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Bad Boys

26/03/2011

Carlos Alberto imita Kidiaba e provoca colorados. Crédito: AFP

Paulo Finatto Jr.
paulofinattojr@hotmail.com

As polêmicas que surgem do lado de fora dos gramados não representam necessariamente uma novidade para o dia a dia do futebol. O grande histórico de brigas e discussões, que costuma atingir quase sempre jogadores e dirigentes, atravessa os anos e os mais diversos campeonatos nacionais e internacionais. De certo modo, a imprensa sempre esteve presente no meio de campo dessas histórias.

Não há dúvidas de que muitas coisas mudaram na era da pós-modernidade. Inclusive no futebol.  A internet, que revolucionou o modo como as pessoas se comunicam, vem estreitando cada vez mais as relações entre jornalistas e fontes. Não é apenas isso. O público, que antes acompanhava de longe as polêmicas do futebol, passou a interferir no cotidiano do esporte. Os exemplos recentes, sobretudo os que envolvem o atleta gremista Carlos Alberto, confirmam essa teria. De meros espectadores no passado, os torcedores passaram a ser atores na pauta quase que diária do jornalismo esportivo.

Seguindo a gente do imortal será que eles estão tão carente de ídolos assim,precisam ficar nos perseguindo.Fazer o que incomodamos eles!!, Carlos Alberto pelo Twitter

A fama de bad boy (garoto problema – em uma tradução livre) acompanha Carlos Alberto desde o seu surgimento no futebol carioca, em 2003. Porém, a continuidade da sua passagem mais recente pelo Vasco se tornou insustentável após declarações e desentendimentos com dirigentes e treinadores do clube, no início desse ano. No Grêmio não vem sendo diferente. No entanto, os conflitos reapareceram em uma nova instância. Embora ainda não tenha mostrado o seu melhor futebol, o meio-campista vem estampando as manchetes por aquilo que fala em sua página no Twitter.

Imortais da geral d todo azul possível porque vermelho é o inferno nos estamos acima disso!quer eu mande 1 foda-se agora ou mande embrulhar!, Carlos Alberto pelo Twitter

A ironia de Leandro Damião. Crédito: Nabor Goulart/Agência Freelancer

Por mais que tenha sido definida como uma inocente brincadeira, a referência que Leandro Damião fez a uma suposta “injustiça” cometida pelo árbitro na final do primeiro turno do Campeonato Gaúcho não caiu bem. A comemoração de um dos seus três gols contra o Caxias se provou desnecessária no fim de semana seguinte. A avalanche de críticas e de comentários agressivos inundou as redes sociais no mesmo momento em que o atacante colorado levantava as duas mãos no estádio Centenário. Em Porto Alegre, Carlos Alberto excedeu os limites do tolerável, sobretudo pelo o que a sua imagem representa para o esporte nacional. Ele não mediu as suas palavras e dimensionou como uma verdadeira guerra um provável confronto entre vermelhos e azuis. A imprensa não estava presente para mediar. A mensagem de ódio se espalhou para além dos quase quarenta mil fãs e interessados pelo atleta.

Um imortal nunca desiste to cagando pra esses merdas do caralho !! Rumo ao tri e nos vamos vencer não adianta esses invejosos falarem!, Carlos Alberto pelo Twitter

A história, que repercutiu negativamente entre os jornalistas especializados, certamente esquentou a relação, aparentemente tranquila nesse início de temporada, entre as duas torcidas. O bad boy gremista não mostrou arrependimento e ainda se mostra irredutível na sua página de relacionamento, mesmo com a polêmica do seu discurso. A briga com a torcida rival é diariamente acompanhada por gremistas e colorados, que se dividem em um misto de desconforto e de agressividade. A consequência que une ameaças e provocações é óbvia. O jogador, que deveria evitar o seu envolvimento com aquilo que acontece fora das quatro linhas do gramado, vem sujando a cada dia um pouco da sua imagem pública. Em paralelo, o caso que envolveu três jogadores dos Santos e uma centena de torcedores do clube, no meio do ano passado, comprova o desgaste que a internet pode proporcionar à carreira profissional de qualquer atleta.

Em 2003, um desgaste parecido envolveu o ex-técnico gremista Tite e a direção do clube. O caso “ovelhinhas” é até hoje lembrado e apontado como o ponto que determinou o fim da relação amistosa entre o treinador e boa parte do clube – inclusive a sua torcida. Da mesma forma, as declarações de Carlos Alberto se mostram extremamente inapropriadas para a existência de um bom ambiente de trabalho. Não adianta os jogadores vestirem a camiseta “paz nos estádios” enquanto que incitam, mesmo que involuntariamente, o sentimento de ódio em uma relação direta com o torcedor. Na internet, o jornalismo não consegue mediar esse conflito. Os bad boys – imortalizados com o rap criado por Romário e Edmundo quando atuaram em 1995 pelo rubro-negro carioca – que se cuidem.

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One Comment leave one →
  1. ensta permalink
    26/03/2011 16:06

    Carlos Alberto parece tentar, com seus chiliques, tornar-se ídolo dos gremistas. Como nada apresenta em campo, busca provocar os colorados pra ver se ganha a simpatia dos tricolores.

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