Skip to content

A nossa Copa do Mundo é aqui

15/07/2010

Depois de 32 anos, o Cruzeiro de Porto Alegre volta à elite do futebol gaúcho. Foto: Ricardo Giusti/Correio do Povo

Francisco Guazelli
chico.guazzelli@gmail.com

Enquanto o mundo parava para assistir a Copa do Mundo, torcedores, jogadores e dirigentes de quatro equipes pequenas do Rio Grande do Sul, se concentravam apenas em suas equipes na disputa do quadrangular final da Segundona Gaúcha, que determinaria a ascensão de dois times para a primeira divisão de nosso estado. Cruzeiro, São Paulo de Rio Grande, Brasil de Farroupilha e Lajeadense definiam seus futuros, em uma árdua competição em que o Cruzeiro sagrou-se campeão e o Lajeadense conseguiu a ascensão com a segunda colocação. Enquanto no resto do mundo só se falava em Jabulani e vuvuzela.

“Tem gente que classifica a Segundona como o pior campeonato do Mundo a se disputar” – essa frase de Dirceu de Castro, presidente do Cruzeiro de Porto Alegre, dá uma ideia sobre o campeonato que é disputado por 26 equipes em cinco fases (contando a final), durante os seis primeiros meses do ano. O Cruzeiro, inclusive, não conseguia estar na primeira divisão do Gauchão desde 1978, fato que dá a importância à campanha deste ano para um clube que se orgulha por ser o primeiro do Rio Grande do Sul a pisar em solos europeus para a disputa de torneios. Aliás, conseguiu o título nas finais contra o Lajeadense, no dias 23 de junho com um empate em 1 a 1, no Estrelão, em Porto Alegre; e no dia 26, em uma vitória em Lajeado de 3 a 0.

O presidente do Lajeadense, Nilson Giovannela, também comentou a dificuldade da disputa desse campeonato: “o Lajeadense tem uma estrutura que consegue se manter, agora a maioria dos clubes não consegue isso. É uma dificuldade muito grande, a Federação ajuda com um valor simbólico, dá as bolas e mais a arbitragem. Mas como os jogos não têm muita qualidade, diminui o publico e a renda é pouca. Os clubes que não tem estrutura própria não conseguem fazer um bom campeonato”.

Lajeandense comemora o retorno à Primeira Divisão Gaúcha. Foto: Porthus Junior/Zero Hora

Para conseguir o objetivo máximo de se incluir entre a elite do futebol gaúcho em 2011, Lajeadense e Cruzeiro enfrentaram grandes desafios, mas que foram superados ao longo desses seis meses de competição. Estas dificuldades são traduzidas pelo presidente do Cruzeirinho: “Nós mesmos no final não tínhamos um campo adequado, por causa do inverno. No interior, há uma pressão natural da torcida em cima do Cruzeiro. Então é muito difícil. Eu comentava que depois de ir a Bagé, buscar o resultado, eu achava que o time estava apto para subir. É uma competição muito difícil para todos os clubes, é muito longa, jogo de três em três dias. Nós chegamos a ter umas dez decisões. Alguns atletas não conseguiam mais treinar, saíam do jogo iam pra fisioterapia e voltavam a jogar. Por isso que quem sai da Segundona tem um alívio”, avaliou Dirceu.

Um dos fatores essenciais para o Lajeadense conseguir o acesso foi o apoio de seus torcedores e simpatizantes. “Nos últimos quatro jogos que nós jogamos em casa e chovendo, tivemos três mil torcedores no estádio. Isso mostra que a comunidade do Vale do Taquari está querendo isso”, resume Giovanella.

No entanto, os grandes desafios foram a montagem do elenco e a consolidação de uma boa estrutura, fatores que sem os quais se torna inviável o destino positivo de um clube de futebol. O Cruzeiro, clube de maior visibilidade do campeonato já que está no imaginário de torcedores tricolores e colorados, contou com um grupo de jogadores basicamente formado pela suas categorias de base. Com um trabalho de quase cinco anos, o time que obteve em 2008 o vice no Torneio Gaúcho de Juniores. Depois disso, foi reforçado com alguns jogadores de experiência que, com o trabalho eficiente da comissão técnica comandada por Benhur Pereira – técnico que comandará o Lajeadense – permitiram o enorme sucesso.

Para permanecer na primeira divisão gaúcha, o Cruzeiro terá que enfrentar outras exigências. O novo técnico será Joel Cornelli, com passagem por Caxias e Emirados Árabes como treinador, e Corinthians e São Caetano como auxiliar técnico. Em compensação aos fortes adversários, o investimento no clube também aumentará com a maior visibilidade em 2011. “Agora é outro patamar, o investimento é maior. Em contrapartida, o retorno também é maior. A gente sabe que não dá pra disputar a primeira divisão com esse elenco que temos. Nós vamos reforçar a equipe nas posições que há carências. Com critério, trazendo atletas e não jogadores, eu acho que o Cruzeiro pode continuar esse projeto e permanecer na Primeira por muito tempo”, comentou Dirceu.

Já o vice-campeão, além do novo técnico, deve ter novidades pra o trabalho que surge e promete enfrentar maiores dificuldades. “Já contratamos o treinador, agora já estamos começando a conversar com atletas pra montar a equipe neste segundo semestre e fazer uma boa pré-temporada para o Gauchão”, frisou o presidente.

Durante valorizado mês de junho, a verdadeira batalha dos campos gaúchos foi a esquecida Segundona. “Para nós, a Copa do Mundo era aqui. Mesmo com a Copa, houve um grande interesse da mídia de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul, uma repercussão muito grande, com a TV transmitindo os jogos”, comentou Dirceu de Castro. A paixão pelo futebol, que mobiliza tantas pessoas, é a mesma no Estrelão, no Florestal de Lajeado ou no Soccer City.

Anúncios
No comments yet

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: