Skip to content

A política (não) inserida no esporte

23/09/2010

César Cielo – sem incentivos no Brasil, o nadador treina em parques aquáticos de universidades americanas. Foto: sem crédito

Rafael Gonçalves
raffa1387@hotmail.com

No artigo “Os esportes da política”, de José Cruz, inserido no livro Formação e informação esportiva, de Sérgio Villas Boas, o autor aborda os motivos por quais o Brasil não foi campeão em diversas modalidades olímpicas. Dentre eles, Cruz destaca a falta de políticas públicas em relação aos esportes olímpicos em vários governos, muito em razão da política partidária que tem se alternado no país ao longo de 25 anos, dificultando o desenvolvimento de diversos esportes no país.

Um outro fator abordado é que, em algumas escolas, não há a disciplina de Educação Física, obrigatória pela Lei de Diretrizes e Bases, prejudicando o rendimento dos alunos e dificultando o hábito de praticar esportes se tornar freqüente e prazeroso. Devido a essas questões citadas, os investimentos não são feitos no desporto pela visão imediatista que os nossos governantes possuem, seja desse ou daquele partido, pois, para eles, vale muito mais a pena fazer obras gigantescas por todos os cantos do Brasil – e que em muitas vezes acabam superfaturadas – ao invés de colocar recursos nas escolas para formarmos futuros campeões.

Por isso, vivemos de ídolos e campeões que alcançam a glória muito mais por seus esforços individuais do que por meio da colaboração de incentivos público-privados. César Cielo, campeão mundial de natação, é o atual recordista das duas provas em que participa e baseia seus treinamentos quase que completamente nas universidades americanas, possuidoras de uma estrutura de treinamento melhor em comparação com os parques aquáticos brasileiros. Cielo, agora, tem vindo ao país especialmente para participar competindo pelo Flamengo, numa estratégia de marketing da presidente rubro-negra Patrícia Amorim, que tem origem justamente na natação.

Outro campeão surgido dos esforços individuais foi Guga, no tênis, que ao lado de seu consagrado técnico Larri Passos, conquistou três vezes Roland Garros e tornou-se número um do mundo por quase dez meses, jogando sempre com muita garra e alta técnica. Ele mais tarde foi patrocinado pelo banco estatal brasileiro e até hoje faz comerciais para a instituição.

Por fim, um último aspecto interessante é o fato de que dois esportes coletivos no Brasil, handebol e vôlei, receberam incentivo de suas confederações nacionais ao final da década de setenta, mas tiveram destinos diferentes. O voleibol – esporte popular nas escolas e incentivado também pelas transmissões de competições na década de oitenta – começou a colher resultados com a prata olímpica de 1984 e mais tarde com o ouro de 1992, sendo essas conquistas a base para o domínio brasileiro em todas as categorias adultas, juvenis e no vôlei de praia. Já o handebol, esporte bastante praticado nas escolas brasileiras, não teve o mesmo sucesso de Tande, Giba e Cia., mesmo que os nossos jogadores se destaquem no cenário internacional sem o mesmo apelo popular.

Anúncios
No comments yet

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: