidade, os locais da rede hoteleira e os caminhos para se chegar aos estádios. Nas imediações do terreno onde será localiza a nova Arena, por exemplo, há uma polaridade muito grande: o bairro Humaitá fica perto de pontos de entrada e saída de Porto Alegre e as ruas e avenidas nas imediações não são tão movimentadas como no Beira-Rio e no Olímpico. Por isso, o futuro estádio do Grêmio leva a melhor.

A quarta variável é a da criminalidade. Leonardo mapeou as estatísticas de crimes e contravenção registrados em delegacias no primeiro semestre de 2010. A área do Beira-Rio registrou um número menor que as demais.

Não é preciso entender de futebol para acertar o resultado: com um placar de 3 a 2 a 1, o Beira-Rio foi o vencedor. Porém, Leonardo faz questão de dizer que a conclusão do trabalho não é algo definitivo ou absoluto. Ele lembra que o seu estudo atribui um peso igual a todas as variáveis. Se à infraestrutura for dada prioridade, por exemplo, a resposta à questão “qual a região de Porto Alegre que mais se aproxima da ideal para receber os jogos da Copa do Mundo?” pode ser outra. De fato, Leonardo acredita que esse aspecto deve ser considerado como o principal – ou seja, o bairro Humaitá seria a melhor região, e a Arena, a vencedora.

Um aspecto-chave para entender essa ressalva é a projeção da situação futura do trânsito na Capital gaúcha. Em 1970 – um ano depois da inauguração do Beira-Rio –, Porto Alegre contava com 40 mil veículos. Hoje, são 700 mil – e, a cada dia, 100 novos são emplacados. Nesse contexto, não há malha rodoviária urbana que resista. Como as vias de acesso ao estádio do Internacional são, também, importantes avenidas de ligação entre a Zona Sul e o resto da cidade, pode-se afirmar que, caso não seja tomada uma opção firme pelo transporte público, o movimento no entorno do Beira-Rio se tornará caótico em dias de jogos.

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