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As imprecisões cometidas por Falcão e Casagrande durante os jogos do Brasil na Copa do Mundo de 2002

07/04/2011

Falcão & Galvão Bueno

João Flores da Cunha
jfloresdacunha@gmail.com

Em seu trabalho de conclusão do curso de jornalismo, Gustavo Mendonça trabalhou com os comentários de Paulo Roberto Falcão e Walter Casagrande nos jogos da seleção brasileira em sua campanha vitoriosa da Copa de 2002. Para resumir, ele seleciona alguns trechos do que ouviu na televisão e faz uma análise bastante crítica do discurso dos comentaristas.

O autor demonstra conhecimento tático, o que é raro, mesmo entre jornalistas especializados no ramo. Ele explica com precisão e clareza porque as avaliações de Falcão e Casagrande sobre o esquema 3-5-2 são, por diversas vezes, equivocadas. Sua análise do posicionamento do jogador Edmílson deixa claro que ele entende do que está falando.

Galvão Bueno & Casagrande

A parte mais interessante do trabalho é a lista de contradições no discurso dos comentaristas, algo notado com frequência por quem assiste jogos na televisão e que se torna ainda mais evidente quando lemos que, aos dez minutos de partida, Casagrande afirmou que a seleção turca não sabia tocar a bola; aos vinte, elogiou a troca de passes desse time. É em momentos como esse que a monografia acaba se tornando divertida, como se estivéssemos assistindo à partida pela televisão junto com amigos.

O autor aponta deficiências claras dos comentaristas, como os insistentes pedidos para que se cruzasse a bola para a área, quando todos sabem que Ronaldo não era um bom cabeceador. Outro aspecto interessante é a dificuldade de comunicação: “(…) o comentário é confuso demais para uma situação de jogo muito simples. Existe uma grande dificuldade em transmitir o que se passa em campo para o telespectador”.

Um problema é que o autor da monografia nem sempre especifica qual comentarista foi o responsável por determinada afirmação, o que acaba colocando os dois no mesmo saco, talvez injustamente. Mas vale notar que o autor defende, em sua conclusão, a ideia de que as opiniões dos dois sempre coincidem.

Parece igualmente arriscado afirmar que “Falcão faz um comentário típico de quem entende pouco de futebol”. O Rei de Roma pode até não ser a pessoa mais indicada para nos contar pela televisão o que está acontecendo em uma determinada partida, mas não por isso deixa de entender uma enormidade de futebol.

O autor concluiu seu trabalho afirmando que os dois comentaristas não cumpriram seu papel, o de “fazer o público ver o que está por trás do esporte, ajudando-o a entender o que não pode ser compreendido à primeira vista por uma pessoa que não é do meio”, conforme havia definido. Cabe mencionar que ele considera que essa situação foi potencializada pelo monopólio da Globo, único canal de TV aberta a transmitir os jogos da Copa de 2002.

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