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Cronômetro acionado para as Olimpíadas de 2016

29/11/2010

Bárbara Gallo
babi_wg@hotmail.com

Enfim, a cidade do Rio de Janeiro conseguiu conquistar o direito de sediar os Jogos Olímpicos de 2016. A vitória veio com certo sofrimento, já que os concorrentes eram fortes: a cultural Madri, a eficiente Tóquio e a cosmopolita Chicago. O resultado foi obtido na terceira rodada, quando restavam apenas o Rio e Madri: 66 votos aos cariocas contra 32 aos madrilenos. Anunciado pelo presidente do Comitê Olímpico Internacional, Jacques Rogge, o desfecho premia uma candidatura madura e comprometida, e coroa com reconhecimento o esforço de uma nação que atingiu a estabilidade econômica e política.


Começou para os brasileiros, no dia 4 de outubro de 2009, o ano de 2016. A entrada se deu em uma disputa avaliada em 500 milhões de reais, total investido pelas quatro cidades candidatas; desta forma, vê-se que o jogo que decide o destino da sede das Olimpíadas de 2016 ainda não deixou de ser gratuito. O vale-tudo pelo voto dos eleitores do COI fez desfilarem celebridades de todos os tipos em Copenhague, desde políticos influentes até personalidades internacionais. O presidente Lula, contando com o apoio de Paulo Coelho e Pelé, utilizou-se da paráfrase “Sim, nós podemos”, de Obama, como uma de suas estratégias na reta final. Vencer essa disputa, não implicava, somente, em uma questão de prestígio; vide exemplo ocorrido com a candidatura dos norte-americanos.

O diferencial brasileiro estava na força de um projeto consistente. A articulação estabelecida entre Lula, o governador e o prefeito do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral e Eduardo Paes, e o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Eduardo Nuzman, mostrou que o evento não é meramente uma competição entre atletas, e sim um espetáculo capaz de alavancar economias e modificar cidades.

A cidade do Rio iria receber nos próximos anos 15,8 bilhões de reais em recursos municipais, estaduais e federais, além de parcerias com a iniciativa privada, em razão da Copa de 2014 e do planejamento estratégico do governo do estado e da prefeitura. Entretanto, os Jogos Olímpicos trarão 7,4 bilhões de reais a mais para o município, totalizando um investimento de 23,2 bilhões de reais até 2016. As principais intervenções estão previstas para as áreas de transporte público, acesso e urbanismo. No que diz respeito à questão ambiental, a despoluição da Lagoa Rodrigo de Freitas, da Baía de Guanabara e das lagoas de Jacarepaguá, juntamente com a melhoria da infraestrutura das cinco maiores favelas cariocas e a revitalização da zona portuária – onde será criada uma área de lazer, habitação e negócios, inspirada na capital argentina e em Barcelona – custará aos cofres cerca de 5,2 bilhões de reais.

As reformas nos aeroportos Santos Dumont e Tom Jobim vão privilegiar a ampliação da capacidade de passageiros por hora, e a construção do Arco Metropolitano pretende desafogar o trânsito nos acessos à cidade. Via de regra, geralmente o que mais preocupa os organizadores de megaeventos como este é o deslocamento dos pedestres dentro da cidade, e no caso do Rio não é diferente. A expansão do metrô nos bairros da Zona Sul e a aquisição de trens integram um projeto que também objetiva construir as linhas BRT (Bus Rapid Transit), que farão a ligação da Barra da Tijuca à Zona Oeste e à Zona Norte fluminense: um investimento de aproximadamente 4,5 bilhões de reais. Do conjunto de obras, mais da metade já estava nas pranchetas dos governos federal, estadual e municipal. Algumas delas virão antes, para a realização da Copa do Mundo de 2014, como a reforma do Aeroporto Internacional Tom Jobim e do Maracanã. Outras estavam na lista de prioridades dos governos municipal e estadual, mas ajudaram a compor o pacote do “esforço olímpico”.

O Rio de Janeiro abraçou essa oportunidade com um projeto competente; um dos melhores exemplos é como tirou proveito da paisagem: seus cartões-postais são estruturas esportivas naturais. Essa economia nas instalações esportivas permitiu que a maior parte da despesa se voltasse para os investimentos em infraestrutura, a principal desvantagem do Rio em relação às concorrentes.

A vitória em Copenhague traduz o desejo de recuperação do Rio de Janeiro – que agora é tarefa nacional – em um país que pretende continuar a crescer e a ganhar importância no cenário mundial. É esse o espírito da candidatura vencedora. Todo esse esforço tem uma recompensa. No mundo simbólico dos Jogos Olímpicos, persiste a idéia de que o evento é um bem em si para o lugar que o sedia. Todas as exigências feitas pela organização têm o objetivo de deixar um legado de desenvolvimento à cidade. Uma comparação ajuda a entender o tamanho da empreitada. Os monumentais Jogos de Pequim tiveram 4500 atletas a menos e a metade do número de turistas. Desembarcarão no Rio 1 milhão de turistas e 15000 atletas, e os Jogos, pela casualidade do fuso horário, terão mais telespectadores. A pergunta que se deve fazer é: a prova será concluída, tratando-se de uma cidade que fracassa há anos em resolver seus próprios problemas? As Olimpíadas são o exemplo da superação humana. Durante os dezesseis dias de realização dos Jogos, as cidades têm de estar limpas e seus habitantes precisam se engajar na tarefa de dar aos atletas conforto e hospitalidade. Por isso, a escolha da cidade-sede é cercada de tanto zelo.
O bairro de Copacabana será preparado para abrigar competições no asfalto, na areia e no mar. Com um investimento total de cerca de 36,5 milhões de reais, a construção de um novo píer na área do Forte e de um estádio de vôlei de praia temporário. A vantagem do projeto está no custo, pois o estádio construído na praia dispensa transporte de areia e rede de drenagem.

O Aterro do Flamengo e a Marina da Glória cederão seus espaços à maratona, ciclismo e marcha atlética e às provas de vela. Além da vista para o Pão de Açúcar, a área do parque terá 1,5 milhão de metros quadrados e a revitalização da marina, a qual também se localizará uma distância de apenas 42 quilômetros da futura Vila Olímpica. A reforma do estádio de remo custará 4,5 milhões de reais, sendo o canal artificial previsto no projeto de Tóquio para as competições náuticas 120 vezes mais caro que o orçamento brasileiro. E isto tudo na Lagoa Rodrigo de Freitas.


Contudo, a área que receberá maiores investimentos será a da Barra da Tijuca, encarregada de hospedar os atletas na Vila Olímpica, de receber os jornalistas no Centro de Imprensa e de apresentar as melhores seleções de vôlei do mundo, entre outras instalações. Só a edificação do Estádio Aquático Olímpico, localizado no complexo do Parque Olímpico do Rio, prevê 75 milhões de reais; entretanto, além da natação e do nado sincronizado, o local abrigará salas de pesquisa e administração após o término dos jogos.

Organizar uma Olimpíada, a primeira na América do Sul, é uma empreitada grandiosa. Em muitos aspectos, o Rio de Janeiro voltou a ser a capital do Brasil e o centro das atenções internacionais, não mais pela violência nem apenas por suas belezas naturais.

Links interessantes:

http://www.rio.rj.gov.br/web/serio/exibeconteudo?article-id=105870 (SERIO – Secretaria Especial Copa 2014 e Rio 2016)

http://oglobo.globo.com/rio/rio2016/mat/2009/10/11/rio-2016-numero-de-voluntarios-cadastrados-triplicou-apos-escolha-do-rio-para-sediar-as-olimpiadas-768013295.asp (reportagem sobre voluntariado)

http://www.vilaboadegoias.com.br/olimpiadas/olimpiadas-do-rio-de-janeiro-2016-noticias-resultados-fotos-informacoes-competicoes-recordes-mundiais-melhores-atletas-projetos-paises.htm (informações olímpicas)

http://www.cidadedoslogos.com/news/index.php/2008/06/05/disputa-de-logos-olimpicos-2016 (logotipos das cidades candidatas)

http://www.rio2016.org.br/pt/Galeria/Imagens/Default.aspx (imagens do projeto)

http://www.rio2016.org.br/pt/Rio2016/Organograma.aspx (membros da equipe de organização do projeto Rio 2016 – organograma)

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