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Investindo no sonho de ser jogador

16/07/2010

Gabrielle Callegari
gabycalegari@gmail.com

O sonho da maioria das crianças brasileiras é o mesmo: ser um jogador de futebol, da mesma maneira que grandes ídolos nacionais, como Pelé e Ronaldo Fenômeno. Aos poucos, as escolhinhas de futebol, que ensinavam de maneira recreativa a prática do esporte mais popular do país, foram dando espaço às categorias de base bancadas pelos grandes times de futebol, com caráter profissional e competitivo. Em busca de futuros talentos, os clubes promovem “peneiras”, nas quais futuros atletas são selecionados, e treinam crianças e adolescentes alimentando esse desejo de virar craque.

Em Porto Alegre, como no resto do país, os times costumam investir nas categorias de base com equipes para competição e abrir turmas de escolhinha, para pagantes. O Esporte Clube São José, conhecido popularmente como Zequinha, é um exemplo desse tipo de trabalho. Os jogadores das equipes mais novas costumam ter menos de dez anos e as categorias são definidas pelos anos dos nascimentos, variando a idade até os vinte e um anos.

Atualmente, a maior equipe é a de nascidos em 1998, que possui quarenta atletas de competição e participa simultaneamente dos campeonatos Encosta da Serra e Gauchão. A aposta nessa categoria se deve à conquista do campeonato gaúcho e do Encosta da Serra (de forma invicta) do ano passado, quando superaram outras equipes que possuem mais investimento financeiro e operacional por parte dos clubes.

Mesmo os jogadores da equipe de competição precisam pagar as mensalidades, o uniforme e as viagens, ainda que sejam cobrados pelo desempenho como se fossem profissionais. Os pais afirmam que vale a pena. Com treinos que variam entre cinco e quatro vezes por semana – com quatro horas de duração – eles aperfeiçoam o preparo físico e noções táticas de jogo. Nos finais de semana, os quarenta jogadores da categoria 1998 se dividem entre o Encosta da Serra e o Gauchão, e alguns chegam a participar de mais de um jogo.

Sem tanta assistência física, nutricional e psicológica quanto às equipes profissionais, a maioria dos atletas das categorias de base não chega a se profissionalizar por problemas de lesão. Foi o que aconteceu com Eduardo Menezes, que precisou parar de jogar aos dezoito anos, por um problema no joelho, pouco tempo depois de ter conseguido uma vaga no times da base do Grêmio. Elee hoje fica apenas no jogo com os amigos – nos finais de semana – e cursa faculdade de informática.

A maioria dos pais, que costumam acompanhar os filhos nos jogos e em alguns treinos, acredita na chance do filho se tornar um grande atleta. Nenhum deles, porém, permite os estudos sejam deixados de lado e cobram boas notas dos pequenos jogadores. Assim como os treinadores, incentivam hábitos saudáveis como abandonar as bolachas, os doces e o refrigerante. Além disso, insistem que o que eles buscam, por enquanto, é a diversão e a prática de um esporte. Se no futuro o futebol se tornar uma profissão, será bom, dizem eles, mas não é isso o mais importante.

A participação nas categorias de base traz também outros benefícios, como a oportunidade de viajar e conhecer outros lugares. No último dia 11 de julho, eles deram um tempo para as duas competições e se dirigiram a Angatuba (SP), onde competiram pelo Campeonato Sul Brasileiro. Mais de mil e setecentos atletas participaram, cento e vinte apenas do São José – que lotou três ônibus entre atletas e comissão técnica. Ao todo, quase dez dias longe de casa, e para os mais novos uma experiência nova e empolgante, ainda mais para fazer o que eles tanta gostam – jogar futebol.

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