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O que foi bom e ruim na África do Sul

16/07/2010

Soccer City, em Joanesburgo. Foto: Telegraph/UK

Rodrigo Oliveira
digao003@hotmail.com

João da Silva tem 25 anos. Ele estava na África do Sul acompanhando a Copa do Mundo 2010 e assistiu à final entre Espanha e Holanda. Às 15h do dia 11 de julho, ele deixou o centro de Joanesburgo, à bordo de um carro alugado, rumo ao estádio Soccer City. Pegou uma highway livre e chegou rápido. No estádio, foi revistado de forma minuciosa. Ao cruzar o portão de acesso, em quinze segundos, estava na cadeira correspondente ao seu bilhete. A Espanha foi campeã. Ao final do jogo, João estava com fome e foi atrás de um restaurante para jantar. Não encontrou. Estava tudo fechado.

A história acima é fictícia, mas ilustra com precisão o que aconteceu com as centenas de milhares de turistas que viajaram à África do Sul para assistir à Copa do Mundo 2010. Por um lado, o país cumpriu o seu papel. A infra-estrutura adequada, a eficiente segurança pública e os belos estádios encheram os olhos de todos e servem de modelo para o Brasil. Por outro, o transporte público era ridículo e a cultura sul-africana de fechar o comércio antes do fim da tarde, dormir cedo e descansar após o expediente comercial decepcionaram o turista acostumado com a cultura brasileira.

A infra-estrutura sul-africana foi eficiente. A cidade de Joanesburgo, a maior do país e principal da Copa, é cheia de highways. Do aeroporto para o centro, se usa uma via expressa. No caminho do centro para o estádio Soccer City, são duas auto-estradas estilo freeway. Isso significa a ausência de semáforos e um trânsito que flui. Claro, na hora do rush, o trânsito tranca. Mas isso ocorre apenas em torno de 17h e de 18h e o congestionamento nem se compara ao de São Paulo, por exemplo.

A segurança pública cumpriu o seu papel. O policiamento foi ostensivo em todas as cidades do Mundial. Na véspera do jogo Brasil e Portugal, em Durban, uma cena chamou atenção. Na orla da bela e movimentada praia da cidade, havia mais policiais do que turistas. Nos estádios, todos eram revistados de forma minuciosa, com o auxílio de um detector de metais. Assaltos ocorreram, é verdade, mas na mesma proporção do que em qualquer país do porte da África do Sul. Os sul-africanos questionavam-se: será que ao final da Copa o policiamento seguiria o mesmo?

Moses Mabida, em Durban. Foto Rugby-Talk.com

Os estádios sul-africanos são maravilhosos. Uniram beleza e funcionalidade com maestria. O Soccer City, em Joanesburgo, é gigante, bonito e permite que o trajeto entre o portão de acesso e a cadeira do anel inferior seja feito em quinze segundos. Isso significa praticidade no acesso e na saída. O Moses Mabida, em Durban, é próximo ao litoral. Milhares de espectadores foram ao estádio a pé, contornando a orla. Sem falar que era um dos mais bonitos do Mundial.

As notas negativas ficam por conta da cultura sul-africana de dormir cedo. Às 22h era difícil de encontrar um restaurante aberto. Às 23h, isso era impossível. Os shoppings e supermercados fechavam às 18h. O comércio geral, às 17h. Bebidas, comidas e mercadorias tinham que ser adquiridas cedo.

Além disso, o transporte público sul-africano é ridículo. Ônibus coletivos inexistem. Há algumas vans regularizadas. Pegar a van é simples. Saber o trajeto que cada uma fará é praticamente impossível. Os táxis são escassos e caríssimos. Do centro de Joanesburgo até o estádio Soccer City, a distância é de cerca de vinte quilômetros. Um taxista cobrava cerca de R$ 90 por esse trajeto.

Enfim, a Copa do Mundo 2010 teve prós e contras, assim como será o Brasil em 2014. O desafio brasileiro é fazer com que os pontos fortes sejam maiores que os fracos, como foi o caso da África do Sul.

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