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É possível evitar o colapso nos transportes?

16/12/2010

Luiz Eduardo Kochhann
luiz.kochhann@hotmail.com

Basta passar um final de tarde nas ruas de Porto Alegre para perceber a gravidade da situação dos sistemas de transportes que atendem a cidade. Com medo do caos que atinge grandes centros como São Paulo e preocupada com possíveis problemas no sistema aéreo durante a Copa do Mundo de 2014, a Capital trabalha em alternativas para fortalecer sua capacidade de receber e transportar com qualidade moradores e os turistas que devem desembarcar por aqui nos próximos quatro anos. Os investimentos se concentram nas reformas do Aeroporto Salgado Filho, na possível construção da Linha 2 do metrô, na reforma de ruas e avenidas e na reorganização das linhas de ônibus.

Os transportes coletivos e as vias urbanas

Estudo realizado em conjunto por EPTC, Metroplan e Trensurb faz projeções sobre o crescimento da frota de veículos e aponta propostas para evitar o agravamento das condições de trânsito em 13 munícipios da Região Metropolitana. Segundo o chamado Plano Integrado de Transporte e Mobilidade Urbana (PITMurb), no período de 2003 a 2033, a frota de veículos de Porto Alegre deve aumentar 122%. Se o transporte urbano já preocupa moradores e autoridades, os dados provam que a situação é alarmante. A conclusão a que o estudo chega é de que a construção de um metrô subterrâneo na Capital é essencial para evitar o colapso. Após avaliar custos, capacidade e impactos ambientais, o trabalho propõe um metrô com linha circular de 37,4 quilômetros e capacidade o suficiente para transportar de 20 a 40 mil passageiros por hora. A proposta é interligar o metrô a uma rede ampliada de 55 quilômetros de corredores de ônibus em Porto Alegre, além de 27 quilômetros em munícipios vizinhos.

“Estamos estudando que modelo o projeto deverá ter para ser sustentável, mas já está decidido que terá dinheiro da União, da prefeitura e de uma empresa escolhida para solicitação”, explica o prefeito José Fortunati.

As obras, porém, esbarram no alto custo: somente a linha subterrânea envolve valores próximos aos US$ 100 milhões por quilômetro. A prefeitura continua buscando recursos para construção de uma primeira linha de 12 quilômetros no eixo Farrapos-Assis Brasil. “Estamos estudando que modelo o projeto deverá ter para ser sustentável, mas já está decidido que terá dinheiro da União, da prefeitura e de uma empresa escolhida para solicitação”, explica o prefeito José Fortunati em entrevista ao jornal Zero Hora. Na esfera federal, a presidente eleita Dilma Rousseff prometeu durante a campanha a construção do metrô para o Rio Grande do Sul. No inicio do mês de dezembro, o governo federal assinou os termos de cooperação federativa selecionada pelas prefeituras e governos estaduais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), destinando R$ 1 bilhão para o Estado. O metrô encontra-se entre as prioridades. Por enquanto, nada fora dos papéis.

Para o transporte coletivo urbano, está prevista a implantação e ampliação de corredores com faixa exclusiva para ônibus em oito eixos viários da Capital. Também são estudadas intervenções em um conjunto de 93 quilômetros de ruas e avenidas, como Assis Brasil, Protásio Alves, Manuel Elias e Wenceslau Escobar. A duplicação da avenida Beira-Rio está em andamento. A bancada gaúcha no Congresso já incluiu obras de infraestrutura viária no entorno da Arena do Grêmio, que deve servir como campo de treino, entre as vinte emendas coletivas a que tem direito no orçamento federal para 2011, garantindo recursos para as modificações necessárias na área.

O Caos Aéreo

O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do Comitê Organizador Local (LOC) da Copa, Ricardo Teixeira, já avisou que sua maior preocupação em relação ao Mundial são os aeroportos. A África do Sul enfrentou problemas em 2010, e o Brasil vai precisar trabalhar muito para que aeroportos deficientes não atrapalhem a locomoção entre as sedes, ainda mais em um país com dimensões continentais. Para 2014, a Fifa já anunciou que deve concentrar os grupos de seleções em quatro regiões do país, evitando voos com mais de duas horas de duração.

Porto Alegre tem o pior check-in (203% de utilização) e a pior restituição de bagagens (350% de utilização) entre 18 terminais analisados.

O Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, funciona desde 2007 acima da sua capacidade de 4 milhões de passageiros por ano. Entre os maiores aeroportos do Brasil, é o mais estrangulado: no ano passado, recebeu 1,6 milhão de pessoas além do limite. A projeção é que feche 2010 com 6,2 milhões de passageiros, ou seja, 50% acima da capacidade. Além disso, estudo publicado neste ano pela consultoria McKinsey por encomenda do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) revelou que, nas horas de pico, Porto Alegre tem o pior check-in (203% de utilização) e a pior restituição de bagagens (350% de utilização) entre 18 terminais analisados.

Para evitar o colapso, a Infraero, estatal responsável pelos aeroportos localizados nas 12 cidades-sedes, promete investir R$ 6,48 bilhões em modernização nos próximos quatro anos. Por enquanto, a ampliação da Terminal 1 do Salgado Filho não aconteceu. Ao contrário, as apostas são em soluções de urgência. A reativação do Terminal 2, que começou a ser utilizado no início de dezembro, e a construção do chamado Módulo Operacional Provisório, que deverá ampliar em 40% a capacidade instalada de passageiros e que deve ficar pronto na metade do próximo ano. Segundo o superintendente do Aeroporto Salgado Filho, Jorge Herdina, com essas medidas, a capacidade do aeroporto deve dobrar até julho, elevando-a para 8 milhões de passageiros por ano. Em 2011, conforme as projeções, 7,3 milhões de viajantes vão usar o Salgado Filho. Portanto, se a promessa for cumprida, o aeroporto funcionaria no azul no segundo semestre. Vale conferir.

Também está prevista a obra de ampliação da pista, que deve passar de 2,28 mil metros para 3,2 mil metros de extensão, permitindo pousos e decolagens de aviões maiores. Os 920 metros adicionais de pista, cujo custo é estimado em R$ 130 milhões, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), está em fase inicial e ocupará o espaço da Avenida Dique — onde casas estão sendo removidas há um ano — e da Vila Nazareth. “O Salgado Filho é compatível com as demandas do mercado, pois está localizado estrategicamente, com acesso facilitado pelas BRs 116 e 290, além da Freway”, afirma Herdina. Ele ainda lembra que com as mudanças o aeroporto terá vida útil ampliada por mais 30 anos.

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