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Jornalismo esportivo, antigas novidades

02/10/2010

Neymar vs. Dorival Jr. Foto: R7

Thiago Tieze
ttieze@gmail.com

Futebol. A sublimação da violência e o tradicional embate. Num canto do ringue, Dorival Silvestre Júnior, agora ex-técnico do Santos, time que comandou desde o final do ano passado e pelo qual conquistou o Paulista e a Copa do Brasil deste ano. Noutro canto, Neymar da Silva Santos Júnior, jogador de alta classe do time santista. Estreou no time profissional em março de 2009. Aos dezoito anos de idade, desfilando sua arte, sagrou-se campeão sob a batuta de Dorival. Jogador como alguns já foram e poucos o são. Leve, veloz e astuto, pratica um futebol de fino trato.

Ambos, Dorival e Neymar, são promessas. Um como técnico, outro como jogador. Em conjunto com Ganso, André e Marquinhos, trabalharam numa simbiose quase perfeita. O que disputaram, conquistaram. Vergaram adversários e a mesmice do futebol em escala industrial produzida no Brasil. Festejados pela mídia nacional no início do ano, hoje são contestados.

Fatos: Neymar xingou Dorival e Edu Dracena, capitão da equipe. Foi multado em 30% do salário, não jogou no empate com o Guarani, dia 18, e não foi relacionado por Dorival para o jogo contra o Corinthians, dia 22. A diretoria entendeu exagerada a postura do técnico e o demitiu, afinal, o que significa a palavra disciplina frente a maior prome$$a do Santos desde Robinho.

Mas, e daí? A imprensa é, por acaso, um paladino da justiça? Seria ela a mantenedora da moral e dos bons costumes? Ou esse seria um sintoma da incapacidade do jornalismo esportivo colher boas pautas e, talvez, sentir-se mais digno? O Peixe é um clube, decide por si o que bem entende fazer com os seus. O garoto não foi convocado por Mano. E daí? Que importa a querela entre Dorival e Neymar?

Importa como retrato fiel do jornalismo esportivo amplamente praticado no país. Esse tipo de acontecimento transforma as páginas de esportes (leia-se futebol) numa mini revista de fofocas. Dois personagens, mocinho e bandido. Contraposições desnecessárias enquanto o esporte sucumbe a mandos e desmandos de cartolas irresponsáveis. CBF/FIFA mudam de opinião conforme sentem o cheiro do dinheiro e todos acham normal construir um estádio novo para o Corinthians.

A imprensa teima em transformar um desentendimento comum entre profissionais em grande acontecimento, e um grande desastre ao erário público em acontecimento comum.

A propósito, Neymar jogará pelo Santos e Dorival comandará o Atlético-MG. No dia 7 de novembro, o Atlético-MG receberá o Santos na Arena do Jacaré pela 34ª rodada. A vida segue, mas a imprensa noticiará Dorival versus Neymar. Antiga novidade.

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