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Copa será um catalisador para a segurança em Porto Alegre

16/12/2010

Coronel Moura dos Santos prevê um aumento significativo no contingente policial

Samir El Hawat
samirhawat@yahoo.com.br

A principal pergunta que se faz sobre as obras da Copa do Mundo de 2014 é: qual o legado que ficará para a cidade? E essa questão não poderia ser diferente para a segurança pública. Os dados, no comparativo com outras capitais, são estarrecedores. A cidade consta entre as dez mais violentas nos seguintes crimes: estupros, latrocínio, roubo de veículos e mortes no trânsito.

Tendo em mãos esses números, fomos conversar com o coronel Marco Antônio Moura dos Santos, diretor do Departamento de Gestão da Estratégia Operacional (DGEO) e coordenador do Grupo de Trabalho da Copa 2014, para saber o que será feito para melhorar a segurança em Porto Alegre.

A capital é uma das cidades com maior índice de roubo e furto de veículos. Em média, segundo o coronel, 2 mil carros e motos são levados para revenda e desmonte. Mas o dado que mais preocupa são os homicídios e latrocínios (roubo seguido de morte): são 1,7 crimes de latrocínio para cada 100 mil habitantes. Já para os homicídios, são 10,6 para cada 100 mil habitantes. Com a Copa, a tendência natural é um aumento nesse índice, já que haverá mais pessoas e dinheiro circulando. Para conter esse crescimento, Moura dos Santos prevê um aumento significativo no contingente policial e nos equipamentos.

Novos equipamentos

Aliás, ressalta o Coronel, o contingente já está passando por um aumento. Atualmente, a Polícia Militar conta com pouco mais de 27 mil policiais. Estima-se que o efetivo esteja com um déficit de 3 mil servidores. “A atual governadora [Yeda Crusius] já autorizou abertura de concurso público para preenchimento de mais 2 mil servidores”, ressalta Moura dos Santos.

Um dos problemas que é levantado pelo coronel e que não é algo do cotidiano da cidade é o terrorismo. Nos grandes eventos, diz ele, “sempre deve ser dada uma atenção especial a esse tipo de crime”. Para tanto, a polícia investirá em inteligência e tecnologia, através do sistema de georreferenciamento. Ele consiste num banco de dados que alimenta um mapa online sobre locais onde mais acontecem crimes. Além disso, haverá a instalação de mais câmeras e novos sistemas de comunicação, como computadores nas viaturas e o videomonitoramento móvel, com aviões não-tripulados.

No Brasil, a segurança dentro e fora dos estádios é feita por policiais em parceria com os clubes. No entanto, a FIFA recomenda que a segurança interna seja feita por empresas privadas. Porém, existe uma vontade por parte do comando policial do Estado, que o atual sistema se mantenha, com a PM atuando em conjunto com a segurança privada. A grande questão, ainda indefinida, é que não seria permitido para a PM atuar com armamento de fogo dentro dos estádios, sendo permitido apenas o uso da pistola Taser, que lança dardos energizados, paralisando a pessoa que está fazendo tumulto.

Policiais em treinamento

No que se refere as línguas, existe, por parte da Secretaria da Copa, projeto de treinar e preparar mais de 9 mil servidores que atuarão no evento. As primeiras turmas contaram com aulas de inglês e espanhol, havendo a promessa de, mais a frente, colocar outras línguas. Os cursos são gratuitos e os policiais são incentivados a fazê-los. “Os policiais têm interesse em fazer, por ser gratuito, e pela necessidade cada vez maior de se falar mais de uma língua”, comentou.

Outro ponto levantado foi do uso excessivo da força por parte dos policiais em acontecimentos de grande porte. “A polícia tem seu padrão de atuação, que não é através da violência. Nem com torcedores estrangeiros, nem com os locais. Eventuais excessos serão punidos pela instituição.”

Sobre o receio de ter problemas com os torcedores argentinos e ingleses, conhecidos pela violência, o coronel explica que a polícia estará preparada para lidar com todos tipos de problemas, mas não acredita que os baderneiros cheguem no Brasil. “Na África do Sul, não vimos nada. Sinal de que esses bagunceiros não chegam até o país da Copa”.

Questionado sobre o legado que o evento pode deixar para o país, Moura dos Santos faz questão de frisar que a segurança não será feita unicamente para o evento, mas sim “os recursos aparecerão, e por consequência, os investimentos necessários poderão ser feitos nesse momento, mas serão feitos para a cidade”.

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