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Luzes e sons que escondem o principal

02/05/2011

Do mesmo modo que Pelé, Romário (E) marcou o seu milésimo gol de pênalti. Crédito: O Globo

Matheus Rosa
paireh@hotmail.com

A premissa do jornalismo de qualquer área parte da ideia central do uso comum e benefício geral da informação que é transmitida. Cabe aos veículos, e somente a eles, não entrando aqui em um debate a respeito do que é ético ou o que melhor pode servir a sociedade neste aspecto, discernir dentre os assuntos aquilo que melhor designa o interesse público.

O jornalismo, desde seus rudimentos, com a panfletagem de ideias incitando revoluções e reivindicações urgentes nas massas, mascara com este ideal tão propagado da informação de interesse público as vontades e aspirações daqueles que distribuem as ideias (notícias). O receptor comum da mensagem de jornalismo, aquele que não faz juízo de valor naquilo que lhe é ofertado como sendo de seu interesse, exercerá julgamento crítico sobre as matérias ciente da isenção do canal de televisão ou estação de rádio, e levará a pauta ao seu cotidiano, não raro envolvendo outras pessoas. Este processo se dará sempre que a mensagem for recebida, independentemente de seu valor como sendo notícia de interesse público. Não é difícil conceber a magnitude do papel dos detentores da comunicação na sociedade como incitadores do pensamento crítico.

A rotina produtiva das redações e a fabricação em massa de conteúdo impresso, por exemplo, favorecem a mecanização e comercialização dos noticiosos. As grandes empresas de comunicação igualam-se a todas as outras neste aspecto: têm contas a pagar e visam o lucro, optando sempre por um método de produção que seja mais rentável e eliminando qualquer comportamento que seja ineficaz em atingir este objetivo. A cultura contemporânea vive sob um regime de simulação, produzindo constantemente matérias sem sequer uma tentativa de encaixá-las e fundamentá-las na realidade, não a ponto de tornar a mensagem irreal, mas mais real do que aquilo que é real, pretendendo ser uma experiência mais vívida do que a dos nossos cotidianos.

Crédito: O Globo

Desta forma, o autor destaca Romário como sendo um herói quixotesco idealizado pelos grandes veículos, protagonista de uma história fantástica proporcionada com exclusividade por essa meta-realidade implantada pela comunicação. Muitas são as atitudes humanas desencadeadas por comportamentos promovidos pela mídia, ou realizadas em busca de sua projeção no brilho midiático. O cotidiano perde a naturalidade e vira uma encenação. Ao tornar o espetáculo como exemplo de produção jornalística, a mídia une a missão de informar à função de entreter, permitindo que a realidade tangencie histórias que só podem ser alcançadas no campo da ficção.

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