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Uma vida pelo tênis

26/05/2011

Clarissa Londero
clarissalondero@gmail.com

Thomaz Koch, tenista brasileiro nas décadas de 60 e 70, começou treinando aqui, no Leopoldina Juvenil. Ele teve grandes participações no circuito mundial de tênis, principalmente nas vezes em que representou as cores do Brasil na Copa Davis. A gente conversou com ele logo após a grande participação do brasileiro Thomas Bellucci no Masters 1000 de Madrid, no último dia 7. Bellucci perdeu para o atual número dois do mundo, o sérvio Novak Djokovic, mas protagonizou uma das melhores atuações de brasileiros em torneios desse porte desde a Era Guga. Com isso, Bellucci não só garantiu sua participação em Roland Garros sem ter que passar pelo qualifying (como foi em anos anteriores), como conseguiu ter seu nome entre os cabeças de chave do Grand Slam.

Thomaz Koch começou falando sobre a vantagem de se evitar um qualifying:

O qualifying de torneios de Grand Slam sempre tem um nível alto, é muito difícil. São jogadores que não são conhecidos, mas que são muito duros. E o fato de ele ser cabeça de chave faz ele pegar adversários teoricamente mais fáceis e pode ir mais longe. O Bellucci também já está mais acostumado a jogar torneios grandes, e isso faz ele ter uma possibilidade maior de ir bem. Mas é uma pedreira. Cada rodada que ele passar já é uma vitória. Também depende muito da chave que ele pegar.

Qual vai ser a maior dificuldade pro brasileiro? Os adversários, o fato de ser um Grand Slam, ou o próprio psicológico, o nervosismo?

São torneios de cinco sets, então melhor de cinco é uma coisa que mexe muito com o emocional do jogador. É completamente diferente você jogar cinco ou três sets. O tenista, hoje em dia, está pouco acostumado a jogar partidas de cinco sets, e muitas vezes ele não encontra forças pra controlar essa situação completamente diferente.

E pra esse próximo Grand Slam, Roland Garros, quem você considera favorito ao título? Rafael Nadal, Novak Djokovic, Roger Federer?

Apesar das últimas derrotas pro Djokovic, o Nadal pra mim é o favorito. Ele é um cara que joga demais, que tem uma intensidade e um foco fantásticos. Pra mim é um exemplo te atleta, e a gente pode considerar ele um dos maiores atletas do mundo, não só do tênis mas do esporte em geral. Além disso, a história dele em Paris faz ele ter um leve favoritismo em relação ao sérvio, que nunca ganhou um Grand Slam no saibro.

Mudando de assunto, qual a sua opinião sobre a aposentadoria recente do gaúcho Marcos Daniel?

O que eu acho interessante é que esses dois últimos anos foram os dois melhores anos da carreira dele, então eu acho que ele terminou por cansaço físico mesmo, por ver que seria difícil manter o bom nível que ele vinha tendo. A gente está mal acostumado, né? O Guga acostumou a gente mal, e eu vejo muito difícil de o Brasil ter outro Guga a curto prazo. Eu acho que um grande jogador como ele surge, e depois leva tempo pra voltar a acontecer.

Pois é, até se acreditava que com o Guga o tênis no Brasil receberia mais incentivos, fazendo com que o esporte crescesse e outros talentos surgissem. Mas isso não aconteceu. A que você atribui isso?

Eu atribuo a más gerências de confederações e federações.  Eu acho que elas tinham a obrigação de usar esse potencial, esse entusiasmo, essa febre, e que na verdade foi muito mal aproveitado. É uma coisa que poderia ter dado um resultado muito melhor, e não deu. O que eu falo em resultado seria programas para o tênis infanto-juvenil, lugares para treinamento e acompanhamento, e nada disso foi feito. É muito difícil essa ponte entre o tênis infanto-juvenil e o profissional, não é fácil essa fase, e se não tiver alguém experiente do lado, o tenista perde muito tempo. Então, em minha opinião, foram muito mal aproveitados os ex-tenistas brasileiros que já passaram por esse processo e que poderiam ajudar e muito os mais jovens passando informações.

E você, que teve a sua formação aqui no Juvenil, como vê o tênis gaúcho nesse momento?

Acho que a gente está mais ou menos no mesmo nível do resto do Brasil, ta sendo feito um trabalho e com bons programas, e vamos ver se isso vai dar bons resultados. O Leopoldina está com um programa de treinamento e com campeonatos juvenis, então vamos ver no que vai dar. Só o tempo dirá, porque o tênis leva um pouco mais de tempo que outros esportes pra se concretizar, então você faz um trabalho que vai dar frutos mais em longo prazo.

Uma das suas partidas mais marcantes pro tênis brasileiro foi em parceria com Edson Mandarino, contra os norte-americanos na final da Copa Davis de 1966. Em sua opinião e com a sua experiência nessa competição, a Davis tem um charme especial por ser entre países e por ser uma competição bastante diferenciada do resto do circuito?

Para mim foi o momento mais delicioso, mais incrível, que eu lembro com mais carinho foi exatamente essa rodada da Davis do Brasil contra os EUA, e a grande estrela desse confronto foi o Mandarino, que ganhou os dois jogos de simples, ganhou na raça, na resistência. E a Davis é completamente diferente dos outros torneios. O jogador que joga bem torneios às vezes joga mal a Davis. Tem outros que jogam bem a Davis e vão mal nos torneios, porque são maneiras diferentes de se preparar para os jogos e também porque na Davis o tenista representa uma equipe, e não só a si mesmo. Eu acho que a equipe tem de estar muito bem afinada pra jogar.

Já que uma das suas especialidades é o jogo de duplas, eu queria que você nos contasse como se percebe, durante a formação de um tenista, se ele vai ser melhor jogando duplas ou simples?

Hoje em dia, a ênfase que se dá é muito maior pra simples, porque o jogador de simples tem uma exposição muito maior. Então, todo o tenista que está começando prefere jogar simples, porque ele vai ser mais visto, mais lembrado. O que geralmente acontece é que o tenista geralmente começa por simples e depois é que ele descobre o prazer de jogar duplas. Ou então, se ele não tem o físico muito aprimorado, aí ele se dedica mais a duplas. Isso porque a simples é mais físico e a dupla é mais toque de bola, mais técnica.

Pra terminar: quem é melhor, Federer ou Nadal?

O Federer foi melhor antes o Nadal é melhor agora. Cada um é melhor na sua época, porque há diferença de idade entre eles. O Federer já foi considerado o melhor tenista de todos os tempos, e o Nadal talvez se torne o melhor de todos os tempos. Os dois são excepcionais, e quando se entra nessa rixa de quem foi o melhor, para mim os dois foram os melhores.

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