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A máfia dos gramados

26/09/2010

A máfia invadiu os campos do futebol: seria Blatter um novo Don Corleone? Fotos: sem crédito

Rafael Gloria
rafaelglloria@gmail.com

Dom Corleone, aquele famoso personagem mafioso dos filmes de Francis Coppola, atualmente seria o presidente da entidade mais forte no mundo do futebol: a FIFA. A denúncia vem da reportagem intitulada “A ficha deles não é limpa” do jornalista Paolo Manzo publicada na revista Carta Capital de junho. Lá, é traçada uma comparação muito interessante entre a entidade mais poderosa do futebol e a máfia.  A similaridade é forte: nos dois casos sempre há um líder respeitado, o compromisso de usar sistemas ilícitos para produzir dinheiro e uma forte proteção. Dom Corleone seria Sepp Blatter, obviamente, que mantém todo o glamour da máfia italiana – talvez até maior uma vez que quantidade de dinheiro que o futebol arrecada é exuberante.

Segundo a matéria, em 2009 a FIFA teria superado pela primeira vez a entrada de um bilhão de dólares, um recorde absoluto celebrado por Blatter & Cia. como o fruto de uma administração “impecável” e “clarividente”. Os lucros também foram recordes chegando a 169 milhões de euros. Esse negócio baseia-se quase que exclusivamente em dois itens do balanço: no fato de os patrocinadores gastarem quantias milionárias para ver associado seu logotipo aos eventos da Fifa, e também o direito a exibição na televisão.  Apesar das afirmações do chefão Blatter, há muitas vozes que contestam essa sua visão limpa de sua administração.

Entre elas, está o repórter britânico, Andrew Jennings, que escreveu o livro “Foul! The Secret World of FIFA: Bribes. Vote-rigging and Ticket Scandals” (em livre tradução: “Falta! O Mundo secreto da FIFA: Subornos, Compra de Votos e Escândalos com Ingressos”) publicado em 2006. Suas denúncias são sérias e embasadas em documentos recolhidos por ele ao longo dos anos. A principal evidência talvez seja a controvertida falência da ISL em 2001. As acusações da Justiça suíça em relação à FIFA eram de corrupção por meio de propinas milionárias destinadas a altos dirigentes do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da própria Federação. Blatter foi chamado para testemunhar e para pagar boa parte das despesas processuais, e a sentença do tribunal de Zug afirmou textualmente que os altos dirigentes da FIFA sabiam mais do que disseram aos investigadores e que seu comportamento não foi sempre em boa-fé.

É claro que eles não foram condenados. Pela legislação suíça da época, era possível que pagassem até 138 milhões de francos, o que também não ocorreu. Segundo Jennings, que assistiu por inteiro àqueles processos, as provas de corrupção dos dirigentes da FIFA, entre os quais Havelange e Teixeira por intermédio da ISL nos anos 90, são inequívocas. Depois da falência da ISL, os negócios ligados a copa do mundo foram assumidos por outra misteriosa operação confiada à sociedade Match Hospitality AG, com domicílio em Zug, na Suíça, ironicamente. A empresa conta entre seus acionistas com a Infront Sports & Media AG que tem como diretor-geral Philippe Blatter, o neto de Sepp.

No Brasil, mais especificamente, também temos muitos casos de fraude e talvez o mais emblemático seja o da máfia do apito de 2005. Um grupo de investidores havia “negociado” com o árbitro Edílson Pereira de Carvalho (integrante do quadro da FIFA), para garantir resultados em que haviam apostado em sites. Descobriu-se a participação de um segundo árbitro no esquema, Paulo José Danelon. Ambos, Paulo José e Edílson, foram banidos do futebol e, depois, denunciados pelo Ministério Público por estelionato, formação de quadrilha e falsidade ideológica. A ação penal foi suspensa em 2007 por ordem do desembargador Fernando Miranda, do Tribunal de Justiça de São Paulo. Em agosto de 2009, o mesmo desembargador e outros dois colegas determinaram o “trancamento” da ação penal, entendendo que os fatos apurados não traduziam crime de estelionato. A decisão encerrou, assim, na área criminal, a investigação sobre a quadrilha. Existe uma ação civil proposta pelo Ministério Público, na área do consumidor, com tramitação em uma vara cível de São Paulo, ainda sem julgamento definido.

Não é a toa que o futebol é um dos esportes mais populares do mundo, responsável por suscitar verdadeiras emoções e paixões nos indivíduos. Se nem todas as essas acusações de corrupção conseguem tirar a espécie de magia que há em ver uma partida de futebol é porque ainda há pessoas coerentes por trás dessa indústria. O que se deve fazer é continuar perseguindo os cartolas corruptos e todos os que atrapalham a evolução e o rendimento desse esporte.

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